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Medidas de prevenção para sarampo

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Apesar de ter recebido o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo em 2016, atualmente o Brasil apresenta situações de surto em alguns estados do país. Além de saber identificar casos suspeitos, é importante que os profissionais de saúde adotem algumas medidas de prevenção durante o atendimento desses pacientes.

Casos suspeitos

O sarampo é uma doença viral febril aguda, caracterizada pela presença de rash cutâneo. É transmitida por secreções respiratórias de pessoas infectadas, sendo altamente contagiosa. Pacientes imunocompetentes são considerados infectantes até 4 dias depois do início do rash (sendo o primeiro dia do rash considerado D0), enquanto pacientes imunossuprimidos podem eliminar o vírus durante todo o período de duração da doença.

Devem ser considerados casos suspeitos de sarampo os pacientes com febre e exantema maculopapular, acompanhados de um ou mais dos seguintes: tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independente de faixa etária ou situação vacinal.

Sarampo é considerado uma doença de notificação compulsória imediata, ou seja, frente um caso suspeito de sarampo, a Secretaria Municipal de Saúde deve ser notificada em até 24 horas para que as devidas medidas de investigação e de controle sejam tomadas em tempo oportuno. A ficha específica de notificação (disponível online no portal do SINAN) também deve ser preenchida.

Saiba mais: O movimento antivacinas e o aumento dos casos de sarampo

Medidas relacionadas ao paciente

  • Os casos suspeitos de sarampo devem ser corretamente identificados no processo de triagem. Após, eles desem ser levados a um ambiente separado o mais precocemente possível enquanto aguardam atendimento. Isso ajuda a minimizar a exposição de outros pacientes na sala de espera.
  • Tais pacientes devem permanecer com máscara cirúrgica durante todo o período em que permanecerem no ambiente de atendimento.
  • Caso seja procedida internação hospitalar, o paciente deve ser mantido em precauções de contato e respiratória por aerossol, as quais devem ser observadas por todos os profissionais que entram em contato com o mesmo, independente de seu status vacinal. Esses pacientes devem ser internados em leitos de isolamento respiratório com filtros HEPA ou em quartos individuais com adequado fluxo de circulação de ar.
  • Caso seja necessário transporte pelo ambiente de atendimento, o paciente deve utilizar máscara cirúrgica. O trajeto deve ser otimizado de forma a minimizar seu contato com outras pessoas potencialmente suscetíveis (utilizar corredores com menor circulação de pessoas, usar elevadores exclusivos, notificar os serviços correspondentes para que haja prioridade na realização de exames complementares, diminuindo o tempo na sala de espera). Da mesma forma, outros profissionais envolvidos no transporte devem ser avisados para que adotem as medidas de precaução preconizadas, principalmente o uso de máscara N-95.

Medidas relacionadas ao profissional de saúde

  • Em primeiro lugar, todo profissional que trabalha em ambiente de assistência à saúde deve estar adequadamente imunizado. Em relação ao sarampo, recomenda-se que indivíduos até 29 anos de idade possuam 2 doses da vacina, administradas após os 12 meses de idade. Pessoas entre 30 e 49 anos devem ter pelo menos 1 dose da vacina.
  • Para considerar um profissional imune, é necessário ter comprovação de vacinação, corretamente registrada em cartão vacinal. Profissionais suscetíveis devem ser vacinados e, preferencialmente, não devem prestar assistência a pacientes com suspeita ou casos confirmados de sarampo.
  • Por tratar-se de vacina de vírus vivo atenuado, a vacina está contraindicada em gestantes e indivíduos com condições imunossupressoras.
  • Higienização das mãos deve ser rigorosamente observada, utilizando a técnica correta preconizada pela OMS.
  • Durante o atendimento de casos de sarampo, o profissional deve obedecer às recomendações de precaução respiratória por aerossol. Deve utilizar máscaras N-95 e sempre verificar se as mesmas estão bem ajustadas e sem dobras.

Medidas pós-exposição

O vírus do sarampo é capaz de permanecer viável por 2 horas no ambiente. Dessa forma, não somente o contato direto com um indivíduo com a doença deve ser considerado como exposição, mas também a permanência no mesmo ambiente por até 2 horas após a saída do paciente, se as medidas adequadas não tiverem sido adotadas.

Todo profissional com exposição a um caso de sarampo deve ser monitorado por 21 dias após a última exposição para o aparecimento de sinais ou sintomas compatíveis com a doença. Para os profissionais suscetíveis com exposição, algumas medidas devem ser adotadas:

  • Proceder à vacinação em até 72 horas após o contato. Caso haja contraindicação à vacina, deve-se buscar um centro de referência para administração de imunoglobulina hiperimune até 6 dias após a exposição.
  • Independente da administração de vacina ou imunoglobulina, os profissionais expostos devem ser afastados do trabalho do 5º dia após a primeira até o 21º dia após a última exposição. Pacientes com indicação de 2 doses, mas que possuem somente 1 dose da vacina podem permanecer trabalhando, mas devem receber a 2ª dose no mínimo após 28 dias da 1ª.
  • Se o profissional desenvolver a doença, deve permanecer afastado, no mínimo, por 4 dias após o início do rash. Caso haja alguma condição imunossupressora concomitante, o afastamento deve ser durante todo o período de doença.

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