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Mulheres na linha de frente do combate à Covid-19

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Diversos profissionais de saúde estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus. Atuando de forma conjunta na prevenção e tratamento dos infectados, os profissionais de enfermagem são o alicerce desse cuidado. Em diversos momentos da história profissionais de enfermagem estiveram na linha de frente das práticas sociais de saúde. A profissão nasceu ligada a crises sociais, guerras entre povos e em ambiente hostil. A pandemia que nos assola é nova para nossa sociedade, mas nossa profissão possui sua base fundamental de formação para evitar o mal em situações adversas como a que vivemos.

Enfermagem e mulheres

A enfermagem é uma profissão repleta de célebres profissionais, que durante a história a constituíram como uma profissão. De Florence Naghtingale até as enfermeiras contemporâneas que arriscam suas vidas na assistência, podemos ver que enfermagem é uma profissão constituída majoritariamente por mulheres. De acordo com Splendor e Roman (2003), “reportando-nos à história da Enfermagem, da mulher e do cuidado, descobrimos que estes se entrelaçam e se confundem, de modo que um está direta ou indiretamente ligado a outro”.

A história nos mostra que as mulheres assumiram a posição do cuidado na sociedade. A enfermagem é uma profissão de gênero feminino, sendo este um conjunto de espécies entre si, com qualidades semelhantes. Difere de sexo que pode se limitar a conformação orgânica. A enfermagem é uma profissão que em sua grande maioria é do gênero feminino. O feminino sempre esteve ligado a figura do cuidado, principalmente aos cuidados básicos, fisiológico, emocional e todos aqueles onde a pessoa não pode realiza-los pelo cuidado de si. Nos primeiros anos de vida, no adoecimento e na convalescência, no envelhecimento e na morte, o cuidado feminino esteve sempre ligado como proposição de cuidado.

No Brasil, a profissão é predominantemente do gênero feminino e está na linha de frente do cuidado. A mulher possui a dupla jornada de trabalho que em tempos de Crise possuem outros problemas como o aumento da carga horária de trabalho, e o real aumento da carga de trabalho, como podemos ver no parecer normativo COFEN Nº 002/2020 – exclusivo para vigência da pandemia Covid-19, o quantitativo mínimo de profissionais necessários para a adequada assistência de enfermagem de unidades de terapia intensiva subiu para oito leitos para cada um enfermeiro e quatro técnicos de enfermagem.

As enfermeiras precisam lidar com a infecção viral, já que são as que possuem os maiores índices de contaminação entre todos os profissionais de saúde. Também precisam lidar com a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) que exigem cuidados específicos e além disso, lidam também com suas faltas. Além de um ambiente de extremo estresse, onde as condições de vulnerabilidade são físicas e emocionais, a insegurança aumenta pelo risco de infecção pelo vírus do Corona vírus. O aumento da demanda e a exposição aumentada no cuidado ao corona vírus torna o ambiente de trabalho um lugar hostil para essas mulheres.

Indubitavelmente o ambiente e suas demandas são talvez o maior problema dessas profissionais, no entanto, outras problemas são acontecem com essas profissionais. Enquanto as pessoas proliferam a frase: fiquem em casa.

Profissionais da enfermagem apenas querem voltar para casa. “Eu quero voltar pra casa” esse é um dos novos lemas da enfermagem que já há anos busca o direito de ter uma carga máxima de trabalho em 30 horas semanais, presente no projeto de lei sob número 2295/00. O projeto dispõe sobre a jornada de trabalho dos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, alterando a lei nº 7.498 de 1986, fixando a jornada de trabalho em seis horas diárias e trinta horas semanais. Esta lei está sujeita a apreciação do plenário por 20 anos e é uma das principais reivindicações dos profissionais de enfermagem.

Leia também: A Sistematização da Assistência de Enfermagem e a identidade profissional do enfermeiro

Conquanto seja possível que as demandas supra citadas sejam o maior problema dessas profissionais, o afastamento da família, principalmente dos filhos, pode ser o principal problema encontrado por essas profissionais. Muitas mães tem se afastado dos seus filhos e ficam em distanciamento social após o período de trabalho, fazendo com que a vulnerabilidade psíquica seja maior para essas mulheres. As mulheres que lutam por espaço no mercado de trabalho, precisam de condições dignas de trabalho, bem como respaldo legal no cumprimento de horas de trabalho que propiciem qualidade de vida. Um bom começo seria a participação de governantes e população no apoio as proposições já realizadas pela classe.

O perfil da sociedade nas questões da gerência feminina tende a mudar, pois a transição do papel da mulher – membro participante e atuante – é irreversível. Cada vez mais as mulheres assumem funções gerenciais, e o mais importante, de maneira competente.

Para Hernandes e Viera (2020), a pandemia gerou efeitos imediatos aumentando a desigualdade de gênero e piora na qualidade de vida das mulheres. No mundo, assim como no Brasil temos considerável aumento na força de trabalho das mulheres, cerca de 70% da força das equipes de trabalho entre os profissionais de saúde e um número superior a 80% da força de trabalho na Enfermagem entre profissionais técnicos e enfermeiros. Mas há um problema no qual essas mulheres vivem é de não possuir a necessária representação e ocupação em cargos de gestão.

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A pandemia do coronavírus, apresentou ao mundo uma desigualdade que não poderá ser ignorada. A essencialidade do serviço apresentado pela enfermagem deve ser reconhecida pela sociedade e seus representante na materialização de leis de proteção. A redução da desigualdade entre as profissões e os gêneros deve ser um caminho necessário da humanidade em busca de criar uma nova valorização das práticas profissionais. A importância de serviços básicos de predominância do gênero feminino tornou-se nessa pandemia uma necessidade social. Cabe a sociedade buscar melhores condições para o que é considerado essencial.

As mulheres devem dividir posições de liderança em todos os níveis de organização, seja profissional ou político. Devemos buscar cenários diversos dos conhecidos na história, onde a valorização pelo duro trabalho não se materializou como direitos. O grito social dessas mulheres antes silenciado, hoje deve ter a potencia de todos. A vitória de direitos dessas mulheres pode ser considerado vitória de todos. Esperamos que políticas públicas e leis em defesa de melhores condições sejam criadas para defesa dessas profissionais que carregam a representatividade de todo um gênero. Além disso, pela essencialidade que tem o cuidado na vida humana, devemos todos se unir em prol dessa proposição.

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