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Neuromodulação no tratamento da incontinência fecal

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Estatísticas apontam que um a cada 12 indivíduos apresenta incontinência fecal, o que corresponde a 18% da população em geral. Entretanto, o problema é subestimado, uma vez que os próprios pacientes evitam procurar ajuda médica para tratar a condição, apesar disso causar grande impacto no dia a dia e afetar a qualidade de vida. Em geral, as mulheres são mais acometidas por essa incontinência, principalmente pela possibilidade da sua associação com traumas obstétricos. A neuromodulação é uma terapia na qual se realiza a estimulação dos nervos sacrais ou periféricos com o objetivo de restaurar circuitos neuronais danificados. Dessa forma, melhorando o controle das funções intestinais e as disfunções urinárias.

Leia mais: Aprovado nos EUA o primeiro dispositivo de neuromodulação de insuficiência cardíaca

Mulher sofrendo de incontinência fecal

Como é o tratamento por neuromodulação?

“O paciente recupera o seu controle esfincteriano. Devido aos resultados favoráveis da neuromodulação em diferentes casos de incontinência, a conduta e o algoritmo do tratamento dessa condição sofreram uma grande modificação e, assim, praticamente todas as formas de incontinência hoje podem ser tratadas por meio dessa terapia”, explica a coloproctologista Lucia Camara Castro Oliveira, diretora do Serviço de Fisiologia Anorretal do Rio de Janeiro e da Cepemed, titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC).

Além de realizar o diagnóstico corretamente, o coloproctologista deve considerar a gravidade do quadro do paciente, o prejuízo na qualidade de vida e os custos associados ao tratamento.

O equipamento está no Rol de Procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), sendo coberto por todos os planos de saúde brasileiros. Os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) também podem solicitar a liberação do equipamento, que tem o custo aproximado em torno de R$ 70 mil.

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Como funciona

A técnica consiste na punção do terceiro nervo sacral com agulha, guiada por radioscopia e sob sedação anestésica em hospital. O paciente em seguida entra em uma fase de teste, na qual um estimulador externo é conectado ao eletrodo implantado.

A cirurgia é minimamente invasiva, ocorrendo apenas sob anestesia local e leve sedação, contribuindo para que o paciente possa receber alta no mesmo dia em que o procedimento for realizado. Essa técnica também permite que seja realizado um teste para a avaliação do resultado antes da implantação do neuroestimulador.

“Durante a fase de teste, observamos a resposta do paciente à neuromodulação. Se houver redução de 50% ou mais dos episódios de incontinência, o paciente é candidato ao implante do gerador. Essa segunda etapa do procedimento também requer uma breve internação e uma anestesia local”, esclarece Lucia Oliveira, que também é fellow da Cleveland Clinic Florida e da Sociedade Americana de Cirurgiões Colorretais.

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Vantagens

Um estudo publicado no periódico Techniques in Coloproctology e realizado por especialistas da América Latina com 129 pacientes (sendo 119 mulheres, a maioria com histórico de lesão obstétrica) concluiu que a neuromodulação sacral é segura e eficiente no tratamento da incontinência fecal.

“A grande vantagem dessa terapia é permitir uma fase de testes, indicando assim que o implante do gerador terá uma eficácia e poderá beneficiar o paciente. Dificilmente temos cirurgias nas quais se consegue antecipar o resultado da técnica. O caráter minimamente invasivo também é uma grande vantagem, diminuindo o tempo de internação”, diz a especialista.

A neuromodulação é contraindicada em gestantes, indivíduos com idade inferior a 16 anos, com infecções da região sacral e para pacientes que tiveram lesões medulares completas.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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