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Novembro roxo: método canguru com os pais tem eficácia em prematuros?

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O método da mãe canguru (kangaroo mother care – KMC) foi introduzido há mais de duas décadas como uma abordagem alternativa para o cuidado neonatal. Em recém-nascidos (RN) prematuros com baixo peso ao nascer, o método canguru (MC) demonstrou reduzir a mortalidade, a gravidade da doença, infecções e o tempo de internação, além de diminuir a apneia, promover ganho de peso e levar a taxas maiores de aleitamento materno exclusivo. A temperatura, a estabilidade cardiorrespiratória, a organização do sono, a duração do sono tranquilo, a amamentação e a modulação das respostas à dor parecem melhorar em prematuros que receberam MC durante a internação hospitalar.

Além disso, não foram demonstrados efeitos prejudiciais sobre a estabilidade fisiológica após o MC em bebês com idade gestacional a partir de 25 semanas. As mães mostram comportamentos aprimorados de apego e descrevem um aumento da sensação de satisfação em seu papel de mãe. O MC também foi identificado como um passo importante para os cuidados dos pais com seu bebê. No entanto, na maioria das vezes, o MC é fornecido pela mãe.

O MC promove a ligação e alivia o estresse em mães e seus filhos. As mães que fornecem o KMC também participam de muitas outras atividades de cuidados com o bebê em unidades neonatais. Os pais, muitas vezes não participam e podem se sentir impotentes e estressados por causa do não envolvimento.

Comparar respostas fisiológicas e bioquímicas em RN prematuros estáveis e seus pais após cuidados com KMC e kangaroo father care (KFC) foi o objetivo do estudo Kangaroo care by fathers and mothers: comparison of physiological and stress responses in preterm infants, de Srinath e colaboradores (2016), publicado no Journal of Perinatology.

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Método mãe canguru versus pai canguru

Os autores realizaram um estudo prospectivo de projeto cruzado de RN prematuros estáveis com menos de 35 semanas de gestação em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) terciária em Toronto, Canadá. Todos os neonatos receberam KMC e KFC por 1 hora em dias consecutivos em ordem aleatória.

Foram aferidos: frequência cardíaca (FC), temperatura, pressão arterial (PA), saturação de oxigênio e cortisol salivar em lactentes antes e após os cuidados com o MC e a FC, temperatura e cortisol salivar em pais antes e após o MC. Comparações pareadas de mudanças nessas medidas foram analisadas.

O procedimento

O MC foi fornecido pela mãe ou pai da criança em uma ordem aleatória com base na disponibilidade. A sessão durou no mínimo 60 minutos. A duração total do estudo foi de 75 minutos (15 minutos antes do MC para coletar dados basais e 60 minutos do MC). A criança era mantida nua, exceto por uma fralda e um chapéu. Os bebês estavam em posição com as pernas e os braços flexionados e a cabeça voltada para o lado. Não foi usado nada para apoiar a posição e os bebês estavam livres para mover as mãos e as pernas.

Quando o bebê foi colocado corretamente no peito, o bebê e os pais foram cobertos com um cobertor e um lençol extra. Foi colocada uma cortina ao redor do binômio enquanto o MC era realizado. Havia outros neonatos ao redor da díade do estudo com muita estimulação sensorial secundária a alarmes e sons; no entanto, isso não foi diferente entre as sessões KMC e KFC.

A segunda sessão comparativa do MC (cruzamento) foi conduzida de maneira semelhante, mas pelo pai. Foi solicitado às mães e aos pais que não fumassem, exercitassem ou bebessem nada, exceto água, por 45 minutos antes e durante o período de espera para evitar variações nos níveis de cortisol.

Da mesma forma, os bebês foram estudados 60 minutos após a última alimentação. Os pais foram instruídos a interagir com o RN, tocando, conversando ou cantando como quisessem e com base na resposta do bebê.

Resultados

Foram avaliados 26 conjuntos de RN e seus pais quanto aos parâmetros fisiológicos. Destes, 19 tinham amostras adequadas para avaliação do cortisol salivar. Os RN tiveram um peso médio de nascimento de 1096g [desvio padrão (DP) = 217] e uma idade pós-menstrual média no estudo de 32 semanas (DP = 2). Não houve diferenças significativas nas alterações da FC média (P = 0,51), temperatura (P = 0,37), saturação de oxigênio (P = 0,50), PA sistólica (P = 0,32), PA média (0,10) e salivar cortisol (P = 0,50) antes e após KMC ou KFC nos RN. As mudanças na FC média (P = 0,62), temperatura (P = 0,28) e cortisol salivar (P = 0,59) antes e depois do tratamento com MC foram semelhantes entre mães e pais.

Veja também: Novembro roxo: como reduzir nascimentos prematuros?

Conclusões

Os autores não observaram diferenças significativas nas respostas fisiológicas e ao estresse após o KMC ou o KFC em RN prematuros. Portanto, dessa forma, o estudo concluiu que o KFC pode ser tão seguro e eficaz quanto o KMC.

Autor:

Referência bibliográfica:

  • SRINATH, B. K. Kangaroo care by fathers and mothers: comparison of physiological and stress responses in preterm infants. Journal of Perinatology, v.36, n.5, p.401-404, 2016.

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