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Betalactâmicos orais em pacientes com ITU e bacteremia são seguros?

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Pielonefrite e infecções do trato urinário são indicações frequentes de uso de antibióticos na prática clínica, sendo Escherichia coli o agente etiológico mais comum. Tipicamente, fluoroquinolonas têm sido a opção oral preferida nesses casos, mas a resistência bacteriana e os eventos adversos associados à essa classe de antimicrobianos aumentaram o interesse por alternativas seguras e eficazes. Betalactâmicos orais têm sido uma opção, mas a maior parte dos estudos que avaliou sua eficácia excluíram ou incluíram poucos casos em que houve bacteremia. Um grupo canadense procurou comparar os desfechos de pacientes adultos com pielonefrite e bacteremia por E.coli que receberam betalactâmicos orais com os que receberam fluoroquinolonas orais.

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Betalactâmicos orais em pacientes com ITU e bacteremia

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Materiais e métodos

Trata-se de um estudo multicêntrico retrospectivo que avaliou pacientes com isolamento de E. coli em urinocultura e hemocultura, identificados por meio de banco de dados de registros eletrônicos. Os pacientes foram incluídos se possuíam 18 anos ou mais, se tinham hemocultura e urinocultura positivas para E. coli com no máximo 72 horas de intervalo entre elas e se receberam terapia intravenosa com betalactâmico seguida de antibioticoterapia oral com betalactâmico ou fluoroquinolona. Pacientes que morreram nas primeiras 72 horas após a primeira hemocultura positiva foram excluídas.

Outros critérios de exclusão foram: documentação de foco não urinário como fonte de bacteremia, tratamento para outra infecção concomitante, presença de pielonefrite complicada (pielonefrite enfisematosa, abscesso renal ou perinefrético, necrose papilar renal), prostatite, E. coli produtoras de AmpC, ESBL ou carbapenemases, HIV com CD4 < 200 células, neutropenia com < 500 neutrófilos e pacientes com transplante renal.

O desfecho primário foi cura clínica, definida como resolução ou melhora dos sintomas durante o tratamento, ausência de recorrência de sinais e sintomas de infecção do trato urinário em 30 dias e ausência de interrupção ou mudança de esquema antimicrobiano por falha terapêutica ou eventos adversos.

Desfechos secundários incluíram tempo de hospitalização após a primeira hemocultura, mortalidade por todas as causas em 30 dias após a primeira hemocultura e coprocultura positiva para Clostridioides difficile em 30 dias após a primeira hemocultura.

Resultados

Foram identificados 207 pacientes que se encaixavam nos critérios de inclusão, sendo que 130 (62,8%) receberam fluoroquinolonas e 77 (37,2%) receberam betalactâmicos. Todos os pacientes do grupo de fluoroquinolonas receberam ciprofloxacino, enquanto amoxicilina, amoxicilina-clavulanato, cefalexina, cefuroxima e cefixima.

Pacientes que receberam betalactâmicos como forma de descalonamento tinham maior probabilidade de terem infecção comunitária associada a cuidados com a saúde (residência em instituições de longa permanência, terapia intravenosa ambulatorial, admissão hospitalar por mais de 2 dias nos 90 dias anteriores ou ida a hospital ou clínica de hemodiálise nos 30 dias anteriores). Gravidade foi semelhante entre os grupos, assim como o tempo até descalonamento, tempo de tratamento oral e tempo total de tratamento.

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Cura clínica foi observada em 127 pacientes (98%) que estavam no grupo que recebeu fluoroquinolonas e em 72 pacientes (94%) no grupo que recebeu betalactâmicos. A análise não ajustada não mostrou diferença entre os grupos em relação à cura clínica (OR = 0,34. IC 95% = 0,08 – 1,47; p = 0,13), o que se manteve na análise multivariada (OR = 0,31; IC 95% = 0,05 – 1,9; p = 0,2). O tempo de hospitalização médio foi de 6 dias, semelhante entre os grupos.

Mensagens práticas

Os resultados mostram que betalactâmicos orais seriam uma alternativa segura e eficaz de descalonamento em casos de pielonefrite mesmo em casos com bacteremia associada.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Saad S, Mina N, Lee C. et al. Oral beta-lactam step down in bacteremic E. coli urinary tract infections. BMC Infect Dis 20, 785 (2020). doi: 10.1186/s12879-020-05498-2
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