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O impacto da Covid-19 grave em novas incapacidades e retorno ao trabalho

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A pandemia pela Covid-19 (Coronavirus Disease 2019) promoveu impacto global nos sistemas de saúde. A doença é causada pelo SARS-CoV-2 (Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus type 2) e tem espectro variado de apresentações, desde pacientes assintomáticos a pacientes graves com necessidade de internação em unidades de terapia intensiva (UTI). O impacto da Covid-19 em desfechos a longo prazo vem sendo estudado, uma vez que trata-se de uma doença nova. Assim como outras doenças virais, evidências já disponíveis apontam para sintomas persistentes após a fase aguda da doença.

O espectro clínico encontrado em sobreviventes da doença aguda tem sido chamado de “Síndrome Pós-Covid” ou “Long Covid”. Tal condição é caracterizada por sintomas persistentes ou complicações a longo prazo. No entanto, não há uma definição clara até o momento na literatura.

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O impacto da Covid-19 grave em novas incapacidades e retorno ao trabalho

Sobre o estudo

O estudo intitulado “The impact of COVID-19 critical illness on new disability, functional outcomes and return to work at 6 months: a prospective cohort study”, publicado em novembro de 2021, na Critical Care Medicine, trouxe dados importantes a respeito da Long Covid. Trata-se de estudo de coorte prospectivo realizado na Austrália, envolvendo 30 hospitais, que objetivou avaliar a incidência de novas incapacidades e sintomas persistentes, assim como o impacto da Covid-19 em capacidade funcional, na qualidade de vida relacionada à saúde e no retorno ao trabalho.

Os critérios de inclusão foram: adultos ≥ 18 anos com diagnóstico de Covid-19, confirmado por RT-PCR positivo para SARS-CoV-2, admitidos em uma das unidades de terapia intensiva envolvidas por mais de 24 horas. Duas coortes foram obtidas a partir da inclusão: uma coorte hospitalar, envolvendo todos os pacientes com os critérios acima; e outra coorte de follow-up, que envolveu os pacientes que foram à óbito dentro de 6 meses da inclusão além dos pacientes que foram contatados por telefone. Uma subdivisão desse segundo grupo foi definida como Coorte de Follow-Up Respondedores, definida pelos pacientes que apresentavam desfechos funcionais avaliáveis em 6 meses.

Resultados

No período entre 6 de março de 2020 e outubro de 2020, 274 pacientes graves com Covid-19 foram avaliados para inclusão em 30 centros de 6 estados australianos. 62 pacientes foram excluídos e um total de 212 pacientes foram incluídos no estudo. Desse total, 52 pacientes não conseguiram ser contatados posteriormente, totalizando 160 pacientes para integração à coorte Follow-Up. O percentual de ventilação mecânica durante a internação na UTI foi de 57,1% (120 pacientes). 112 (55,2%) receberam droga vasoativa, 129 (61,6%) foram tratados com cânula nasal de alto fluxo e 29 (14,3%) com ventilação não invasiva.

Quais principais achados?

  • 42,3% (58 pacientes) apresentavam fraqueza muscular adquirida na UTI no momento da alta da UTI;
  • Em 6 meses, 43 pacientes foram à óbito (26,9%);
  • 38,9% apresentaram nova incapacidade em 6 meses;
  • 11,4% dos sobreviventes não retornaram ao trabalho em 6 meses devido condições de saúde (13 de 114 pacientes);
  • Em caso de pacientes com incapacidade prévia, foi possível evidenciar piora do grau das incapacidades anteriores;
  • Houve queda na qualidade de vida percebida (escala visual analógica do EQ5D) em relação à baseline dos pacientes, além de queda significativa no escore de utilidade do EQ-5D-5L;
  • No presente estudo, novas incapacidades foram evidenciadas em todas as áreas da funcionalidade, particularmente a área emocional (como ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático) e mobilidade.

Além dos achados acima, também foi evidenciado a presença de sintomas persistentes

Entre 115 pacientes sobreviventes, em 6 meses, 82 (71,3%) pacientes reportaram sintomas persistentes, com 50 (43,5%) relatando 3 ou mais sintomas. O sintoma mais frequentemente relatado foi dispneia, seguido de fraqueza e fadiga.

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Preditores para nova incapacidade ou morte

Idade avançada, APACHE II elevado, escore de fragilidade clínica elevado, presença de diabetes, insuficiência cardíaca crônica ou câncer, grau de suporte respiratório na internação, uso de bloqueadores neuromusculares e uso de posição prona estiveram associados à nova incapacidade ou óbito.

Após análise multivariada ajustada, maior APACHE II (p=0,032) e maior índice de fragilidade na baseline (p=0,025) estiveram associados de forma independente à nova incapacidade ou óbito.

Mensagens Práticas 

  • O estudo traz uma casuística nacional e representativa de pacientes graves, como podemos observar nos dados do tratamento recebido na internação (percentual de 50% de VM e 60% de uso de droga vasoativa);
  • Na análise de 6 meses, 26,9% dos pacientes foram a óbito e 38,9% dos sobreviventes apresentaram nova incapacidade. Ou seja, em sobreviventes, um percentual considerado de pacientes apresentaram impacto na funcionalidade após Covid-19 grave.
  • Maior gravidade de doença e maior índice de fragilidade estiveram associados de forma independente na predição de óbito ou nova incapacidade;
  • Nos sobreviventes com nova incapacidade, a maioria relatou três ou mais sintomas persistentes em 6 meses;
  • As novas incapacidades e sintomas persistentes que caracterizam a Long Covid são frequentes, representando um problema urgente de saúde pública.

Referências bibliográficas:

  • Hodgson CL, Higgins AM, Bailey MJ, et al. The impact of COVID-19 critical illness on new disability, functional outcomes and return to work at 6 months: a prospective cohort study. Crit Care. 2021;25(382). doi:10.1186/s13054-021-03794-0
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