O impacto da variante Delta sobre a efetividade da vacinação no Reino Unido 

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O surgimento frequente de novas variantes do SARS-CoV-2 ameaça o sucesso dos programas de vacinação no mundo inteiro, sobretudo porque os experimentos in vitro sugerem que ocorra redução da atividade de neutralização dos anticorpos induzidos pela vacina contra variantes emergentesMais recentemente, o mundo voltou seus olhares para a variante Delta (B.1.617.2), de provável origem na segunda onda da Índia, que provocou aumentos acentuados nas infecções em muitos países, incluindo alguns com alta cobertura de vacinação, como no Reino Unido e Israel. Nesses países, a variante Delta rapidamente se tornou efetivamente dominante pouco tempo após ser classificada como uma variante de preocupação pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 28 de abril de 2021, chegando a 61% dos casos sequenciados no início de maio de 2021 e a 99% a partir do final de junho de 20213-5

Diversos mecanismos podem estar implicados na redução de efetividade das vacinas atuais sobre a variante Delta, onde nenhum deles consegue explicar com exatidão o fato de mesmo em pacientes com duas doses de vacinação, a variante ainda conseguir expressar a doença com impacto clínico significativo

Leia também: Covid-19 e variante Gama: estudo avalia eficácia da Coronavac e Astrazeneca no Brasil

Esse estudo, patrocinado pelo sistema de saúde britânico, com análise em coletas de testagem em massa durante dezembro de 2020 a maio de 2021, visa mostrar a efetividade das principais vacinas em uso atualmente sobre a Covid-19, com especial olhar sobre a variante Delta. 

O impacto da variante Delta sobre a efetividade das vacinas no Reino Unido 

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Metodologia

Trata-se de um estudo retrospectivo, onde fora avaliada a eficácia das vacinas com base na positividade de RT-PCR e de acordo com os sintomas autorrelatados pelos paciente, entre 1 de dezembro de 2020 (quando ocorreu o início da implementação da vacinação em massa) até 16 de maio de 2021 (quando a variante Alfa dominou o número de casos) e de 17 de maio de 2021 a 1 de agosto de 2021 (quando a variante Alpha foi substituída majoritariamente pela Delta. Além disso, neste período de dominância Delta investigamos a variação na eficácia da vacina por dados de saúde de longo prazo, como o intervalo de idade (18-34 versus 35-65 anos), tempo entre a segunda dose de vacinação (< 9 semanas versus ≥ 9 semanas) e ocorrência da infecção por Covid-19 anterior. 

Foram realizadas 2.939.004 visitas durante o período, sendo classificadas cada visita de acordo com o estado de vacinação atual e do histórico de infecção anterior, considerando aqueles ainda não vacinados ou com mais de 21 dias antes da vacinação sem evidência de infecção anterior como o grupo de referência. Foi avaliada como eficácia da vacina, dados com base na positividade geral de RT-PCR e segmentada de acordo com os sintomas autorrelatados. 

Resultados 

Ajustando para múltiplos confundidores potenciais, no período de dominância Alfa a eficácia da vacina (EV) de ambas as vacinas BNT162b2 (Pfizer) e ChAdOx1 (Oxford) contra novos PCR-positivos foi semelhante entre aqueles com ≥18 anos. No período de dominância Delta, entre aqueles ≥ 18 anos, houve evidência de eficácia reduzida em 21 dias após a primeira dose da vacina de Oxford (EV 46% (IC 95% 35-55%), p = 0,004), mas não 14 dias após a segunda dose (67%, 62-71% vs 79%, 56-90% no período Alfa-dominante, p = 0,23). Não houve ainda evidência de eficácia reduzida no período de dominância Delta para a vacina da Pfizer, com EV de 57% (50-63%) após a primeira dose e 80% (77-83%) após a segunda dose (p = 0,60, p = 0,23, respectivamente). 

Os resultados deste grande estudo de vigilância epidemiológica mostram que a vacinação com duas doses de BNT162b2 (Pfizer) ou ChAdOx1 (Oxford) podem reduzir significativamente o risco de novas infecções por SARS-CoV-2, no entanto, enquanto as duas vacinas ofereceram resultados semelhantes quando o perfil Alpha era dominante, os benefícios de duas doses das duas vacinas são reduzidas com a variante Delta. 

Saiba mais: O que sabemos sobre a variante Delta do SARS-CoV-2 em crianças?

Também foi evidenciada maior eficácia naqueles pacientes na faixa de 18 a 34 anos em relação à faixa de 35 a 64 anos, embora não tenham sido capazes de avaliar em conjunto o grau em que esse evento possa ter sido causado por taxas mais elevadas de infecção anterior neste grupo. Não foi possível estimar com segurança a eficácia da vacina naqueles com 65 anos ou mais no período Delta-dominante pelo fato de muito poucos indivíduos ainda permanecerem não vacinados. 

Conclusão 

De acordo com este estudo, apesar de limitações próprias do seu desenho, as vacinas, BNT162b2 e ChAdOx1 permanecem protetores no período de dominância Delta contra novos casos de infecções com maior carga viral ou sintomas clinicamente importantes, mas a eficácia geral da vacina é reduzida, com evidências de uma dinâmica significativamente diferente de imunidade contra infecções ou sintomas após a segunda dose das duas vacinas. Com a variante Delta, as infecções que ocorrem apesar da imunização com qualquer uma das vacinas têm pico de carga viral semelhante à de indivíduos não vacinados. A vacinação contra SARS-CoV-2 ainda reduz novas infecções, mas a eficácia e a atenuação do pico da carga viral são reduzidas com a variante Delta a despeito do estado vacinal prévio. 

Os autores reforçam a necessidade de ampliar a investigação para outras vacinas em uso atualmente, bem como da importância de ampliar os programas de vacinação a nível mundial para evitar que novos surtos ocorram com a geração de novas variantes possivelmente mais agressivas e com menor impacto em desfechos com a vacinação. Um outro ponto importante a ser investigado posteriormente consiste em avaliar o impacto clínico da variante Delta em relação à vacinação, sobre desfechos como gravidade do quadro e óbito, ou seja, se apesar de as vacinas não terem impacto importante sobre a carga viral, elas conseguem promover uma resposta à infecção com menor incidência de casos graves. 

Impressão pessoal 

O estudo só reforça a necessidade emergencial de acelerar e ampliar os programas de vacinação em massa no mundo inteiro. A pressa em vacinar a população é bem justificada no fato de que enquanto houver população passível de exposição e contágio em surtos, novas variantes com maior potencial de gravidade ou mesmo com novos mecanismos de escape vacinal podem surgir e retardar o tão sonhado fim da pandemia.

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Referências bibliográficas:

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