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O uso abusivo de psicofármacos nos EUA entre adolescentes e jovens

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Assim como o uso legítimo de psicofármacos vem crescendo, o mesmo acontece com seu uso abusivo, independentemente de essas medicações terem sido ou não prescritas por um médico. Isso se reflete num aumento dos casos de intoxicação e overdose. Este tema é discutido no artigo Medical use and misuse of psychoactive prescription medications among US youth and young adults publicado no British Medical Journal (BMJ).

O uso abusivo de psicofármacos nos EUA entre adolescentes e jovens

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Características do estudo sobre o uso de psicofármacos

Já se sabe que o uso de opioides nos EUA é um problema importante, mas outras drogas também vêm ganhando destaque. Por isso os autores optaram por realizar um estudo transversal entre 2015 e 2017, cujos objetivos seriam avaliar a prevalência do uso (prescrito, inadequado, abusivo e dependência) de 4 grupos de medicações: os tranquilizantes, os sedativos, os estimulantes e os opioides. Também pretendem comparar as características demográficas associadas. Para tanto, definiram “mau uso” ou “uso indevido” aquele que ocorre de forma diferente da prescrita ou quando o fármaco sequer foi prescrito.

Os participantes tinham entre 12 e 25 anos e em algumas análises foram divididos em 2 grupos: dos 12 aos 17 anos e dos 18 aos 25 anos. Os questionários eram preenchidos pelos próprios participantes no computador, tendo recebido as devidas orientações. As perguntas avaliavam o uso das 4 classes de medicamentos citadas no último ano, sendo separado o uso conforme a prescrição do uso inadequado. O uso abusivo e a dependência foram mensurados através dos critérios do DSM-lV. Também foram consideradas variáveis demográficas (como gênero, etnia, acesso a seguro de saúde, etc) e a presença de sofrimento psicológico no último ano nos maiores de 18 anos.

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Entre adolescentes (12-17 anos) 25% fizeram uso de uma medicação prescrita e 5,7% usaram duas dessas medicações no último ano. Dentre os que usaram apenas um fármaco, 20,9% admitiram uso indevido e 3,4% preencheram critérios para transtorno por uso de substância. Entre os que usaram dois ou mais fármacos o mau uso foi observado em 46,1%, e 62,1% admitiram o uso de outra substância psicoativa que não fora prescrita ao mesmo tempo. As medicações mais usadas listadas por ordem de uso foram opioides, estimulantes, tranquilizantes e sedativos. Mas a ordem das classes mais relacionadas a um transtorno por uso de substância se mostrou diferente: tranquilizantes, sedativos, estimulantes e opioides.

Já no grupo de adultos jovens (18-25 anos) 41% usaramu alguma medicação prescrita no último ano e 13,4% usaram duas ou mais. Dentre os que usaram apenas um fármaco, 34,7% admitiram uso indevido e 4,2% tinham critérios para transtorno por uso de substâncias. No grupo que usava 2 ou mais, 60,7% fizeram uso indevido e 93,6% relataram uso concomitante com uma substância que não havia sido prescrita. Aqui devemos separar as classes mais usadas (por ordem: opioides, estimulantes, tranquilizantes e sedativos), daquelas que representaram maior uso indevido (estimulantes, tranquilizantes, opioides e sedativos) e as que estão mais associadas ao transtorno por uso de substâncias (tranquilizantes, estimulantes, opioides e sedativos). O uso desses fármacos também foi correlacionado com o quão recente havia sido o uso de uma medicação não prescrita e com o sofrimento psíquico importante. O sofrimento psíquico, por sinal, também foi associado à polifarmácia (2 ou mais substâncias). O tipo de medicação e o caráter do uso (ex: inadequado ou conforme proposto) variou conforme o gênero, a etnia, ao acesso aos serviços de saúde, dentre outros:

  • Opioides: as maiores chances de uso inadequado estavam relacionadas ao sexo masculino e entre indivíduos caucasianos. Os participantes que possuíam algum seguro de saúde tinham maiores chances de fazer o uso correto das medicações prescritas do que aqueles que não tinham, mas não houve diferenças importantes sobre o uso inadequado.
  • Estimulantes: tanto o uso inadequado quanto aquele feito conforme a prescrição foram maiores em homens e as chances de usá-los foi maior entre indivíduos de etnia branca. Indivíduos em situação de pobreza também apresentaram maiores chances de uso indevido. O uso desses fármacos também foi maior entre os que possuíam seguro de saúde, quer seu uso devido ou inadequado. Outro fator relacionado ao uso foi morar em área urbana.
  • Tranquilizantes: embora indivíduos do sexo masculino tenham uma menor probabilidade de precisar deste tipo de medicação, são os que possuem mais chances de fazer mau uso das mesmas. O uso indevido também se mostrou mais comum em áreas urbanas. Caucasianos também possuem chances aumentadas de usá-los, seja de forma adequada ou indevida.
  • Sedativos: seu uso médico é menos provável entre homens, não caucasianos e moradores de regiões fora das regiões metropolitanas.

O uso indevido de medicações psicoativas prescritas também foi relacionado ao número de substâncias usadas e ao quão recente foi o uso de medicamentos que não foram prescritos.

De maneira geral, considerando os dois grupos (adolescentes e adultos jovens), 35,1% relataram uso de psicofármacos prescritos no último ano, sendo que desses 31% confirmaram ter feito uso indevido. O mau uso dessas substâncias está relacionado a consequências, especialmente quando usadas duas ou mais substâncias. Dentre elas podemos citar: a presença de transtornos mentais induzidos por substâncias, potencial para adicção ao longo da vida, alterações no desenvolvimento cerebral, alterações no status social, dentre outras doenças associadas a substâncias. É possível que o mau uso de prescrições de medicações psicoativas possa aumentar a suscetibilidade desses jovens a problemas pelo uso de substâncias. Aqui devemos destacar as seguintes situações: alguns indivíduos que recebem fármacos para tratamento de seus transtornos farão uso indevido para tentar aliviar seus sintomas, enquanto outros podem iniciar o uso de substâncias para se automedicar.

Apesar de os resultados apontarem que no último ano houve um maior uso de opioides prescritos, o uso indevido foi maior entre estimulantes e tranquilizantes. É importante ressaltar que dentro desta população 1 em cada 10 pessoas usa pelo menos duas medicações psicoativas. Aqueles que apresentaram transtorno por uso de substância possuem uma maior probabilidade de apresentar depressão maior em comparação com os que usam apenas uma medicação. Ou seja, os autores acreditam que o uso de múltiplas substâncias entre jovens pode torná-los mais dependentes e com maiores dificuldades de interromper o uso. Aspectos importantes que também merecem desdobramentos dizem respeito à acessibilidade, ao sofrimento psicológico e ao número de substâncias usadas.

Sobre acessibilidade, os dados indicam que estes fármacos são relativamente acessíveis, mesmo sem prescrição. Muitos os obtêm através de amigos ou parentes. Isso sugere que não só os jovens, mas diversos grupos podem se beneficiar de intervenções psicossociais sobre estes assuntos. Adultos e idosos que usam essas medicações deveriam ser melhor orientados sobre como armazená-las (por vezes as escondendo ou mantendo trancadas).

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Já o sofrimento psicológico parece ser um importante determinante de uso indevido de cada substância prescrita. Quando diante dessas situações é importante estabelecer uma boa relação terapêutica, preferindo uma abordagem multidisciplinar, focando tanto na presença de transtornos mentais, como no uso de substâncias. Após possíveis episódios de intoxicação medicamentosa, a ausência de seguimento está relacionada à recorrência dos episódios de overdose. Outro setor a ser trabalhado é o estigma, já que infelizmente esse padrão de uso de substâncias muitas vezes é associado a questões morais e não comportamentais, o que leva a uma tendência de culpar o indivíduo.

Finalmente, o número de substâncias usadas (que não foram prescritas) parece possuir uma forte correlação com o uso indevido de medicamentos psicoativos, sugerindo aí um possível marcador de risco. Dessa forma, sugerem que pediatras e profissionais de saúde avaliem o uso de substâncias usadas “socialmente”, as que são comumente prescritas e as que são de uso “ocasional” no atendimento desses pacientes de forma regular.

Ressalvas

É necessário ressaltar, contudo, que este trabalho possui suas limitações. O desenho transversal do estudo, por exemplo, limita a capacidade de fazer associações entre os dados encontrados. As definições para os termos usados (“mau uso” e “uso indevido”) são muito amplas. Também podem haver discrepâncias de dados avaliados no período de tempo do estudo. Por exemplo, o uso de uma medicação psicoativa pode ter ocorrido há 11 meses, enquanto a presença de um episódio depressivo ocorreu no último mês. Também devemos considerar que o estudo foi realizado nos EUA, sendo suas características sociodemográficas e culturais particulares e diferentes do Brasil. Isso deve ser considerado ao extrapolar os resultados.

Contudo, os resultados chamam a atenção: o uso indevido de psicofármacos (e não só opioides, mas também estimulantes e tranquilizantes) foi significativo, especialmente entre aqueles que usam 2 ou mais substâncias psicoativas ao mesmo tempo. O sofrimento psíquico importante pode também estar associado ao uso inadequado das medicações. Portanto, ao atender adolescentes e adultos jovens os profissionais de saúde devem perguntar sobre o uso de substâncias psicoativas tanto ilícitas, quanto lícitas — incluindo aqui os psicofármacos — e devem ser criteriosos sobre as condições de uso ao longo do acompanhamento quando um fármaco for prescrito.

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Referências bibliográficas:

  • Agaku I, Odani S, Nelson J. Medical use and misuse of psychoactive prescription medications among US youth and young adults. Fam Med Com Health, BMJ, 2021. doi: 1136/fmch-2020-000374
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