O uso de eletrônicos antes de dormir prejudica o sono dos adolescentes? - PEBMED

O uso de eletrônicos antes de dormir prejudica o sono dos adolescentes?

Sua avaliação é fundamental para que a gente continue melhorando o Portal Pebmed

Quer acessar esse e outros conteúdos na íntegra?

Cadastrar Grátis

Faça seu login ou cadastre-se gratuitamente para ter acesso ilimitado a todos os artigos, casos clínicos e ferramentas do Portal PEBMED

O Portal PEBMED é destinado para médicos e profissionais de saúde. Seu conteúdo tem o objetivo de informar panoramas recentes da medicina, devendo ser interpretado por profissionais capacitados.

Para diagnósticos e esclarecimentos, busque orientação profissional. Você pode agendar uma consulta aqui.

Um artigo publicado no jornal Sleep Health forneceu evidências de algumas relações recíprocas entre o uso da mídia na hora de dormir e o sono insatisfatório em adolescentes. Além disso, maior sonolência diurna foi associada a maiores dificuldades de controle de atenção. O estudo foi conduzido por pesquisadores do Departamento de Aconselhamento Psicológico e Serviços Humanos da Universidade de Oregon, Estados Unidos.

Nos últimos anos, tem havido um aumento sem precedentes no uso de dispositivos de mídia portáteis conectados à internet entre adolescentes. Como esses dispositivos são móveis e multifuncionais, não é surpreendente que quase três em cada quatro crianças e adolescentes, com idades entre 6 e 17 anos, tenham, pelo menos, um dispositivo de mídia de tela em seu quarto.

O uso de eletrônicos antes de dormir prejudica o sono dos adolescentes?

Tome as melhores decisões clinicas, atualize-se. Cadastre-se e acesse gratuitamente conteúdo de medicina escrito e revisado por especialistas

Sono dos adolescentes

A Academia Americana de Medicina do Sono recomenda que os adolescentes tenham de oito a dez horas de sono para cada período de 24 horas. No entanto, pesquisas realizadas nos Estados Unidos indicam que os adolescentes têm significativamente menos horas de sono quando comparados há 10 anos, sendo que 70% relatam dormir menos de oito horas por dia. A privação do sono está ligada a desfechos físicos e comportamentais negativos, incluindo obesidade, inflamação crônica, uso de substâncias, atividade anti-social e violenta, ansiedade, depressão e tendências suicidas, além de prejudicar o foco da atenção, memória e aprendizado, impactando desfavoravelmente no desempenho acadêmico.

O estudo

O presente estudo prospectivo de duas ondas testou os efeitos bidirecionais entre o uso da mídia na hora de dormir e as medidas do sono, incluindo tempo na cama, latência do início do sono e sonolência diurna, e avaliou se o uso da mídia na hora de dormir e as variáveis do sono estavam relacionadas a dificuldades de controle de atenção. Foram coletados dados de 345 alunos do ensino médio, de 12 a 14 anos de idade (47% do sexo feminino) no início do estudo (T1) e no acompanhamento de 6 meses (T2). Os alunos relataram seu acesso a dispositivos de mídia e internet em seus quartos, uso de mídia na hora de dormir, sono e controle de atenção. Os dados foram analisados usando modelagem de painel cross-lagged.

Leia também: Estudo sugere rotina de sono para as crianças

Em relação ao modo de acesso à mídia, o uso exclusivo de um smartphone foi o mais comum (71%), seguido por um laptop (42%), iPad® ou dispositivo semelhante (36%), videogame portátil (30%), computador desktop (23%), iPod Touch® ou outro tipo (15%), Kindle®, Nook® ou outro eReader (15%), DVD player portátil (12%) e um celular básico (11%). A maior parte da amostra relatou ter acesso à Internet (63%) e TV no quarto (58%), enquanto apenas 12% relataram a presença de um computador desktop.

Os adolescentes mais velhos tinham mais probabilidade de ter acesso a um laptop em comparação com seus pares mais jovens. As adolescentes do sexo feminino apresentaram menor probabilidade de acesso a videogame e TV em seus quartos e maior probabilidade de acesso ao celular, em comparação com seus pares do sexo masculino. Adolescentes hispânicos, em comparação com seus pares brancos não hispânicos, eram menos propensos a relatar ter acesso a leitores eletrônicos, telefones celulares e computadores desktop no quarto. Os participantes do outro grupo não hispânico eram mais propensos a ter acesso a telefones celulares do que seus pares brancos não hispânicos.

O uso da mídia na hora de dormir foi positivamente associado a ter acesso a um smartphone, computador desktop, e-reader e Internet no quarto. A latência do início do sono foi negativamente associada ao acesso ao smartphone, indicando que aqueles que tiveram acesso a esses dispositivos relataram menos tempo para adormecer em comparação com aqueles que não tinham. O tempo na cama foi negativamente correlacionado com o acesso a um smartphone, laptop, TV e Internet no quarto. A sonolência diurna foi associada positivamente ao acesso à internet no quarto e negativamente ao acesso a DVD player. Dificuldades de controle de atenção foram positivamente associadas a ter um desktop no quarto e negativamente associadas a ter acesso a um DVD player.

Em suma, um maior uso de mídia na hora de dormir (em T1) foi associado a menos tempo na cama e maior latência de início do sono em T2, controlando para os níveis de T1 dessas variáveis. No caso dos efeitos do sono no uso de meios de dormir, maior sonolência diurna e menos tempo na cama (em T1) foram associados com maior uso de meios de dormir em T2, controlando para os níveis de T1. Além disso, maior sonolência diurna (em T2, controlando os níveis de T1) foi associada a maiores dificuldades de controle de atenção em T2.

Saiba mais: Sono infantil e estresse dos pais

Os pesquisadores descreveram que o uso da mídia na hora de dormir por adolescentes pode afetar a quantidade e a qualidade do sono, reduzindo o tempo na cama e tornando mais difícil adormecer, o que, por sua vez, está associado a uma maior sonolência diurna. Reciprocamente, adolescentes que relatam menos tempo na cama e mais sonolência diurna relatam maior uso de mídia na hora de dormir ao longo do tempo. Essas associações bidirecionais entre o uso da mídia na hora de dormir e os problemas do sono criam um ciclo vicioso que promove mais o uso da mídia na hora de dormir com efeitos adversos no sono e no foco da atenção. Esses resultados têm implicações importantes para intervenções focadas no sono e estabelecimento de diretrizes de uso de mídia por adolescentes. Praticar a higiene da mídia na hora de dormir, como não incluir dispositivos de mídia no quarto e não usar dispositivos na hora antes de dormir, pode ajudar a melhorar a quantidade e a qualidade do sono, reduzir a sonolência diurna e as dificuldades de atenção, e também pode conter aumentos futuros no uso de mídia na hora de dormir. 

Considerações

Vejo que o comportamento dos pais exerce muita influência nesse processo e serve de espelho para o comportamento de seus filhos. Se os pais fazem uso de dispositivos de mídia no quarto antes de dormir, será muito difícil convencer a criança e o adolescente de que eles devam fazer o contrário. 

Autora:

Referência bibliográfica:

  • Leonard H, et al. Bedtime media use and sleep: evidence for bidirectional effects and associations with attention control in adolescents [published online ahead of print, 2021 May 19]. Sleep Health. 2021;S2352-7218(21)00110-8. doi: https://doi.org/10.1016/j.sleh.2021.05.003

 

O Portal PEBMED é destinado para médicos e profissionais de saúde. Seu conteúdo tem o objetivo de informar panoramas recentes da medicina, devendo ser interpretado por profissionais capacitados.

Para diagnósticos e esclarecimentos, busque orientação profissional. Você pode agendar uma consulta aqui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Entrar | Cadastrar