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Óbitos por câncer aumentam em até 13% a cada mês de atraso no tratamento

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Atrasar o tratamento de um câncer por um mês aumenta o risco de mortalidade do paciente de 6 a 13%. Um risco que só tende a aumentar, alerta um estudo publicado em novembro pelo The British Medical Journal.

Pesquisadores britânicos e canadenses analisaram as consequências do atraso do tratamento em sete tipos de câncer envolvendo mais de 1,2 milhão de pacientes a partir de 34 estudos publicados entre janeiro de 2000 e abril de 2020.

Esses estudos possuíam dados sobre intervenções cirúrgicas, terapia sistêmica ou radioterapia para sete formas de câncer: bexiga, mama, cólon, reto, pulmão, colo do útero e cabeça e pescoço — que juntas representam 44% de todos os cânceres incidentes globalmente.

Leia também: Qual o impacto do atraso no tratamento de diferentes tipo de câncer sobre a mortalidade?

Seu principal desfecho foi o risco de sobrevida global por atraso de quatro semanas para cada indicação e os atrasos foram medidos desde o diagnóstico até o primeiro tratamento, ou desde a conclusão de um tratamento até o início do próximo.

A análise dos resultados mostrou que em todas as três abordagens de tratamento, um atraso no tratamento de quatro semanas foi associado a um aumento no risco de óbito.

Para a cirurgia, este foi um aumento de 6 a 8% no risco de morte para cada atraso de tratamento de quatro semanas. O impacto foi ainda mais acentuado para os casos de tratamento com radioterapia e indicações sistêmicas, com um risco de óbito de 9% e 13% para a radioterapia de cabeça e pescoço, e tratamento sistêmico adjuvante para câncer colorretal, respectivamente.

Além disso, os pesquisadores calcularam que atrasos de até oito semanas e 12 semanas aumentaram ainda mais o risco de óbito.

Câncer de mama

Um exemplo utilizado foi o atraso de oito semanas na cirurgia de câncer de mama de uma paciente, que aumentaria o risco de óbito em 17%. Já 12 semanas de atraso elevaria o risco em 26%.

Levantamento no Brasil

Um levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) mostrou que, durante a primeira onda da pandemia, 74% dos especialistas da área tiveram um ou mais pacientes com o tratamento postergado por mais de um mês. Já 10% dos entrevistados indicaram queda de 40% a 60% nos atendimentos em seus consultórios.

No caso dos pacientes oncológicos, o retardamento dos cuidados por apenas algumas semanas pode ser determinante para a sua sobrevivência.

Segundo apuração do Instituto Oncoguia, exames utilizados para a detecção precoce da doença tiveram uma queda vertiginosa em 2020. As biópsias, por exemplo, caíram pela metade de março a setembro. No Sistema Único de Saúde (SUS), o número de pacientes oncológicos que iniciou o tratamento diminuiu cerca de 30% no mesmo período.

Saiba mais: Leucemia mieloide aguda: tempo entre diagnóstico e tratamento influencia o prognóstico?

Por isso, é tão importante que os médicos de pacientes oncológicos com poucas comorbidades recomendem a insistam no prosseguimento com o tratamento apropriado. A exceção seriam aqueles casos em estágios avançados, que precisam ser avaliados por um especialista para avaliar se os benefícios são maiores do que os riscos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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