Quais outros genes possuem maior risco de câncer de mama?

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Dois grandes estudos de caso-controle recém publicados no New England Journal of Medicine incluíram mulheres dos EUA, Europa e Ásia e identificaram oito principais genes que aumentam o risco de câncer de mama, a saber: os “clássicos”:  BRCA1, BRCA2, mas também PALB2, ARD1, RAD51C, RAD51D, ATM e CHEK2. 

No primeiro estudo, pesquisadores da Mayo Clinic avaliaram um painel com 28 genes com predisposição para neoplasias em cerca de 64 mil mulheres, metade das quais com diagnóstico de câncer de mama. Usando dados do Cancer Risk Estimates Related to Susceptibility (CARRIERS) consortium foram encontradas variantes patogênicas de 12 diferentes genes em 5,03% das mulheres com câncer de mama e em apenas 1,6% do grupo controle. A razão de risco para as variantes de BRCA1 e 2 foi de 7,62 e 5,23 respectivamente, considerado muito alto, enquanto um risco moderado foi identificado em portadores de variantes de PALB2 (RR 3,83). Variantes patogênicas em BARD1, RAD51C e D foram associadas a um risco moderadamente maior para tumores triplo negativos, enquanto ATM, CDH1 e CHEK2 foram associadas a tumores com receptor de estrogênio positivo. Uma crítica a este estudo é que não inclui um número suficiente de variantes em PTEN e TP53 para estabelecer uma associação clara de maior risco. 

No segundo estudo, pesquisadores do Reino Unido e do Breast Cancer Association Consortium, incluiriam uma amostra gigantesca de 113 mil mulheres (metade com câncer de mama) de 25 países da Europa e da Ásia e pesquisaram 34 genes. Variantes patogênicas em ATM, BRCA1, BRCA2, CHEK2, and PALB2, foram associadas a um risco aumentado de câncer de mama, com risco relativo (RR) variando de 2,1 para ATM até 10,57 para o BRCA1, mas outros genes foram relevantes como BARD1 (RR 2.09), RAD51C (RR 1.93), RAD51D (RR 1.80), PTEN (RR 2.25), NF1 (RR 1.76), TP53 (RR 3.06), and MSH6 (RR 1.96). Assim como no estudo anterior ATM e CHEK2 foram relacionados a maior risco de câncer RE positivo, porém variantes em BARD1, BRCA1, BRCA2, PALB2, RAD51C, and RAD51D se associaram aos cânceres RE negativos. 

Câncer de mama

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Não é só o BRCA: genes-chave para o câncer de mama

Num importante editorial, Steven Narod do Women’s College Research Institute em Toronto, ressalta que este resultado ajuda a entender quais são os genes realmente importantes, em tempos de painéis de sequenciamento de nova geração com dezenas e dezenas de genes, mas ainda não está claro quais as condutas podem ser traçadas em pacientes não portadoras de câncer de mama, mas com história familiar, que tenham por exemplo, variantes patogênicas em CHEK2 e ATM. O aconselhamento genético com especialista é fundamental em especial nestes casos, já que os oncologistas, mastologistas e ginecologistas nem sempre dispõe das ferramentas necessárias para orientar essas mulheres. 

O National Comprehensive Cancer Network recomenda o rastreamento com ressonância magnética das mamas a partir dos 40 anos para mulheres portadoras destes genes, mas o impacto na redução da mortalidade ainda não é conhecido. 

De acordo com o oncogeneticista da Oncologia D’Or, o Dr Rodrigo Guindalini “(…)os estudos juntos formam base para o maior estudo caso controle realizado até o momento. A penetrância dos genes de alto risco girou em torno de 50% e é fortemente influenciada por história familiar. ATM e CHEK2 mais associados ao aumento de câncer de mama receptor hormonal positivo. BARD1, RAD51C e RAD51D mais associados a câncer de mama triplo negativo. Não há evidência suficiente para considerar MSH6 um gene de predisposição a câncer de mama. O pequeno número de pacientes com TP53, CDH1, NF1, BRIP1 não permite tirar grandes conclusões a respeito destes genes”. 

Não é só o BRCA como vimos, a oncogenética é um grande “work in progress”, mas é fundamental que médicos generalistas, oncos, ginecologistas, mastologistas, etc terem a compreensão de que nem sempre é preciso ter uma história familiar gritante para ser portadora de mutações. 

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