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Pacientes pediátricos com asma tem maior risco de infecção pneumocócica

Tempo de leitura: 2 min.

Mesmo em dia, as vacinas pneumocócicas não protegem completamente crianças asmáticas do desenvolvimento de doença pneumocócica invasiva, segundo um estudo recente publicado na revista americana Pediatrics, da American Academy of Pediatrics.

A doença pneumocócica invasiva (DPI) e a pneumonia são uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo, e a asma é a doença crônica mais comum na infância. Para avaliar o risco de DPI ou pneumonia em crianças com asma após a introdução de vacinas pneumocócicas conjugadas (pneumococcal conjugate vaccines – PCV), Castro-Rodriguez e colaboradores (2020) realizaram o estudo Asthma and the Risk of Invasive Pneumococcal Disease: A Meta-analysis.

Foram pesquisadas quatro bases de dados eletrônicas: Medline, Cochrane Collaboration clinical trials register, Latin American and Caribbean Health Sciences Literature, e Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature, até outubro de 2018.

Leia também: Emergências em pediatria: depressão, ansiedade e a relação com asma

Os cientistas selecionaram todas as coortes ou estudos de caso-controle de DPI e pneumonia:

  • Em populações que receberam PCV (principalmente vacina conjugada pneumocócica heptavalente), mas não vacina pneumocócica 23-valente (polissacarídica);
  • Em que os autores relataram dados de crianças com asma;
  • Em que controles saudáveis foram incluídos;
  • Sem restrição de idioma.
  • Dois pesquisadores revisaram todos os estudos de forma independente. Os desfechos primários foram a ocorrência de DPI e pneumonia. Os desfechos secundários incluíram mortalidade, internações, tempo de internação, internação em Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP), suporte respiratório, custos e uso adicional de medicamentos.

Os pesquisadores encontraram os seguintes resultados:

  • Cinco estudos preencheram os critérios de inclusão. Desses, três coortes retrospectivas (∼26 milhões de pessoas-ano) e um estudo de caso-controle (N = 3294 crianças) foram qualificados para a meta-análise;
    Crianças com asma tiveram 90% de chances mais elevadas de DPI do que controles saudáveis (odds ratio = 1,90; Intervalo de confiança de 95% = 1,63-2,11; I2 = 1,7%);
  • A pneumonia também foi mais frequente em crianças com asma do que entre os controles, e um estudo relatou que os custos associados à pneumonia aumentaram pela gravidade da asma;
  • Nenhum dos estudos relatou internações, mortalidade, tempo de internação, internação em UTIP, suporte respiratório invasivo ou uso adicional de medicamentos;
  • Um dos estudos descreveu que a gravidade da asma estava significativamente associada ao aumento dos custos de tratamento da DPI por 100.000 pessoas-ano: US$ 72.581 para controles saudáveis, em comparação com US $ 100.020 para crianças com asma leve, US$ 172.002 para asma moderada e US$ 638.452 para asma grave;
  • Nenhum dos estudos identificados possuía informações sobre adesão à terapia ou terapia da asma (o que foi considerado uma limitação).

Mais da autora: Vírus da bronquiolite grave aumenta risco de desenvolver asma?

Com esses resultados, Castro-Rodriguez e colaboradores (2020) concluíram que, apesar da vacinação PCV, crianças com asma continuam a ter um risco maior de DPI do que crianças sem asma. No entanto, os pesquisadores destacam que mais pesquisas são necessárias para avaliar a necessidade de vacinação suplementar com vacina pneumocócica 23-valente (polissacarídica) em crianças com asma, independentemente do uso de esteroides orais.

Autor:

Referência bibliográfica:

  • Castro-Rodriguez JA, Abarca K, Forno E. Asthma and the Risk of Invasive Pneumococcal Disease: A Meta-analysis. Pediatrics. 2020;145(1):e20191200
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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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