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Parâmetros ecocardiográficos e mortalidade na sepse pediátrica: existe correlação?

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O choque séptico na pediatria é uma das maiores causas de mortalidade nessa faixa etária. Choque séptico é definido como sepse associada a disfunção cardiovascular.

Apesar de ter diagnóstico desafiador, a falência cardiovascular é uma das principais alterações associadas à mortalidade na sepse pediátrica. Disfunções no sistema cardiovascular, como falência do ventrículo esquerdo, vasoconstrição periférica (“choque frio”) ou paralisia vasomotora (“choque quente”) são alterações comumente vistas no choque séptico pediátrico.

UTI pediátrica com pacientes com sepse

Ecocardiograma e sepse pediátrica

Baseada nessas características do choque séptico pediátrico, o uso do ecocardiograma para avaliação cardíaca pode ser um parâmetro prognóstico importante associado a morbimortalidade desses pacientes. O uso do ecocardiograma no choque séptico de adultos já é bem estabelecido e favorece a avaliação de parâmetros como disfunção diastólica do ventrículo esquerdo como relacionado ao pior prognóstico desses pacientes. Existem dúvidas, no entanto, sobre o papel dessa avaliação em pacientes pediátricos.

Em março de 2021, o periódico Pediatric Critical Care Medicine publicou um estudo avaliando os parâmetros ecocardiográficos e sua relação com a mortalidade na sepse pediátrica. A meta-análise incluiu 14 estudos de caráter retrospectivo ou prospectivo com mais de dez pacientes na amostra e relacionados à temática.

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Resultados

Os estudos variaram dependendo das medidas ecocardiográficas descritas. As medidas ecocardiográficas estudadas avaliaram a função sistólica de ventrículo esquerdo, a performance miocárdica total, e a função diastólica do ventrículo esquerdo, além da função do ventrículo direito. De forma geral, não houve associação entre as medidas ecocardiográficas e a mortalidade, com exceção da avaliação da velocidade diastólica precoce do fluxo mitral no doppler tecidual, que mostrou correlação com a mortalidade nos pacientes incluídos na meta-análise.

Também não houve correlação entre os achados ecocardiográficos e os desfechos secundários avaliados, como duração da internação ou período de ventilação mecânica.

Os resultados são bastante semelhantes aos já observados em amostras de adultos. A avaliação da função sistólica de ventrículo esquerdo e do ventrículo direito não parece afetar a mortalidade no choque séptico, provavelmente porque a avaliação dessas medidas é afetada não apenas pela disfunção miocárdica, mas também por vasoplegia e/ou condições de pré-carga. Já a avaliação da disfunção diastólica e as pressões de enchimento ventricular aumentadas parecem reservar um valor prognóstico na sepse pediátrica. Esses resultados podem ser úteis na prática clínica para avaliação da gravidade em pacientes com choque séptico.

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Apesar dos interessantes resultados, o estudo apresenta uma série de limitações: poucos artigos incluídos, não separação de estudos com neonatos e crianças maiores, ausência de variáveis ecocardiográficas padronizadas (principalmente para os neonatos) e grande heterogeneidade clínica.

Assim, mais estudos voltados para a avaliação das alterações ecocardiográficas relacionadas ao choque séptico pediátrico se fazem necessários.

Autora:

Referência bibliográfica:

  • SANFILIPPO, Filippo et al. Echocardiographic Parameters and Mortality in Pediatric Sepsis: A Systematic Review and Meta-Analysis. Pediatric Critical Care Medicine, v. 22, n. 3, p. 251-261, 2021. doi: 10.1097/PCC.0000000000002622

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