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Pediatria: novo exame que detecta presença de bórax na urina

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O slime é a febre do momento entre a criançada. No entanto, essa simples brincadeira pode trazer riscos graves para os pequenos. A explicação é que determinadas marcas de slime são produzidas a partir do elemento químico Boro. O princípio ativo é uma concentração de 3% do ácido bórico e o produto antisséptico tem a venda proibida em alguns países por conta de suas características tóxicas.

De acordo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o bórax é classificado como uma substância extremamente tóxica. O órgão determina que a substância apresente concentrações de, no máximo, 0,5%. E também que nenhuma quantidade de bórax pode ser manipulada por crianças, nem constar em produtos destinados ao uso pediátrico.

Exame para detectar bórax na urina das crianças

Por esse motivo, recentes casos de intoxicação pela substância chamaram a atenção do toxicologista Anthony Wong, diretor médico do Centro de Assistência Toxicológica (CEATOX) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Ele, que é responsável pelo Departamento de Toxicologia e Saúde Ambiental da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), desenvolveu um exame que detecta a presença de bórax na urina dos pequenos.

“Não existia esse exame porque não era algo corriqueiro. O slime é algo relativamente novo e os próprios médicos não tinham conhecimento sobre essa possibilidade de intoxicação”, conta Anthony Wong.

Saiba mais: Coma por intoxicação: Como suspeitar? Como proceder?

O nível alto de boro na urina indica uma situação de risco ou perigo. E, quando associado à presença dos sintomas clínicos como diarreia, dor de cabeça, náuseas, vômitos, fraqueza, mal-estar, são indicativos de possível intoxicação.

“Esse bórax pode provocar irritação, queimadura na pele, inclusive, aprofundando assaduras. Agora, se a criança ingerir a substância pode provocar graves lesões ao rim, inclusive, com o rim parando de funcionar. Ele também é produto tóxico, podendo causar graves danos ao fígado”, explica Anthony Wong, em matéria para o portal da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Não há antídoto para o bórax, por isso o tratamento é paliativo e centralizado no alívio nos sintomas da contaminação.

Segundo o especialista, o exame é simples e realizado com uma pequena amostra de urina. O preço é acessível, cerca de R$ 70. O resultado fica pronto em até três dias.

Alerta mundial

Alguns órgãos de saúde pelo mundo já alertaram para os riscos que a exposição contínua ao bórax pode trazer para as crianças.

Em 2016, a agência de saúde do Canadá emitiu um parecer recomendando que os pais evitem o bórax na confecção de slimes caseiros. Um estudo conduzido pelo órgão canadense mostrou que a exposição excessiva a grandes concentrações de ácido bórico teria potencial para causar problemas na saúde reprodutiva e no desenvolvimento de crianças e fetos.

Veja também: Intoxicação exógena em crianças

Os canadenses já estão expostos ao bórax naturalmente por meio de suas dietas e água. Por isso, a Health Canada recomenda que a exposição por meio de outras fontes seja reduzida o máximo possível. Esse alerta é feito especialmente para crianças e gestantes. A preocupação não é com qualquer produto, mas com múltiplas exposições de uma variedade de fontes.

Atualmente, a Health Canada está aconselhando os canadenses a evitar o uso do bórax em projetos de artes e brinquedos, como slimes ou modelagem de argila. E desaconselha a fabricação de pesticidas caseiros com bórax.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

 

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