Pebmed - Notícias e Atualizações em Medicina
Cadastre-se grátis
Home / Clínica Médica / Piperacilina/tazobactam pode ser eficaz na pielonefrite por ESBL?

Piperacilina/tazobactam pode ser eficaz na pielonefrite por ESBL?

Acesse para ver o conteúdo
Esse conteúdo é exclusivo para usuários do Portal PEBMED.

Tenha acesso ilimitado a todos os artigos, quizzes e casos clínicos do Portal PEBMED.

Faça seu login ou inscreva-se gratuitamente!

Preencha os dados abaixo para completar seu cadastro.

Ao clicar em inscreva-se, você concorda em receber notícias e novidades da medicina por e-mail. Pensando no seu bem estar, a PEBMED se compromete a não usar suas informações de contato para enviar qualquer tipo de SPAM.

Inscreva-se ou

Seja bem vindo

Voltar para o portal

Pielonefrite é uma das infecções comunitárias mais frequentes e a proporção de casos relacionados a agentes produtores de ESBL vêm aumentando ao longo dos anos globalmente, o que limita as opções terapêuticas.

Estudos prévios demonstraram benefício no uso de carbapenêmicos nos casos de bacteremia por enterobactérias produtoras de ESBL. Entretanto, não há dados conclusivos em relação ao tratamento de pielonefrites sem bacteremia causadas por esses agentes, sendo esse o cenário clínico em que são mais frequentemente encontrados. Piperacilina/tazobactam poderia constituir uma opção poupadora de carbapenêmico nesses casos.

Piperacilina/tazobactam na pielonefrite

Um estudo recentemente publicado na Clinical Infectious Diseases procurou comparar os desfechos clínicos de pacientes com pielonefrite sem bacteremia com comprovação microbiológica de ESBL que usaram piperacilina/tazobactam e que usaram carbapenêmicos.

Foram incluídos dados de pacientes com pielonefrite por Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, K. oxytoca ou Proteus mirabilis produtores de ESBL em três centros hospitalares dos Estados Unidos entre 2014 e 2016 e que receberam, por pelo menos 72h, ou piperacilina/tazobactam ou um agente carbapenêmico nas primeiras 48h após a coleta de urinocultura. Pacientes com infecções complicadas, como os com prostatite, abscesso renal ou bacteremia foram excluídos.

Ao total, foram analisados os dados de 188 pacientes, sendo 47 no grupo que recebeu piperacilina/tazobactam e 141 no grupo que recebeu carbapanêmico. A maior parte dos pacientes era do sexo feminino (68%) e a média de idade foi de 63 anos. Quase metade (47%) da coorte apresentava alguma forma de imunossupressão e 46% apresentavam alguma anormalidade urológica. No total, 26% dos pacientes foram internados em unidade de terapia intensiva por pelo menos 24h devido ao quadro de pielonefrite. O MIC médio para piperacilina/tazobactam foi de 2 mcg/mlL em ambos os grupos.

No grupo que recebeu carbapenêmico, a droga mais frequente foi ertapenem (49%), seguido de meropenem (42%). Treze pacientes (9%) foram expostos a ambos ao longo do tratamento. A duração média da exposição às drogas estudadas foi de oito dias tanto no grupo que recebeu piperacilina/tazobactam quanto no grupo que recebeu carbapenêmico, com uma média de tempo total de antibioticoterapia – incluindo assim os casos em que houve descalonamento para terapia oral de acordo com o perfil de sensibilidade – de nove dias para o grupo do pipe/tazo e de dez dias para o grupo dos carbapenêmicos.

Resultados

Analisando o desfecho de recorrência de cistite ou pielonefrite pelo mesmo organismo em 30 dias após o tratamento, não houve diferença significativa entre os grupos (20% dos casos no grupo de pipe/tazo vs. 25% no grupo de carbapenêmico; OR = 0,75; IC 95% = 0,31 – 1,81; p = 0,52). Também não houve diferença entre os grupos nos desfechos de resolução de sintomas em 7 dias ou mortalidade em 30 dias.

Não houve diferença estatística na proporção de pacientes com infecção por bactérias resistentes a carbapenêmicos em 60 dias após o término do tratamento entre os grupos, mas observou-se uma tendência a uma proporção mais elevada no grupo que recebeu carbapenêmicos em relação ao grupo que recebeu pipe/tazo (8% vs. 2%, respectivamente).

Conclusões

O estudo sugere que piperacilina/tazobactam apresenta desfecho clínico semelhante à terapia com carbapenêmicos no contexto de pielonefrite não complicada por enterobactérias produtoras de ESBL, podendo ser uma opção de tratamento nesse contexto.

Mais da autora: Eficácia e segurança de tigecicilina na pneumonia multirresistente

Apesar de limitações, como o caráter observacional, possibilidade de vieses não identificados e a impossibilidade de diferenciar infecções recorrentes de infecções persistentes, os resultados apoiam o uso de piperacilina/tazobactam como uma estratégia de tratamento poupador de carbapenêmicos para infecções por ESBL em contextos selecionados.

Autor:

Referência bibliográfica:

  • Sharara, SL, Amoah, J, Pana, ZD, Simner, PJ, Cosgrove, SE, Tamma, PD. Is Piperacilin-Tazobactam Effective fro the Treatment of Pyelonephritis Caused by ESBL-producing Organisms? Clinical Infectious Diseases 2019 doi: https://doi.org/10.1093/cid/ciz1205

Um comentário

  1. Avatar

    Não faz muito sentido essa escolha terapêutica. ESBL ( betalactamase de espectro estendido) hidrolizam todos os betalactamicos ( incluindo o pipetazo). Tratamento de escolha carbapenemicos. Pelo mic de 2mg/l do pipetazo apenas casos muitos selecionados.Mas , no mínimo temerária essa escolha terapêutica.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

×

Adicione o Portal PEBMED à tela inicial do seu celular: Clique em Salvar na Home Salvar na Home e "adicionar à tela de início".

Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.