Proposta FIGO para atendimento de gestantes durante a pandemia da Covid-19

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Em resposta aos esforços mundiais para combate à pandemia Covid-19, a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) propôs um guia de suporte para atendimentos de gestantes com quadros suspeitos ou confirmados, onde sugere manejo em diferentes condições:

  1. Pré natal de pacientes ambulatoriais.
  2. Triagem da gestante no hospital.
  3. Manejo intraparto de mulheres confirmadas ou suspeitas Covid-19.
  4. Cuidados pós-parto e neonatais de mulheres confirmadas ou suspeitas de Covid-19.
  5. Suporte psicológico.

Abordagem de gestantes durante pandemia de Covid-19

A pandemia de Covid-19 tem causado quadros respiratórios graves em todo o mundo desde o caso índice em dezembro na China. Desde então temos tentado aprender, conhecer e principalmente combater essa pandemia que, em gestantes, pode ser uma doença grave, de potencial letal para mãe e feto. As sugestões para controle devem começar pelas precauções dos serviços que vão receber essas mulheres.

Pré-natal em pacientes ambulatoriais

  • Atenção especial para pacientes com comorbidades (hipertensão e diabetes). Já que gravidez per se é uma condição que predispõe doenças respiratórias por sua condição cardiorrespiratória particular. Usar insulina se preciso para controle glicêmico eficaz;
  • Redução número de consultas. Sempre verificar sinais e sintomas antes de vir para consulta de pré-natal:

Idade gestacional

Consulta Ultrassonografia

Comentários

Em torno 12 semanas Pessoalmente USG com TN
  • História detalhada, exames de rotina
  • Explicar rotinas para prevenção de Covid-19
16 semanas Telemedicina
20 semanas  Pessoalmente Morfológico
24 semanas Telemedicina
  • TOTG
  • Se possível colher em casa
28 semanas Pessoalmente Rotina (checar necessidade de profilaxia RH)
30 semanas Telemedicina Rotina (checar PA ambulatorial, se possível)
32 semanas Pessoalmente Aval
Crescimento fetal
Rotina
34 semanas Telemedicina Rotina (checar PA ambulatorial, se possível)
36 semanas Pessoalmente
  • Rotina
  • Profilaxia SGB, se indicado
37-41 semanas Pessoalmente Rotina
Pós-parto Telemedicina A não ser que tenha queixas necessárias para presencial 

Paciente na triagem hospitalar ou maternidade

Paciente gestante que chegar emergência com sintomas respiratórios ou sintomas obstétricos deve ser triada para Covid-19. Se triagem positiva, oferecer máscara, equipe usar EPI se precisar manipular paciente. Encaminhar paciente para isolamento. Avaliar os sinais e sintomas de Covid-19 e a testagem deve seguir os critérios locais para confirmação diagnóstica.

  • Sintomas leves e sem fatores de risco: retorno ao serviço se piora dos sintomas. Encaminhar ao pré-natal. Monitorar sintomas em casa;
  • Sintomas moderados ou com fatores de risco: exame físico detalhado, exames de laboratório e raio-X tórax, se necessário. A decisão de internação deve basear-se nos resultados dos exames;
  • Sintomas doença grave: avaliação multidisciplinar (obstetra, intensivista, neonatologista, infectologista). Tratamento em geral em centros terciários. Parto deverá ser considerado. Conduta individualizada.

Leia também: Coronavírus: Devemos realizar rastreio universal para SARS-CoV-2 em gestantes pré-parto?

Manejo intraparto de mulheres confirmadas ou suspeitas Covid-19

  • Covid-19 por si só não é indicação para interrupção da gravidez. Necessário avaliar condição respiratória da gestante e, se com o parto, a ventilação materna poderia ser melhorada por questões mecânicas. Internar, de forma ideal, em quartos com pressão negativa, se disponíveis;
  • Diminuir ao mínimo necessário equipe para suporte ao parto. Diminuem as chances de contaminação profissionais de saúde. Doulas devem ser evitadas e acompanhantes devem ser restritos;
  • Época do parto deve ser individualizada considerando: status clínico da paciente, idade gestacional e bem estar fetal. Parto vaginal pode ser conduzido com abreviação período expulsivo;
  • Choque séptico, falência de órgãos ou sofrimento fetal agudo devem ser causas para interrupção imediata da gravidez por cesariana. Se possível em sala compressão negativa;
  • Para proteção da equipe médica banheiras, piscinas de parto devem ser evitadas por evidências de presença de vírus em fezes de gestantes;
  • Anestesia regional ou geral pode ser utilizada para alívio da dor ou para cesárea;
  • Nos casos de prematuridade o uso de corticoterapia para acelerar maturidade pulmonar é aconselhado;
  • Embriões/fetos filhos de mães suspeitas ou confirmadas de Covid-19 devem ser testados e seu descarte deve ser feito sempre considerando a possibilidade de estarem infectados.

Ouça o podcast: Especial Coronavírus: principais pontos da abordagem na gravidez 

Cuidados pós-parto e neonatais de mulheres confirmadas ou suspeitas de Covid-19

  • Cordão umbilical deve ser clampeado prontamente. Contraindica-se o contato pele-a-pele nas mães confirmadas ou suspeitas;
  • Precauções de contato devem permanecer até que a mãe teste negativo;
  • Aleitamento materno permitido (às evidências ainda não demonstraram transmissão pelo leite materno de forma consistente), desde que a condição clínica da mãe permita. Se a mãe estiver clinicamente instável, evitar aleitamento e tratar a mãe. Durante a mamada, mãe deve estar de máscara e com equipamento proteção se for sintomática respiratória leve;
  • Alojamento conjunto é permitido. Orientar as mães para higienização e precaução de contato. Manter o berço (se possível incubadora – proteção física mais eficiente) a 2 metros da cama da paciente;
  • Visitas: evitar. Sugerir envio de vídeos ou fotos através de mídias sociais. Mesmo na alta sugerir restrição de visitas pelo isolamento social. Seguindo protocolos locais de isolamento.

Suporte psicológico

  • Gestantes e puérperas estão entre os grupos de risco para doenças depressivas ou síndromes ansiosas. Quando suspeitas/prováveis/confirmadas para Covid-19, esses quadros podem complicar os quadros respiratórios maternos ou levar a complicações fetais;
  • Necessidade de separação de mãe – RN pode ser um fator limitante na lactação;
  • Profissionais de saúde devem atentar para saúde mental dessas mulheres. Padrão de sono, aleitamento materno, sinais de ansiedade ou depressão ou tendências suicidas devem ser prontamente checadas e tratadas;
  • O diagnóstico de um psiquiatra pode ser útil no período.

Não existem drogas confirmadas para prevenção do Covid-19. Assim sendo, até termos vacinas eficazes, a prevenção continua sendo nosso melhor aliado no combate a esse mal.

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Autor:

Referência biliográfica:

Poon LC, et al. Global interim guidance on coronavirus disease 2019 (COVID-19) during pregnancy and puerperium from FIGO and allied partners: Information for healthcare professionals. Internationa Journal of Ginecology and Obstetrics. Special Article. 4 April 2020. https://doi.org/10.1002/ijgo.13156

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