Quais as principais recomendações para pacientes diabéticos com Covid-19? - PEBMED

Quais as principais recomendações para pacientes diabéticos com Covid-19?

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Um artigo publicado em abril na revista médica The Lancet traz um guia com recomendações práticas para os cuidados com pacientes com diabetes que desenvolvam a Covid-19.

Segundo um dos autores, o pesquisador Bruno Geloneze, do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (Cepid-OCRC), o guia é importante neste momento porque o diabetes é uma das comorbidades mais associadas ao desenvolvimento dos casos graves de SARS-CoV-2.

médico mostrando conduta para paciente com diabetes e covid-19

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Vínculo entre o diabetes e a Covid-19

O diabetes é uma das comorbidades mais importantes ligadas à gravidade de todas as três infecções conhecidas por coronavírus humano patogênico, incluindo o novo coronavírus.

Os pacientes com diabetes têm um risco aumentado de complicações graves, incluindo síndrome do desconforto respiratório do adulto e falência de múltiplos órgãos.

De acordo com o artigo, dependendo da região global, 20-50% dos pacientes na pandemia do novo coronavírus apresentavam diabetes. “Dada a importância do vínculo entre o diabetes e a Covid-19, formamos um painel internacional de especialistas na área de diabetes e endocrinologia para fornecer algumas orientações e recomendações práticas para o gerenciamento de diabetes durante a pandemia. Nosso objetivo é fornecer brevemente informações sobre possíveis ligações mecanicistas entre a nova infecção por coronavírus e diabetes”, escreveu pesquisador Bruno Geloneze no estudo.

Fator de risco

O diabetes é um fator de risco primário para o desenvolvimento de pneumonia grave e sepse devido a infecções virais e ocorre em cerca de 20% dos pacientes. A doença foi identificada como um dos principais contribuintes para a gravidade e mortalidade na Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV).

Evidências de observações epidemiológicas em regiões fortemente afetadas pelo SARS-CoV-2 e relatórios dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostraram que o risco de um resultado fatal da Covid-19 é de até 50 % mais alto em pacientes com diabetes do que naqueles que não têm a enfermidade.

Leia também: Qual a relação endócrina e metabólica com a infecção pelo novo coronavírus?

Existem várias hipóteses para explicar o aumento da incidência e gravidade da infecção por Covid -19 em pacientes com diabetes. Em geral, indivíduos com todas as formas de diabetes têm maior risco de infecção devido a defeitos na imunidade inata que afetam a fagocitose, quimiotaxia de neutrófilos e imunidade mediada por células.

No entanto, a alta frequência de diabetes em casos graves de Covid-19 pode refletir a maior prevalência de diabetes tipo 2 em idosos. Além disso, o diabetes na terceira idade está associado a doenças cardiovasculares, o que por si só poderia ajudar a explicar a associação com resultados fatais da SARS-CoV-2.

Importância do controle metabólico e glicêmico

Segundo o artigo, os médicos devem entrar em contato com os seus pacientes diabéticos e explicarem a importância da intensificação do controle metabólico conforme necessário, como forma de prevenção primária da Covid-19.

Isso inclui a continuação e o cumprimento rigoroso com controle adequado da pressão arterial e dos lipídios. Os pacientes ainda devem ser incentivados a seguir conselhos gerais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e Ministério da sobre a lavagem de mãos, o uso de máscaras e o distanciamento físico.

Todos os pacientes sem diabetes e, particularmente, com alto risco de doença metabólica que contraíram a infecção viral, precisam ser monitorados quanto a um novo diabetes que pode ser desencadeado pelo vírus. Todos os pacientes com Covid-19 e diabetes requerem controle glicêmico contínuo e confiável, frisa o artigo.

Necessidade de cirurgia

É recomendável adiar a cirurgia metabólica eletiva durante a pandemia de Covid-19, uma vez que pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade apresentam maior risco de complicações da doença, compondo a potencial influência negativa do estresse cirúrgico no período de recuperação.

Além disso, embora dados específicos não estejam disponíveis, existem preocupações plausíveis de que o pneumoperitônio e o uso de instrumentos hemostáticos durante a laparoscopia podem levar à aerossolização viral, aumentando assim o risco de transmissão do vírus para pacientes e profissionais de saúde.

A cirurgia metabólica ainda pode induzir deficiências nutricionais, incluindo absorção reduzida de vitaminas e micronutrientes, que desempenham papéis importantes na regulação da resposta imune e ao estresse.

Uso de medicações

Embora a otimização do controle glicêmico para reduzir o risco de Covid-19 seja importante, considerações específicas sobre a modalidade de tratamento devem ser feitas. A acidose láctica associada à metformina ou cetoacidose diabética hiperglicêmica euglicêmica ou moderada associada a inibidores da SGLT-2 são eventos raros.

No entanto, o artigo recomenda que esses medicamentos sejam interrompidos em pacientes com sintomas graves de Covid-19 para reduzir o risco de descompensação metabólica aguda.

É necessária ainda uma atenção considerável no balanço hídrico, pois existe o risco de excesso de líquido exacerbar o edema pulmonar no pulmão gravemente inflamado. Além disso, o equilíbrio de potássio precisa ser considerado com cuidado no contexto do tratamento com insulina, pois a hipocalemia é uma característica comum no Covid-19 e pode ser exacerbada após o início do tratamento.

Veja mais: Médicos devem parar de prescrever lorcaserina, alerta a Anvisa

Ainda é importante ressaltar que a interrupção desses remédios não é recomendada profilaticamente para pacientes ambulatoriais com diabetes sem sintomas de Covid-19.

Além disso, atualmente, nenhuma evidência convincente existe para sugerir que os inibidores de DPP-4 devem ser descontinuados. Análises adicionais em pacientes afetados com diversos tratamentos para diabetes e Covid-19 podem permitir a elucidação dos efeitos dos inibidores de DPP-4.12. É preciso destacar também que, se os medicamentos forem descontinuados, o tratamento alternativo de melhor escolha – nos casos em que essa opção é viável – é a insulina.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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