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menina de costas, com depressão, propensa a suicídio

Qual a relação entre o suicídio de crianças e adolescentes e a pobreza?

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As taxas de suicídio entre jovens são mais altas em municípios americanos com índice elevado de pobreza. Além disso, essa associação foi particularmente proeminente para suicídios por armas de fogo. Essas foram as conclusões do estudo Association of Pediatric Suicide With County-Level Poverty in the United States, 2007–2016, publicado no JAMA Pediatrics.

Suicídio de crianças e adolescentes

O suicídio é a segunda principal causa de morte entre indivíduos de 10 a 19 anos nos Estados Unidos, e as taxas praticamente dobraram na última década. Os jovens em comunidades mais pobres correm maior risco de resultados negativos para a saúde. Todavia a associação entre suicídio pediátrico e pobreza não é bem conhecida. Portanto, para avaliar a associação entre as taxas de suicídio pediátrico e a concentração de pobreza em municípios americanos, Hoffman e colaboradores analisaram, em estudo retrospectivo e transversal, os suicídios entre jovens de 5 a 19 anos ocorridos de 1° de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2016 nos Estados Unidos.

Os suicídios foram identificados por meio dos códigos da Classificação Internacional de Doenças, Décima Revisão (CID-10) oriundos do Centers for Disease Control and Prevention’s Compressed Mortality File. O número de óbitos foi contado anualmente. O desfecho primário foi a morte por suicídio entre jovens de 5 a 19 anos. Os códigos incluíam auto-mutilação intencional. A análise dos dados foi realizada de 1° de fevereiro a 10 de setembro de 2019.

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Metodologia

Os pesquisadores utilizaram um modelo de regressão binomial negativa multivariável para analisar a associação entre as taxas de suicídio pediátrico e a concentração de pobreza nos municípios, relatando taxas de incidência ajustadas (adjusted incidence rate ratios – aIRRs) com um intervalo de confiança de 95% (IC 95%). Foram controladas, por ano, as características demográficas das crianças que morreram (idade, sexo e raça/etnia), urbanidade do município e características demográficas do município (idade, sexo e composição racial).

De 2007 a 2016, um total de 20.982 jovens de 5 a 19 anos morreram por suicídio. Destes, 17.760 (84,6%) tinham entre 15 e 19 anos, 15. 982 (76,2%) eram do sexo masculino e 14.387 (68,6%) eram brancos de origem não-hispânica. A taxa anual de suicídios foi de 3,35 por 100.000 jovens de 5 a 19 anos.

No modelo multivariável, os municípios com concentrações de pobreza de 10% ou mais apresentaram taxas de suicídio mais altas de maneira gradual [10,0%-14,9%: aIRR, 1,25 (IC95%, 1,06-1,47); 15,0% -19,9%: aIRR, 1,30 (IC95%, 1,10-1,54); e 20,0% ou mais: aIRR, 1,37 (IC95%, 1,15-1,64)], comparados com os municípios com menor concentração de pobreza (0% -4,9%). Isto é, os municípios com taxas de pobreza de 20% ou mais tiveram 1,37 vezes mais suicídios por jovens a cada ano.

Os pesquisadores então analisaram as três formas mais comuns de suicídio durante o período do estudo (asfixia, armas de fogo e envenenamento). Não foi encontrada associação entre a taxa de suicídio por asfixia ou envenenamento e os níveis de pobreza. No entanto, os suicídios por armas de fogo tiveram a associação mais forte com a concentração de pobreza (aIRR, 1,87; IC 95%, 1,41-2,49), em municípios com concentração de pobreza de 20% ou mais em comparação com municípios com concentração de pobreza de 0% a 4,9%.

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Resultados

Os resultados do estudo de Hoffman e colaboradores sugerem que uma maior concentração de pobreza nos municípios está associada ao aumento das taxas de suicídio entre jovens de 5 a 19 anos. De acordo com os pesquisadores, esses achados podem orientar a pesquisa sobre fatores de risco associados ao suicídio pediátrico, visando ao incremento de esforços para sua prevenção.

Autora:

Referência bibliográfica:

  • Hoffmann JA, Farrell CA, Monuteaux MC, Fleegler EW, Lee LK. Association of Pediatric Suicide With County-Level Poverty in the United States, 2007-2016 [published online ahead of print, 2020 Jan 27]. JAMA Pediatr. 2020;10.1001/jamapediatrics.2019.5678. doi:10.1001/jamapediatrics.2019.5678

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