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Qual é a relação entre diabetes e Doença de Alzheimer?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Cada vez mais, a literatura começa a demonstrar ligações entre o comprometimento cognitivo, declínio cognitivo e demência associadas à Diabetes Mellitus tipo 2 (DMT2) ou resistência insulínica. De maneira objetiva, achados de algum grau de glicemia elevada em jejum alterada ou até DMT2 são encontrados em até 80% de pacientes com Doença de Alzheimer.

Nesta linha, um grupo de pesquisadores de Nova York (Icahn School of Medicine) analisou os tecidos cerebrais de pacientes que sofriam de DMT2 e Doença de Alzheimer (DA). No estudo, os pesquisadores procuraram identificar caminhos moleculares responsáveis por essa ligação entre a DA e DMT2. Em publicações prévias, já foi verificado que pacientes com Doença de Alzheimer tratados também para Diabetes Mellitus (seja com insulina ou outros medicamentos antidiabéticos), tiveram menos danos cerebrais pelo processo demencial.

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A literatura já evidencia que existe um relacionamento próximo entre os caminhos dos receptores de insulina cerebrais (IRSP na sigla em inglês), o acúmulo de proteína beta-amiloide e a proteína tau anormal e hiperfosforilada. Assim, o grupo da Icahn School of Medicine examinou os caminhos moleculares no tecido cerebral e nos tecidos endoteliais. Fizeram isso através de estudos da expressão gênica de alguns componentes dos IRSP e alguns marcadores endoteliais do giro parahipocampal, bem como também em isolados ricos em células endoteliais da mesma região.

Os resultados são indicativos de que há anormalidades consideráveis e redução na expressão gênica nos giros parahipocampais de pessoas com DA, que mapeia diretamente para genes associados com a microvasculatura e o IRSP. De forma interessante, verificou-se também que houve significativa redução do número de genes de expressão anormal em pacientes que foram tratados com agentes antidiabéticos.

A importância destes achados é a sugestão de que tratamentos antidiabéticos podem reduzir ou normalizar o comprometimento microvascular e as funções do IRSP na Doença de Alzheimer. Desta forma, fica ainda mais reforçada a noção de que os pacientes precisam controlar comorbidades para manutenção de um bom estado cognitivo.

Principalmente neste momento em que ainda não contamos com medidas terapêuticas efetivas para reversão destes quadros demenciais. Apostar no tratamento adequado do Diabetes Mellitus, além de prevenir outras complicações vasculares já muito conhecidas, também parece ser um dos caminhos para preservação cognitiva.

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Autor:

Catarina De Marchi Assunção

Formada em Medicina pela Universidade Positivo em 2012 ⦁ Residência médica em Neurologia pelo Hospital da Cruz Vermelha Brasileira, filial do Paraná. ⦁ Atualmente trabalha como neurologista no Hospital Angelina Caron, onde também é preceptora da residência de Neurologia.

Referências:

  • Katsel P, Roussos P, Beeri MS, Gama-Sosa MA, Gandy S, et al. (2018) Parahippocampal gyrus expression of endothelial and insulin receptor signaling pathway genes is modulated by Alzheimer’s disease and normalized by treatment with anti-diabetic agents. PLOS ONE 13(11): e0206547. https://
    doi.org/10.1371/journal.pone.0206547
  • Janson J, Laedtke T, Parisi JE, O’Brien P, Petersen RC, Butler PC. Increased risk of type 2 diabetes in Alzheimer disease. Diabetes. 2004;53(2):474–81. pmid: 14747300
  • Barbagallo M, Dominguez LJ. Type 2 diabetes mellitus and Alzheimer’s disease. World J Diabetes. 2014;5(6):889-93.

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