Recomendações sobre a dieta vegetariana em crianças e adolescentes

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Assunto em voga no momento, o vegetarianismo em crianças e adolescentes merece atenção por profissionais que lidam com essas faixas etárias. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) em abril de 2018 acerca do vegetarianismo, 14% dos entrevistados com mais de 16 anos de idade se consideravam vegetarianos, uma proporção que cresceu 6% com relação a dados de 2012, cujo número era 8%. 

Denomina-se vegetariano o indivíduo que retira de sua alimentação todos os tipos de carnes, aves, peixes e seus derivados, podendo ou não usar ovos ou laticínios. Esse tipo de dieta pode ser classificado como:

  • Ovolactovegetarianismo: o indivíduo consome ovos, leites e laticínios;
  • Ovovegetarianismo: o indivíduo consome ovos, mas não leite e laticínios;
  • Lactovegetarianismo: o indivíduo consome leite e laticínios, mas não ovos;
  • Vegetarianismo estrito: não há consumo de nenhum alimento de origem animal na dieta.

De acordo com a Vegan Society, o veganismo é um estilo de vida que busca eliminar, na medida do possível e praticável, todas as maneiras de exploração e crueldade com os animais, não somente na alimentação, mas também no vestuário ou outras formas. Um indivíduo vegano assume o vegetarianismo estrito como opção para se alimentar. Por fim, o vocábulo “semivegetariano” é aplicado para os indivíduos que consomem carnes de aves e peixes, porém não se alimentam de carne vermelha de qualquer espécie.

Saiba mais: Dieta vegana: estudo mostra que o metabolismo é remodelado em crianças

dieta vegetariana

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Vantagens e desvantagens da dieta vegetariana em crianças e adolescentes

Vantagens

Desvantagens

Busca por um estilo de vida mais saudável. Usualmente, quem é adepto do vegetarianismo costuma não usar álcool, fumo, drogas e pratica atividade física regularmente. Adolescentes, em algumas situações, não são adeptos ao estilo de vida saudável, isto é, sem álcool, sem fumo, sem drogas e álcool e com prática regular de atividade física, assim como também não costumam fazer uma dieta equilibrada, rica em fibras, vitaminas e minerais.
Preocupação com a sustentabilidade ambiental. O consumo exacerbado de fibras pode comprometer a absorção de ferro, cálcio, zinco e magnésio. As fontes vegetais não fornecem ferro e zinco de boa biodisponibilidade. Quando não há consumo de leite e derivados, a ingestão diária de cálcio fica comprometida. Portanto, deve ser estimulado o consumo de alimentos vegetais que contenham esses íons.
Com acompanhamento profissional e com uma seleção de alimentos balanceados, sem carências, pode favorecer o crescimento e desenvolvimento apropriados. Quando o consumo de gorduras é inferior a 25% do valor energético total (VET), pode haver prejuízos no crescimento. Já quando esse consumo é menor que 15% do VET, o fornecimento de ácidos graxos essenciais é afetado.
Há indícios de proporcionar menores índices de obesidade. Comumente, há consumo de menores quantidades energéticas e menor proporção de gorduras saturadas por refeição, além de maior teor de fibras, frutas e vegetais. A recomendação de ingestão energética em vegetarianos e não vegetarianos é a mesma, mas nas dietas mais restritivas, o volume de alimento para alcançar esta recomendação pode exceder a capacidade gástrica.

O elevado consumo de fibras pode induzir saciedade antes de serem atingidas as necessidades calóricas mínimas da criança.

Recomendações específicas quanto aos nutrientes na dieta vegetariana

Energia

  • Lactentes a partir da introdução alimentar complementar: pode ser necessário oferecer alimentos mais frequentemente;
  • Em crianças maiores, recomenda-se o consumo de fontes vegetais de maior densidade energética, como produtos à base de nozes, castanhas, macadâmia, amendoim e suas respectivas manteigas;
  • Adequação no consumo de fibras.

Proteínas

  • A dieta vegetariana deve conter uma proporção maior do valor energético total (VET) na forma de proteínas de acordo com a faixa etária: 30-35% nos lactentes, 20-30% em pré-escolares e 15-20% em escolares;
  • As leguminosas (lentilha, feijões, grão de bico e soja, além de cereais, nozes e sementes) fornecem proteínas com variabilidade nos aminoácidos, embora alguns sejam menos frequentes quando comparados às fontes animais, como lisina, metionina, cisteína e treonina. A mistura de arroz (rico em metionina e cisteína, mas pobre em lisina) com feijão (rico em lisa, mas pobre em metionina e cisteína) é favorável.

Lipídios

  • Os animais (em especial peixes de água profunda) são fontes preponderantes de ácido graxo da série ômega-3. Dessa forma, fontes vegetais desse nutriente devem estar sempre presentes na dieta vegetariana, como algas, avelãs, óleos de canola, linhaça, chia, nozes e soja. Uma suplementação deve ser avaliada, caso a ingestão dessas fontes não seja adequada.

Fibras

  • Peneirar ou amassar os cereais e outros vegetais e substituir parte do cereal integral por um mais refinado pode aumentar a quantidade ingerida e, consequentemente, a ingestão de calorias.

Minerais

  • Fontes de zinco: cereais integrais, castanha de caju torrada, linhaça, feijão preto e grão de bico;
  • Fontes de cálcio: feijão branco, couve, soja e brócolis;
  • A suplementação de ferro e zinco na faixa etária pediátrica deve ser regra. Os fitatos (presente em leguminosas), fibras, cálcio e polifenois (chás) reduzem a absorção do ferro, enquanto a vitamina C aumenta sua absorção. Deixar o feijão de molho por 12 horas e desprezar esta água para o cozimento reduz a concentração de fitato e aumenta a biodisponibilidade;
  • Iodo: indica-se a suplementação se o sal usado não for iodado e/ou houver consumo substancial de mostarda, brócolis, couve, nabo e/ou aqueles que vivem em áreas pobres em iodo;
  • Carnitina: os níveis séricos estão diminuídos em vegetarianos, mas a síntese endógena parece suprir as necessidades.

Leia também: Atualização sobre anemia ferropriva: fatores de risco, diagnóstico e tratamento

Vitaminas

  • Vitamina B12: originária exclusivamente de animais. O folato não costuma estar deficiente na dieta vegetariana, muitas vezes a ingestão é exacerbada, podendo mascarar eventuais sintomas iniciais de deficiência de vitamina B12. A ingestão regular dessa vitamina em alimentos fortificados deve ser encorajada. A suplementação é recomendada, especialmente nas lactantes, caso não haja consumo regular desses alimentos;
  • Precursores da vitamina D: presentes em frutos do mar, fígado e leite. Os vegetarianos que consomem leite e derivados costumam atingir as necessidades desses precursores, mas os vegetarianos estritos não (a suplementação de vitamina D é indicada nesse grupo). Há necessidade de exposição solar para a conversão para vitamina D ativa. A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) é que haja suplementação universal até os dois anos de idade. 

Recomendações quanto à faixa etária

Lactentes

  • O aleitamento materno deve ser estimulado em todas as mães, incluindo as vegetarianas. A recomendação é que seja exclusivo até 6 meses de vida do bebê e continuado até os 2 anos de idade ou mais. Atenção à ingestão materna de fontes boas e adequadas de ácidos graxos essenciais, folato, ferro, zinco e vitamina B12;
  • Na impossibilidade do aleitamento: fórmulas à base de proteína hidrolisada de arroz ou de proteína isolada de soja para maiores de 6 meses. Bebidas de soja, arroz ou amêndoas não devem ser usadas, pois não são nutricionalmente adequadas;
  • Introdução alimentar: segue as mesmas orientações dadas para a introdução alimentar de lactentes não vegetarianos. No entanto, o desmame é um momento de maior risco nutricional para bebês cujos pais escolheram que eles sejam vegetarianos.

Adolescentes

Na adolescência, há um intenso crescimento físico, com maior demanda das necessidades de calorias, cálcio, ferro, zinco e vitaminas, sendo que uma nutrição inadequada pode gerar desfechos negativos definitivos na vida adulta. Os distúrbios alimentares são frequentes, independente se o adolescente é ou não vegetariano. O que acontece é que um regime vegetariano em adolescentes que comiam sem nenhuma restrição alimentar pode ser o reflexo de um transtorno alimentar e obsessão com peso, colocando esse paciente em risco para deficiência nutricional. 

Take-home messages

Apesar de considerada uma dieta restritiva, uma dieta vegetariana pode ser uma escolha saudável para todas as crianças e adolescentes, desde que seja bem planejada e acompanhada por um profissional qualificado e experiente, porém, mesmo assim, há risco de um consumo insatisfatório de nutrientes que podem comprometer o crescimento e o desenvolvimento infantojuvenis em longo prazo. Se considerarmos a ideia básica de um regime vegetariano, veremos que os conceitos são bem semelhantes a de qualquer tipo de dieta mais saudável, com recomendações de consumo de alimentos variados, como legumes, vegetais, frutas, nozes e sementes. No entanto, pode haver o consumo inapropriado de alimentos industrializados altamente calóricos, ricos em gorduras e sal, mas pobres em nutrientes. 

A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade de Pediatria de São Paulo é que a variação na composição dos alimentos tende a ser a melhor escolha para que o risco de carência de micronutrientes seja diminuído e que aportes energéticos, de macro e de micronutrientes, devam ser monitorados periodicamente. Ambas as sociedades aconselham também a realização periódica de dosagens séricas de micronutrientes para auxiliar o manejo adequado do paciente.

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Referências bibliográficas:

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