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Reflexão sobre o viés profissional da humanização em saúde

Colunistas, Terapia Intensiva
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Abordando a temática da humanização da assistência em saúde, por vezes tendemos a supervalorizar a parte do cuidado direcionado ao paciente e família, nos esquecendo entretanto que esta é a ponta final do processo, e jamais será estruturada com qualidade, sem que os profissionais internalizem e vivam este conceito com propriedade.

Há um grande quantitativo de pontos de conflito que se forma do outro lado, mas que geralmente, é de conhecimento velado dos profissionais que trabalham diretamente na assistência. Entre tantos desafios diários que se impõem no lidar com o paciente em uma unidade de cuidados complexos, cada profissional dá o seu tom pessoal aquela vivência, tornando difícil a compreensão do sofrimento individual. Isso não se torna público, tampouco é compartilhado com a própria equipe, com a própria instituição, afinal, não é considerado uma prioridade. Lida-se com as emoções negativas como se fosse travada uma batalha com um inimigo que nem ao menos é conhecido, pois a primeira tentativa é de anular tais experiências, que nos confrontam com nossa própria condição de humanos.

Nas palavras de Heras La Calle (2017), criador do projeto internacional de humanização dos cuidados intensivos (HUCI), “a assistência sanitária e seus processos devem ser refletidos, para que posteriormente sejam redesenhados”. A partir disso seria possível atingir uma compreensão mais ampla sobre nossas próprias estruturas mentais e físicas, nos tornando mais abertos a compreender pontos de conflito que são nossos, para que, posteriormente sejamos capazes de compreender os usuários do serviço.

Segundo o autor e seus colaboradores, a chave para uma mudança de paradigmas nos cuidados em saúde é “escutar ativamente todos os protagonistas do processo, de modo transversal, para que através de sua experiência possamos fazer melhorias significativas” (Heras la Calle, 2017).

Em meio as discussões junto à equipe, a cada vez que somos confrontados com decisões conflituosas sobre pacientes críticos, consideramos nosso próprio sofrimento? Tomamos consciência dele? Na maioria das vezes não! Fingimos naturalidade e nos distanciamos das situações, tratando-as como “casos clínicos”, como “patologias, evolução de doença, prognóstico”, porque se colocamos nomes próprios, tememos que a carga emocional sobre nós seja ainda mais intensa.

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Há a crença inconsciente de que observar as consequências inevitáveis da evolução de um paciente com prognóstico reservado, ou constatar “um” óbito, é menos difícil do que vivenciar verdadeiramente as necessidades globais de uma pessoa enferma, compartilhando com ela a verdade, trazendo-a de modo ativo para sua própria história e manejando junto à família as emoções que se mostram. Relacionar um nome ao sofrimento, se aproximando dele como um ator participante, pode ser um ato impossível para quem lida com a morte diariamente de modo automático.

Existe um percurso a ser percorrido para que a humanização em saúde consiga se instalar com qualidade. É preciso antes de tudo trazer à consciência dos profissionais, seus próprios pontos de conflito que se relacionam à profissão, posição frente ao usuário e atuação prática. Essa mudança tem três pontos iniciais:

1. Processo formativo: de responsabilidade das instituições de ensino, que devem ter a consciência de preparar o profissional em seu especto técnico, e também humano, afinal, este é seu campo de trabalho;

2. O processo de reflexão/autocuidado: de responsabilidade única do profissional, que deve aprender a reconhecer seus limites, e se responsabilizar por sua saúde física e mental, buscando os meios necessários para cuidar de si, antes de cuidar do outro;

3. O processo institucional: adequação do ambiente hospitalar, garantindo estrutura física e meios adequados à assistência aos usuários, assim como aos profissionais, ofertando condições salubres de trabalho e respaldo necessário à equipe (ambiente de repouso, educação continuada, discussões de caso, etc.).

Os pontos simples citados aqui, deveriam ser considerados para que, dessa forma, a humanização seja estendida ao usuário com a qualidade necessária. Profissionais que se sentem mais seguros com seu ambiente laboral, com suas próprias emoções e com suas práticas, que valorizam a compaixão de modo tão ativo quanto atualizam seu conhecimento técnico, têm melhor capacidade de escuta do paciente e da família, conseguindo assistir de modo mais empático e individualizado, as diversas nuances do processo de hospitalização.

Em contrapartida, profissionais que seguem no cuidado automático exclusivamente pautado na técnica, que não repensam regularmente suas práticas, não estarão aptos a olhar para si como humanos, e tampouco humanizar o cuidado prestado ao outro. A humanização precisa de humanos! E você, gostaria de ser cuidado pelo profissional que você é, se estivesse do outro lado?

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