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Rinoplastia não-cirúrgica: entenda o que é e como realizar

Tempo de leitura: 4 minutos.

O nariz ocupa um lugar de destaque na face. As queixas dos pacientes são as mais distintas, aí incluindo o sexo masculino e feminino. As alterações nasais podem variar desde alterações da ponta como bulbosa, bífida, muito projetada, pouco projetada, alterações do dorso como giba nasal ou dorso largo sem definição especialmente em pacientes asiáticos e negros, alterações columelares como retração ou hiper exposição da columela entre outras.

Existe também narizes com cobertura de pele fina e outros com cobertura de pele espessa. Não podemos deixar de mencionar aqui as várias alterações funcionais que devem ser avaliadas antes de qualquer rinoplastia. Talvez seja a cirurgia plástica de mais alta complexidade. Um fator que não pode ser esquecido é o significativo número de pacientes que enxergam no nariz problemas não existentes. A dismorfofobia tem lugar de destaque nesse capítulo.

O tratamento cirúrgico evolui a cada dia com o advento da rinoplastia aberta e estruturada. Entretanto, o que vem ganhando adeptos é a chamada rinoplastia não-cirúrgica, rinomodelação para citar apenas dois nomes para o tratamento de deformidades nasais com injeção de ácido hialurônico.

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As indicações para esse tipo de tratamento são restritas e devem ser feitas por injetores experientes pelo alto risco de complicação. Profundo conhecimento da anatomia nasal é fundamental para o sucesso do tratamento, a saber:

A pele é mais espessa na glabela, sendo o ponto mais espesso na sutura nasofrontal, em média 1,25 mm, tornando-se progressivamente mais fina até atingir o mínimo de 0,6 mm, em média, no rhinion, voltando a ficar mais espessa na ponta, em parte devido à grande quantidade de glândulas sebáceas, que causam também oleosidade. A pele é também mais fina ao longo da margem alar e na columela. De referir que a pele, além de ser mais fina na metade superior do nariz, é também mais móvel, verificando-se o oposto na metade inferior. Entre a pele e o esqueleto osteocartilaginoso, encontramos a camada de tecido subcutâneo.

Esta, por sua vez, é constituída por quatro camadas: panniculus superficial, camada fibromuscular, camada adiposa profunda e o periósteo ou pericôndrio. De realçar a camada fibromuscular, que inclui o sistema musculo-aponeurótico subcutâneo nasal (SMAS), uma continuação do SMAS da face. Existem vários músculos: elevadores, depressores, compressores e dilatadores minor. Relevante para a injeção de ácido hialurônico é o seu suprimento sanguíneo.

O aporte arterial provém em uma primeira fase das artérias carótidas, interna e externa, que a partir dos seus ramos vão formar um plexo subdérmico com maior confluência na ponta. O revestimento da pele e alguma parte superior do nariz é irrigada pelas artérias nasal externa e nasal dorsal, ramos das artérias etmoidal anterior e posterior, que, por sua vez, são ramos da carótida interna.

Inferiormente, a irrigação para a ponta provém de ramos da artéria facial: as artérias labial e angular, que, por sua vez, dão os ramos mais importantes para a irrigação da ponta, os quais são as artérias nasais laterais, que irrigam a região alar, e as artérias labiais superiores, que se continuam superiormente pela columela. A injeção intravascular do ácido hialurônico pode causar desde pequenas isquemias a grandes necroses e até cegueira pela comunicação das artérias que irrigam o nariz com a artéria central da retina.

RInoplastia

A injeção pode ser feita com cânula ou agulha, preferencialmente na linha média onde observamos pela foto que a vascularização é pobre. Deve-se sempre aspirar por precaução e o preenchedor escolhido deve ser posicionado profundamente, supraperiosteal. Na ponta uma pequena quantidade pode ser injetada em subcutâneo para elevá-la. Se desejarmos uma elevação maior do ângulo naso-labial podemos injetar na espinha nasal profundamente.

As complicações estão mais descritas em pacientes asiáticos, supostamente por necessitarem de maior quantidade de ácido hialurônico para corrigir dorsos largos, e também pelo maior número de pacientes tratados. Lembrando que as complicações ocorrem também por compressão arterial extrínseca.

Qual preenchedor escolher será objeto de outro artigo. Por hora ficamos por aqui, com uma mensagem: no nariz pouco é muito.

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Autor:

André Mattos

Graduação em Medicina pela UFRJ (1987) ⦁ Residência em Cirurgia Geral na UFRJ (1988-1989) ⦁ Residência em Cirurgia Plástica no Instituto Ivo Pitanguy (1990-1992) ⦁ Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica ⦁ Membro da American Society of Aesthetic Plastic Surgery

Referências:

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Um comentário

  1. Cristina Oliveira

    Perfeita publicação, Parabéns!!

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