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Saiba como iniciar e quando parar a terapia hormonal no climatério

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Tempo de leitura: 3 minutos.

Fogachos e sudorese noturna estão presentes em cerca de 70% de mulheres de meia idade, podendo comprometer seriamente o sono, a produtividade e a qualidade de vida dessa população. Podem estar acompanhados também de alterações de humor e de sintomas genitourinários. Embora mudança de estilo de vida e opções não hormonais estejam disponíveis, a terapia hormonal (TH) pode trazer grande benefício a mulheres com sintomas vasomotores graves e/ou frequentes.

A decisão de iniciar ou não a TH deve levar em consideração os seguintes fatores: gravidade dos sintomas, certificar-se que não haja contraindicações à terapia (câncer de mama ou de endométrio, doença cardiovascular, doença hepática ativa ou sangramento vaginal de causa desconhecida) e idade da paciente.

Quando aplicar a terapia hormonal

A TH está recomendada para pacientes com idade menor que 60 anos e menopausa há menos de 10 anos, com baixo risco cardiovascular e para CA de mama. A TH pode ser considerada em mulheres com idade maior ou igual a 60 anos ou que tenham entrado na menopausa há mais de 10 anos ou que tenham risco moderado de doença cardiovascular e CA de mama. A TH deve ser evitada em mulheres com alto risco cardiovascular ou de CA de mama e em mulheres com risco moderado que tenham idade maior que 60 anos e início da menopausa há mais de 10 anos.

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Os sintomas vasomotores são mais prevalentes na transição menopausal. Mulheres saudáveis nessa fase podem se beneficiar do uso de contraceptivos orais combinados que, além da reposição de estrogênio, reduzem o fluxo menstrual que frequentemente está aumentado e irregular. Em mulheres com fatores de risco para doença cardiovascular ou que sejam tabagistas, essa opção é contraindicada.

Segurança da terapia hormonal

A TH é considerada mais segura em relação à contracepção hormonal pois eleva o estrogênio (que está muito baixo após a menopausa) até níveis fisiológicos, enquanto na contracepção os níveis de estrogênio necessários para supressão da ovulação são supra-fisiológicos. Estudos observacionais não evidenciaram aumento do risco de tromboembolismo com uso de estrogênio transdérmico, mesmo em mulheres obesas ou com trombofilias.

Mulheres histerectomizadas devem receber terapia estrogênica isolada, enquanto mulheres que ainda têm útero devem fazer uso de estrogênio e progesterona a fim de evitar a hiperplasia endometrial. Existem muitas formulações e dosagens diferentes – deve ser utilizada a menor dose que seja eficaz para o alívio dos sintomas. O alívio máximo dos sintomas vasomotores em geral não ocorre antes de três meses de terapia hormonal. Dessa forma, a paciente deve ser orientada de que a resposta ao tratamento não é imediata.

O estrogênio é administrado de forma continua, preferencialmente por via transdérmica (gel ou adesivos contendo estradiol); o estrogênio via oral está associado a maior risco de tromboembolismo e doenças biliares. A progesterona pode ser utilizada por via oral de forma contínua ou cíclica. Ainda há a opção do uso de DIU de levonorgestrel em mulheres na transição menopausal.

Conclusão

Em mulheres não histerectomizadas utilizando TH com estrogênio e progesterona, a redução gradual da dose com o objetivo de suspender ao final de quatro ou cinco anos de uso é uma opção razoável, visto que o risco de câncer de mama aumenta discretamente após esse período. Em mulheres histerectomizadas, em terapia estrogênica isolada, o risco de CA de mama não aumentou após 7 anos de uso, o que torna aceitável o uso mais prolongado da TH nessas pacientes.

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Referências:

  • Shifren JL, Crandall CJ, Manson JE. Menopausal Hormone Therapy. JAMA. Published online May 30, 2019. doi:10.1001/jama.2019.5346
  • Hoffman et al. Ginecologia de Williams. 2a edição. Porto Alegre: AMGH, 2014.

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