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Saúde global: poluição atmosférica pode ser causa de infarto agudo do miocárdio?

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Doença cardiovascular causada por isquemia miocárdica é a causa de mortalidade mais frequente atualmente. Esse é um problema de saúde pública em todas as regiões do mundo, e no Brasil, esse é um dos principais norteadores das ações de saúde pública com políticas e programas específicos.

Diversos fatores ambientais e comportamentais atuam como fatores de risco para a sua ocorrência. As influências de cada componente – ambiental e comportamental – auxiliam na criação de estratégias que permitam a prevenção dessas causas evitáveis de mortalidade.

Estudos das últimas duas décadas têm verificado fatores ambientais determinantes no surgimento de doenças e como contribuintes de causas de mortalidade. Muitos desses fatores ambientais estão relacionados à exposição química, não só voluntária ou não, mas também em cenários ocupacionais ou não. Entre essas exposições está a poluição atmosférica, causada por partículas denominadas ultrafinas. Partículas ultrafinas finas possuem dimensão de 100 nanômetros ou menos e ficam em suspensão no ar atmosférico que respiramos. A principal fonte de liberação: automóveis.

Poluição e infarto agudo do miocárdio

Pesquisadores do departamento de saúde pública da universidade de Yale já haviam descrito na década de 1990 que essas partículas estavam associadas à descompensações do sistema respiratório relacionadas à asma e outras formas de hiper-reatividade brônquica. Desde então, mais de 200 estudos reproduziram achados semelhantes e, a partir da observação desses resultados, esse mesmo grupo levantou uma suspeita, a primeira vista não muito óbvia: contato com partículas inalantes ultrafina é responsável por adoecimento cardiovascular?

Para responder a essa pergunta os pesquisadores desenvolveram um estudo em parceria com Helmholtz Center de Munique, Hospital Universitário de Augsburg e o Hospital Nördlingen. Durante 10 anos, entre 2005 e 2015, a equipe analisou 5898 casos de infarto agudo do miocárdio (IAM) não fatais ocorrentes na cidade de Ausburg na Alemanha.

A equipe confrontou as ocorrências dos IAM com dados de exposição à partículas ultrafinas considerando suas concentrações atmosféricas, horário de ocorrência do IAM, dia da semana, nível socioeconômico e repercussões de longo prazo em todos os indivíduos atendidos com essa queixa entre 25 e 84 anos. Foi considerado como caso de IAM não fatal todo aquele caso em que se avaliou o processo isquêmico e que após 28 dias da ocorrência o paciente permaneceu vivo.

 

Metodologia

Para realizar essa análise, os pesquisadores realizaram um desenho de cruzamento de casos baseado em registros com estratificação temporal. De uma maneira simplista, é um desenho um pouco mais robusto e arrojado de estudos caso-controle. Utilizando análise de regressão, os pesquisadores tentaram verificar se as variáveis contínuas hora de ocorrência/exposição e concentração atmosférica explicavam a tendência analisada.

Variáveis de confusão como tabagismo, comorbidades como diabetes e hipertensão, tipo e extensão do IAM e número de ocorrências (casos novos ou recorrentes) foram também analisadas para se determinar como influenciariam os resultados encontrados. Análises de sensibilidade foram realizadas, para se determinar a influência individual de cada um dos fatores avaliados sobre o desfecho.

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Resultados

Os resultados do estudo foram de que não só a exposição às partículas ultrafinas atuam como disparadores (triggers) de casos de IAM não fatais, como também o momento em que essa exposição ocorre tem influência sobre a ocorrência dos casos. As primeiras horas de exposição são aquelas em que a probabilidade de ocorrência de um IAM não fatal é maior.

A hipótese utilizada para explicar os fatos é que a exposição às partículas ultrafinas, especialmente nas primeiras horas – em que não há o processo adaptativo instalado -, está associada à uma redução da eficácia de troca a nível alveolar. Isso por sua vez, atua como um fator de privação de oxigênio, aumentando a ativação do sistema nervoso autônomo, especialmente o sistema nervoso simpático, que está fortemente associado aos disparadores de casos de IAM por mecanismos como vasoespasmos, descompensações de arritmias, entre outros.

As análises de sensibilidade mostraram que nenhuma influência das variáveis de confusão foi superior ao da concentração de partículas e tempo de exposição a elas. Esse é o estudo com maior evidência e robustez para explicar essa associação amplamente demonstrada em estudos anteriores.

Esse é um resultado que faz parte do estudo MONICA (Monitoring Trends and De-terminants in Cardiovascular Disease), da Organização Mundial de Saúde, que tenta identificar fatores moduladores que influenciam as doenças cardiovasculares. Esses resultados reforçam as considerações sobre o conceito de saúde global e sua influência sobre causas de mortalidade evitáveis.

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Como isso muda a prática clínica?

Esses achados, especialmente pela sua solidez e poder de evidência, indicam mais do que nunca de que questões de saúde a serem tratadas no consultório são maiores do que o escopo orgânico mais óbvio. Questões ambientais e de sustentabilidade são determinantes de saúde, e por esse motivo, alvo da nossa prática de atuação.

Fatores associados ao estilo de vida, como utilização de automóveis individuais, em detrimento de meios de transporte coletivos, por exemplo, são responsáveis por disparar adoecimentos evitáveis como IAM. Ou seja, a prevenção neste caso vai ainda além da prática de atividade física pura e simples como percepção de bem-estar e qualidade de vida. O peso ou comportamento desse hábito se assemelha ao que acontece no uso do tabaco quando se pensa em termos coletivos. Essa medida simples – reduzir a utilização de automóveis – , por exemplo, reduziria de maneira global esse tipo de agravo. Essa é uma medida de escolha individual e que impacta na vida de todos.

E você alguma vez abordou ou pensou em abordar o tema no consultório? Agora você já tem mais uma evidência de que essa é uma conversa que vale a pena ser feita na consulta.

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Autor:

Referência bibliográfica:

  • Chen, K., Schneider, A., Cyrys, J., Meisinger, C., Heier, M., von Scheidt, W., … & Breitner, S. (2019). Hourly Exposure to Ultrafine Particle Metrics and the Onset of Myocardial Infarction in Augsburg, Germany. Environmental Epidemiology, 3, 310-311.

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