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AHA 2019: colchicina no tratamento do infarto agudo do miocárdio

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A doença arterial coronariana (DAC) é uma doença multifatorial na qual a inflamação desempenha papel importante dentre os fatores de risco envolvidos na gênese e evolução da patologia e da aterosclerose em geral. Isso pode ser bem visualizado em portadores de doenças autoimunes ou portadores de infecções crônicas, já que esses indivíduos costumam apresentar maior incidência de DAC em relação a população que não as possui.

Um anticorpo monoclonal para a interleucina-1β, o canakinumab, mostrou redução de 15% em eventos cardiovasculares, porém aumentou a incidência de infecções fatais no estudo CANTOS. Já o metotrexato não mostrou efeitos benéficos cardiovasculares no estudo CIRT.

Veja também: AHA 2019: quais as atualizações em RCP/ACLS?

Entretanto a colchicina, um anti-inflamatório que impede a polimerização da tubulina evitando a formação de microtúbulos no interior da célula prejudicando a adesão celular, foi utilizada em um pequeno estudo, não placebo e não controlado em dose baixa diária de 0,5 mg. Os resultados do estudo LoDoCo foram positivos, mostrando reduções de eventos cardiovasculares em pacientes com DAC entre os que receberam colchicina em relação aos que não receberam.

Colchicina no IAM

Diante destes resultados e das limitações do estudo LoDoCo, o estudo COLCOT, apresentado no Congresso da American Heart Association (AHA) 2019, se propôs a testar a eficácia da colchicina em pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM) recentemente diagnosticado.

O estudo randomizado, duplo cego, placebo controlado e multicêntrico (167 unidades em 12 países) envolveu 4745 pacientes com pelo menos 30 dias de IAM antes da randomização, que receberam tratamento de revascularização proposto e tratamento clínico otimizado de acordo com os guidelines vigentes, envolvendo inclusive estatinas em doses elevadas. O grupo do tratamento recebeu colchicina 0,5 mg em dose única diária enquanto o grupo controle recebeu o placebo.

Atenção importante deve ser dada aos fatores de exclusão, muito presentes na prática diária, mas que poderiam trazer fatores confundidores ou efeitos colaterais ameaçadores.

O desfecho primário foi um composto entre morte cardiovascular, IAM, parada cardíaca ressuscitada, acidente vascular encefálico ou angina levando a internação hospitalar com necessidade revascularização. O desfecho secundário abrange os componentes do desfecho primário acrescidos da mortalidade por todas as causas. Outras variáveis analisadas foram a necessidade de revascularização por insuficiência cardíaca, trombose venosa profunda, fibrilação atrial, embolia pulmonar, níveis de proteína C reativa e contagem de leucócitos.

O estudo teve um seguimento médio de 22,6 meses com pouca taxa de abandono ou perda de pacientes. A média de idade foi de 60 anos com os pacientes ingressando no estudo 13 dias após o IAM em média. Cerca de 93% dos pacientes receberam intervenção coronariana.

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Resultados

O desfecho primário ocorreu em 5,5% dos pacientes que receberam colchicina em comparação com 7,1% do grupo placebo (risco relativo de 0,77, intervalo de confiança 0,61 a 0,96; p=0,02), mostrando uma redução de eventos principalmente as custas de redução de acidentes vasculares encefálicos e internação hospitalar com necessidade revascularização. O principal efeito colateral foi a diarreia com uma discreta maior incidência de pneumonia no grupo da colchicina. O desfecho secundário não foi significamente estatístico.

A colchicina, utilizada para o tratamento de gota e da pericardite parece agora figurar como pretendente a nova aquisição da cesta de tratamento do infarto agudo do miocárdio. O estudo apresentou resultados estatisticamente significativos com pouca incidência de efeitos colaterais, entretanto teve um tempo de seguimento curto, excluindo pacientes de muito alto risco e mostrando apenas significância no end point composto.

Há de se aguardar mais estudos testando a colchicina neste contexto e a avaliação das sociedades de cardiologia para incluir ou não a droga nas diretrizes, mas há de se destacar que é forte candidata a somar no tratamento do IAM.

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Referências bibliográficas:

  • Hansson GK. Inflammation, atherosclerosis, and coronary artery disease. N Engl J Med 2005;352:1685-95.
  • Ridker PM, Everett BM, Thuren T, et al. Antiinflammatory therapy with canakinumab for atherosclerotic disease. N Engl J Med 2017;377:1119-31.
  • Ridker PM, Everett BM, Pradhan A, et al. Low-dose methotrexate for the prevention of atherosclerotic events. N Engl J Med 2019;380:752-62.
  • Tardif JC, Roubille F, et al. Low-Dose Colchicine after Myocardial Infarction N Engl J Med 2019; NEJMoa1912388

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