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Ser multitarefas não é qualidade para um profissional da saúde; entenda

Tempo de leitura: 4 minutos.

No mercado de trabalho, em geral, ser multitarefa – ou multitasking – é visto como uma qualidade indispensável.

Apesar dessa característica ser celebrada por gestores, cada vez mais profissionais especializados em gestão de tempo rechaçam o hábito de fazer diversas atividades ao mesmo tempo. Essa mudança de paradigma tem embasamento científico.

Cientistas do Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM), em Paris, usaram ressonância magnética funcional para analisar o cérebro de indivíduos realizando duas tarefas ao mesmo tempo. Os resultados mostraram que, nestes casos, o cérebro “se divide” em dois, fazendo com que os participantes esquecessem detalhes e cometessem três vezes mais erros.

“Nós sabemos que o cérebro não se concentra em duas coisas ao mesmo tempo. O que ele pode aprender a fazer é concentrar e relaxar a atenção tão rapidamente entre várias atividades que dá a impressão de mantê-las no mesmo fluxo. Porém, cometer enganos nessa condição é questão de tempo – seja no trabalho, no trânsito, na leitura ou caminhando na rua”, diz Rita Calegari, psicóloga e gerente multiprofissional da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Tais efeitos podem trazer consequências seríssimas quando se analisa o exercício profissional na saúde.

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Multitarefas: qualidade ou defeito?

O hábito de fazer várias tarefas ao mesmo tempo acabou se tornando comum em um mundo onde é preciso dar conta de tudo. De acordo com Vitor Friary, psicólogo comportamental especialista em meditação Mindfulness, é comum que os adeptos do multitasking acreditem que só vão conseguir dar conta do seu dia a dia se realizarem muitas atividades ao mesmo tempo.

“A valorização do hábito de fazer muitas tarefas ao mesmo tempo pode manter a pessoa nessa forma de agir no mundo e no trabalho. Profissionais da área de saúde não estão imunes a esse tipo de funcionamento”, completa Friary.

Este círculo vicioso é especialmente perigoso para profissionais da saúde, que precisam de extrema atenção no cotidiano. Por isso, ser multitarefas neste contexto não é uma boa ideia, tampouco deve ser estimulado. A boa notícia é que muitos hospitais têm se esforçado no sentido de estimular a concentração de seus profissionais.

“Hospitais têm feito diversas ações para ajudar a concentração dos profissionais: checklists, dupla checagem, envolvimento do paciente e familiares, educação continuada, técnicas do read-back [reler o que escreveu] e do teach-back [solicitar que o paciente declare em suas próprias palavras o que precisa saber ou fazer sobre sua situação], time out antes de procedimentos [prática para prevenir que cirurgias, procedimentos e exames invasivos sejam feitos no paciente e/ou locais errados], entre outras”, comenta Calegari.

Além de prejudicar o atendimento, multitarefar também pode aumentar o estresse e ansiedade do profissional. “Imagine a energia que o cérebro humano precisa para acessar diferentes informações e dar respostas a diferentes demandas. O problema é que a maioria das pessoas com este comportamento não se dá conta do impacto em seu bem-estar emocional, físico e mental”, alerta Friary.

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Como manter o foco em um mundo tão exigente?

Segundo Calegari, quando há dificuldades em focar, alguns fatores externos devem ser considerados – como cultura organizacional, excesso de ruídos, problemas de temperatura, problemas de escala, fluxos de serviço inadequado, falta de equipamentos e materiais etc.

No entanto, também há fatores internos, que podem contribuir igualmente com esse problema. “Dispersão, preocupação com problemas pessoais, desgosto pela atividade que realiza, falta de disciplina pessoal, excesso de extroversão, cansaço físico e problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão, manias etc., também devem ser levados em consideração”, afirma.

No caso dos fatores externos, cabe à empresa e seus gestores avaliarem criticamente as condições oferecidas aos seus trabalhadores. Já nos internos, cabe ao trabalhador analisar criticamente qual a qualidade de atenção que ele dispensa à sua atividade.

O segundo caso pode requerer uma mudança de hábito – e isso tem muito a ver com o mindset do profissional. Colocar para si mesmo a meta de apenas mudar de tarefa quando concluir o que está fazendo pode mudar a maneira de um indivíduo agir, alterando também seu modo de atenção.

Caso sinta necessidade de focar ou recarregar as baterias em meio aos atendimentos e plantões, pare por três minutos, sente-se de forma ereta, feche os olhos e foque na respiração, libertando-se temporariamente da necessidade de correr ou fazer tantas tarefas neste curto período de tempo.

“Esse é um treino da atenção focado na respiração. A maneira que utilizamos a nossa atenção no dia a dia tem um impacto direto na nossa saúde emocional. Portanto, realizar pequenas intervenções para o manejo da atenção através de práticas mindfulness como esta podem ajudar bastante”, orienta Friary.

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