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Biópsia endomiocárdica

Seu paciente com câncer pode fazer reabilitação cardíaca?

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Há um mês a American Heart Association publicou um documento que explanava sobre o racional e as especificações para reabilitação cardíaca em pacientes com câncer. Ele se torna importante no momento em que há 16,7 milhões de sobreviventes da doença nos EUA atualmente.

Esses pacientes têm um risco de 1,3-3,6 vezes de morte cardiovascular e de 1,7-18,5 vezes de ter um fator de risco cardiovascular como hipertensão arterial, diabetes ou dislipidemia. Este documento inclui recomendações do prévio guideline da American Society of Clinical Oncology (ACO) para seleção de pacientes com câncer que teriam maior predisposição à disfunção cardíaca:

  • Alta dose de antraciclina (doxorrubicina > 250 mg/m2, epirrubicina > 600 mg/m2 ) ou alta dose de radioterapia > 30Gy ou doses mais baixas de antraciclina combinadas com doses mais baixas de radioterapia
  • Baixa dose de antraciclina ou trastuzumab sozinhos mais ao menos dois fatores de risco (tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade, dislipidemia) ou idade de 60 anos ao diagnóstico ou função cardíaca comprometida (história de infarto agudo do miocárdio, fração de ejeção reduzida, valvopatia moderada)
  • Baixa dose de antraciclina seguida por trastuzumab

A reabilitação cardíaca (CR) foi definida como prover serviços de longo prazo envolvendo avaliação médica, prescrição de exercícios, modificação dos fatores de risco cardiovasculares, e educação, aconselhamento, e mudanças de comportamento.

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Metanálises demonstraram que a CR reduz a mortalidade cardiovascular (CV) e internações hospitalares e melhora a qualidade de vida dos pacientes com doença arterial coronariana. A referência para CR é uma recomendação classe 1 da American Heart Association (AHA)/American College of Cardiology (ACC) Foundation em seu guideline para pacientes com síndromes coronarianas agudas. A CR é pensada para o paciente com câncer porque:

  1. Oferece exercício com o objetivo de melhora a longo prazo de desfechos CV
  2. Oferece a oportunidade de medir e subsequentemente reduzir os fatores de risco CV
  3. Fornece uma abordagem individualizada para o exercício e terapia medicamentosa que permite ajustes críticos
  4. Fornece vigilância para comunicar aos assistentes mudanças nos sinais vitais, sintomas e intolerância ao exercício

Algoritmo para referência à CR

Neste algoritmo notamos que pacientes com deficiências físicas ou de fala serão encaminhados à fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia e à reabilitação oncológica. Pacientes com sintomas cardíacos ou com histórico de infarto do miocárdio, revascularização ou valvopatia, passarão por uma consulta com cardiologista e por um teste cardiopulmonar antes de serem indicados à CR.

Pacientes assintomáticos, mas que tomaram baixas doses de antraciclina seguidos de trastuzumab passarão por teste cardiopulmonar, podendo ser encaminhados para CR ou para programas comunitários para pacientes com câncer (destino também dos assintomáticos que não passaram por quimioterapia nem por radioterapia). Antes, no entanto, de se encaminhar o paciente para a CR existe um checklist a ser observado como medida de segurança.

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Autor:

Referências:

  • Gilchrist SC, Barac A, Ades PA, Alfano CM, Franklin BA, Jones LW, La Gerche A, Ligibel JA, Gabriel Lopez G, Madan K, Oeffinger KC, Salamone J, Scott JM, Squires RW, Thomas RJ, Treat-Jacobson DJ, Wright JS; on behalf of the American Heart Association Exercise, Cardiac Rehabilitation, and Secondary Prevention Committee of the Council on Clinical Cardiology; Council on Cardiovascular and Stroke Nursing; and Council on Peripheral Vascular Disease. Cardio-oncology rehabilitation to manage cardiovascular outcomes in cancer patients and survivors: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation. 2019;139:eXXX–eXXX. doi: 10.1161/CIR.0000000000000679.
  • AHA Issues First Cardio-Oncology Rehabilitation Statement – Medscape – Apr 12, 2019.

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