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Por conta do Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e Drogas, traremos uma série de artigos sobre o tema. Abordaremos agora a síndrome alcoólica fetal.

Será que existe algum nível de consumo de álcool seguro durante a gravidez?  

O consumo de álcool envolve não somente o prazer individual do consumo propriamente dito, mas toda uma harmonia social que o álcool traz consigo. Consumir álcool agrega você a um status social diferente, é capaz de fazer sua inserção numa casta para a qual talvez seu ingresso de outra forma poderia ser impossível. Esses ingressos é que levam muitas gestantes a iniciar, manter ou até aumentar sua ingesta para se manter “sociáveis” ainda nesse período que poderia ser razão de exclusão social representado por algumas restrições a que algumas grávidas se impõem. 

Dentro do espectro da doença relacionada ao álcool temos a síndrome alcoólica fetal sendo apenas uma das outras quatro que compõe o transtorno do espectro fetal: 

  • Síndrome alcoólica fetal
  • Síndrome do álcool fetal parcial
  • Síndrome do transtorno de neurodesenvolvimento ligado ao álcool  
  • Distúrbio neurocomportamental associado a exposição ao álcool pré-natal
  • Defeitos congênitos ligados ao álcool. 

Todos eles são utilizados para descrever as várias complicações gestacionais e puerperais relacionadas ao uso crônico ou abusivo do álcool.  

Não existe quantidade nem tempo de uso de álcool seguros durante a gravidez. Seu uso é extremamente prejudicial e teratogênico para o feto durante toda a gravidez e, ainda, o uso materno próximo da concepção pode carregar para a gravidez consequências muito ruins. Alguns fatores de risco que o álcool carrega para a gestante: 

  • Mães com mais de 30 anos de idade com uso crônico de álcool em sua vida tem maior chance de gerar filhos com síndrome alcoólica fetal.
  • Má nutrição
  • Um filho com síndrome alcoólica fetal eleva a chance na prole de novos casos da síndrome 
  • Mulheres com suscetibilidade genética para metabolizar o álcool mais lentamente estão entre as de maior risco para o espectro alcoólico fetal.  

Usando uma ampla gama de efeitos nocivos do álcool e as definições mais modernas temos hoje algo em torno de 24 a 48 por 1000 gestantes nos EUA acometidas pelo espectro alcoólico fetal. Esse número é puxado para cima pelas camadas mais baixas da pirâmide socioeconômica e minorias étnicas e raciais. Números de até 1,5% de crianças em entidades de recolhimento tem sequelas da síndrome alcoólica fetal.  

Em muitos casos, a exposição ao álcool pré-natal não é intencional porque as mulheres continuam seus padrões normais de bebida antes de saberem que estão grávidas. A maioria das mulheres para de beber álcool uma vez tomou conhecimento de sua gravidez. Apesar disso, 7,6% das mulheres relatam ter continuado a beber durante a gravidez, nos EUA. 

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Por questões éticas os estudos para entendermos o exato mecanismo de ação do álcool no binômio mãe-feto não são permitidos. As evidências são extrapoladas a partir de modelos animais. Nesses estudos o álcool se mostra um teratógeno capaz de causar danos irreversíveis ao SNC animal, causando não apenas diminuição volumétrica, mas também alterações estruturais. As altas ingestas durante a gravidez tem causado: 

  • Primeiro trimestre: anomalias faciais e cerebrais 
  • Segundo trimestre: aumento incidência de abortos espontâneos 
  • Terceiro trimestre: diminuição do peso, volume e altura cerebrais.  

Ao suspeitar da presença do espectro alcoólico fetal torna-se importante associação de sinais e sintomas para classificação dentro do espectro. Assim podemos subdividir os vários achados dentro das seguintes classificações: 

  • Síndrome alcoólica fetal: devem estar presentes todos os critérios abaixo. Note que não é necessário o antecedente de exposição ao álcool prévio a gravidez. 

Dois de três características faciais:

I) Fissuras palpebrais curtas

II) Borda avermelhada fina pálpebras 

III) Filtro nasal afilado. 

Restrição de crescimento (pré ou pós-natal) 

Defeitos do sistema nervoso central

  • Síndrome alcoólica fetal parcial: tem duas das características faciais características mais, dependendo de onde a exposição ao álcool foi documentada, varia em seus outros critérios. 
  • Defeitos congênitos relacionados ao álcool: termo usado para descrever aqueles com defeitos físicos secundários à exposição conhecida ao álcool fetal, mas que não têm déficits neurocomportamentais. 
  • Transtorno de neurodesenvolvimento relacionado ao álcool: está no outro extremo. Descreve aqueles com comprometimento neurocomportamental num cenário de exposição documentada ao álcool pré-natal, mas têm mínimos ou nenhum achado físico e não podem ser diagnosticados antes dos três anos de idade. 
  • Distúrbios neurocomportamentais relacionados a exposição pré-natal ao álcool: muito semelhantes às deficiências congênitas relacionadas ao álcool, mas podem envolver algumas características físicas.

Para o médico generalista em unidades primárias de saúde o diagnóstico não é fácil pois, além do possível imbricamento de várias características ainda se tem a possiblidade de utilização de múltiplas drogas, além do álcool. Assim, frente a uma suspeita forte, é fundamental o encaminhamento para avaliação de equipe multidisciplinar para uma completa avaliação, classificação e tratamento do caso.  

O tratamento passa a ser problema do “obstetra” como um dos atores da multidisciplinariedade que o caso exige. É muito importante também durante o pré-natal a abordagem sobre o uso de álcool e outras drogas lícitas ou ilícitas, uma vez que o consumo de álcool não é exclusivo muitas vezes.  

Resta enfim a necessidade de atenção ao desenvolvimento e crescimento fetal durante o pré-natal modulados pela equipe composta de enfermagem, assistente social, psicóloga, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e outros.  

Referências bibliográficas:

  • Vorgias D, Bernstein B. Fetal Alcohol Syndrome. [Updated 2021 Jul 26]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK448178/ 
  • de Angelis C, Nardone A, Garifalos F, Pivonello C, Sansone A, Conforti A, Di Dato C, Sirico F, Alviggi C, Isidori A, Colao A, Pivonello R. Smoke, alcohol and drug addiction and female fertility. Reprod Biol Endocrinol. 2020 Mar 12;18(1):21. doi: 10.1186/s12958-020-0567-7. PMID: 32164734; PMCID: PMC7069005.
  • Nutt D, Hayes A, Fonville L, Zafar R, Palmer EOC, Paterson L, Lingford-Hughes A. Alcohol and the Brain. Nutrients. 2021 Nov 4;13(11):3938. doi: 10.3390/nu13113938. PMID: 34836193; PMCID: PMC8625009. 
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