Cardiologia

Síndrome coronariana aguda (SCA): houve maior prevalência na pandemia de Covid-19?

Tempo de leitura: 3 min.

Foi realizado um estudo comparativo a fim de avaliar a incidência de casos de síndrome coronariana aguda (SCA) a e suas consequências na era da pandemia de Covid-19 e na era pré-Covid, para verificar se questões relacionadas a perspectivas demográficas, complicações e aumentos das taxas de morbimortalidade intra-hospitalares teriam ou não maior prevalência em pacientes com diagnóstico de Covid-19 em comparação com pacientes antes da pandemia. 

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Método

Os investigadores que fizeram parte desse estudo, designaram um registro prospectivo de Covid-SCA em 55 centros hospitalares diferentes no período de 01 de março de 2020 a 31 de julho de 2020. Os  pacientes estudados tinham o diagnóstico de Covid-19 ou apresentavam sintomas muito significativos para a doença e foram submetidos a exames angiográficos coronariano por suspeita de doença coronariana aguda. Desses pacientes, muitos resultaram em eventos cardíacos como infarto, falência miocárdica, acidentes vasculares cerebrais, procedimentos de revascularização ou trombose de stents prévios. Esses resultados foram comparados com a data base dos pacientes na era pré-COVID, utilizando a MINAP 2019 (Myocardial Ischaemia National Audit Project) e a BCIS 2018-2019 (British Cardiovascular Intervention Society). A comparação foi realizada calculando a diferença das taxas de mortalidade entre os dois grupos. 

Resultados

Foram analisados 144 pacientes que apresentaram elevação do segmento ST e infarto miocárdico (STI) e 121 pacientes que apresentaram síndrome coronariana aguda (SCA) sem supra de ST. Todos com  diagnóstico prévio de Covid-19. O tempo entre o início dos sintomas e admissão hospitalar foi relativamente mais alto que nos pacientes da era pré-Covid tanto para o sistema MINAP como para o BCIS. A mortalidade entre os pacientes com diagnóstico de Covid-19 foi significativamente mais elevada que nos outros pacientes (22,9% dos pacientes STI contra 5,7% e 6,6% dos pacientes SCA contra 1,2%). Choque cardiogênico ocorreu em 20,1% dos pacientes STI contra 8,7% dos pacientes do  BCIS. 

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Perspectivamente falando, concluiu-se que na era da pandemia os pacientes com diagnóstico da doença acabam por retardar muito a ida a unidade de emergência quando apresentam sintomas de SCA, o que acaba aumentando a morbimortalidade desses pacientes com incidência maior de choque cardiogênico e necessidade de internação em unidade intensiva e de ventilação mecânica e suporte hemodinâmico, quadruplicando os índices de mortalidade intra-hospitalar. Fato que não ocorria na era pré-Covid, pois quando os pacientes apresentavam os primeiros sintomas de desconforto torácico já se encaminhavam  a unidade hospitalar mais próxima. 

Conclusão

Os autores concluem que pacientes com Covid-19 e que apresentam SCA acabam por procurar tardiamente auxílio médico e consequentemente ocorre o aumento da morbimortalidade intra-hospitalar. 

Portanto é de grande importância que haja uma política pública de orientação populacional para mesmo em casos de Covid-19 ou outras pandemias futuras que ao primeiro sintoma de desconforto torácico o paciente seja encaminhado a unidade de saúde para averiguação do seu estado clínico, independente da situação de isolamento que se encontrar. 

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Kite TA, Ludman PF, Gale CP, et al. International Registry of Acute Coronary Syndromes in Patients With COVID-19. J Am Coll Cardiol. 2021;77:2466-2476. doi10.1016/j.jacc.2021.03.309
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Publicado por
Gabriela Queiroz

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