Síndrome de lise tumoral (SLT): como identificar os pacientes com maior risco? - PEBMED

Síndrome de lise tumoral (SLT): como identificar os pacientes com maior risco?

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A síndrome de lise tumoral (SLT) é uma complicação observada em pacientes com neoplasias hematológicas, seja de forma espontânea, seja após o início de quimioterapia. É causada por lise maciça das células tumorais com liberação de grande quantidade de material intracelular na corrente sanguínea, levando a distúrbios metabólicos potencialmente fatais, e ocorre com maior frequência em pacientes com grande carga tumoral (ex.: massa bulky em linfomas, hiperleucocitose em leucemias).

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Em alguns casos, observam-se alterações laboratoriais, na ausência de sintomas e sinais, o que é chamado de SLT laboratorial. Por outro lado, a SLT clínica manifesta-se com complicações secundárias aos distúrbios laboratoriais, como injúria renal aguda, convulsões e arritmias, e representa um fator de mau prognóstico nos pacientes oncológicos.

Por ser uma condição potencialmente fatal, sua prevenção é fundamental. Para isso, a avaliação de risco de SLT é uma importante etapa no manejo dos pacientes com neoplasias, a fim de proporcionar cuidados adequados de acordo com a estratificação de risco de cada indivíduo, o que leva em consideração fatores relacionados à doença (ex.: tipo e carga tumoral) e ao doente (ex.: função renal de base).

Síndrome de lise tumoral (SLT) como identificar os pacientes com maior risco

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Estratificação de risco

Os portadores de neoplasias hematológicas podem ser classificados em três grupos, de acordo com o risco de SLT:

  • Baixo risco: probabilidade de SLT menor que 1%;
  • Risco intermediário: probabilidade de SLT entre 1 e 5%;
  • Alto risco: probabilidade de SLT maior que 5%.

Leucemias crônicas associam-se a baixo risco, na maioria dos casos. No entanto, leucemia linfocítica crônica com leucocitose ≥ 50.000/mm³ ao diagnóstico ou com proposta de terapia alvo (ex.: venetoclax) é classificada como de risco intermediário. A estratificação das leucemias agudas depende da leucometria inicial e do valor de LDH, sendo que esses pacientes geralmente são considerados de alto risco, assim como nos casos de linfomas altamente agressivos, como o linfoma de Burkitt. Por outro lado, doenças linfoproliferativas indolentes, como linfoma folicular e linfoma da zona marginal, associam-se a baixo risco de SLT, devido à menor taxa de proliferação celular e consequentemente reduzida carga tumoral e sensibilidade à quimioterapia. Outros tipos de linfoma (ex.: linfoma de grandes células B) podem ser classificados como risco intermediário ou alto, a depender da carga tumoral ao diagnóstico.

Os casos de tumores sólidos são considerados como de baixo risco, com exceção de neuroblastoma, tumores de células germinativas e carcinoma de pequenas células de pulmão (risco intermediário).

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Vale ressaltar que características clínico-laboratoriais dos pacientes são importantes na estratificação de risco de SLT. Por exemplo, doença renal crônica ou hiperuricemia relacionam-se a maior incidência e gravidade da síndrome.

Além disso, deve-se considerar a proposta terapêutica para classificação de risco. Classicamente, a SLT está associada à quimioterapia, porém pode ocorrer também após radioterapia ou terapias alvo, com destaque para o venetoclax, um inibidor de BCL-2 usado no tratamento de leucemia linfocítica crônica e leucemia mieloide aguda. No primeiro estudo em humanos, alguns participantes apresentaram SLT, seja laboratorial, seja clínica, tendo sido relatado um óbito. 

Por isso, candidatos ao uso de venetoclax merecem atenção especial:

  • Pacientes com linfocitose ≥ 25.000/mm³ associada à linfonodomegalia ≥ 5 cm são considerados de alto risco para SLT, bem como aqueles com linfonodomegalia ≥ 10 cm, mesmo que sem outros critérios;
  • O risco é considerado intermediário se houver apenas um dos critérios acima apresentados (linfocitose ≥ 25.000/mm³ ou linfonodomegalia ≥ 5 cm);
  • Na ausência de ambos os critérios, considera-se risco baixo para SLT.

Independentemente do risco, recomenda-se aumento gradual da dose de venetoclax, no início dos ciclos, até atingir dose máxima.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Durani U, Hogan WJ. Emergencies in haematology: tumour lysis syndrome. British journal of haematology 188.4 (2020): 494-500. doi10.1111/bjh.16278
  • Williams SM, Killeen AA. Tumor Lysis Syndrome. Arch Pathol Lab Med. 2019 Mar;143(3):386-393.  doi: 10.5858/arpa.2017-0278-RS.

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