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monitor de terapia intensiva pediátrica, onde estão usando música como terapia

Terapia intensiva pediátrica e música: será que essa combinação dá certo?

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Eu não sei vocês, mas eu sempre fui apaixonada por música. Pra mim, é a manifestação artística mais completa e que mais me satisfaz. Traz-me relaxamento, alegria e conforto.

E pelo jeito, não é apenas comigo não. Pesquisadores têm tentado utilizar os benefícios da música como alternativas de conforto em pacientes que se apresentem em situações estressantes, como é o caso de pacientes hospitalizados em unidades de terapia intensiva (UTI) pediátricas.

Uso de música na abordagem terapêutica

A musicoterapia já é aceita como um tipo de terapia oferecida por um profissional habilitado e que tem potencial de auxiliar na recuperação física, cognitiva e na fala, na redução da dor e na melhora da qualidade de vida.

Porém, outra modalidade de uso da música na medicina tem sido explorada: a “music medicine”, sem tradução específica para o português. Nesse caso, a oferta de música para o paciente seria feita de forma gravada (reproduzida em um computador ou outro dispositivo que possa reproduzir gravações) e feita por um profissional médico. Apesar da simplicidade desse tipo de abordagem, supõe-se que exista benefício nessa abordagem.

“Music medicine” – uso na terapia intensiva pediátrica

O artigo chamado Effect of Personalized Music Intervention in Mechanically Ventilated Children in PICU: A Pilot Study, dos autores chineses Liu et al. e publicado na revista Pediatric Critical Care Medicine em janeiro de 2020, ilustra uma utilidade dessa metodologia.

O artigo aborda os resultados de um estudo piloto realizado entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017 no Hunan Children’s Hospital, na China. Houve participação de 50 crianças, sendo 25 crianças alocadas no grupo de intervenção e 25 alocadas no grupo controle. Os critérios de inclusão eram: idade entre um mês e sete anos, sem déficits auditivos e com necessidade de ventilação mecânica invasiva por pelo menos 48 horas após inclusão no estudo. Os critérios de exclusão foram: crianças com alterações neurocognitivas, internações pós-cirúrgicas ou situações de cuidados terminais.

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A intervenção foi realizada com a oferta de música personalizada para as crianças. Os pais forneciam as músicas preferidas da criança, e nos casos em que essas músicas não eram conhecidas (por exemplo, em bebês muito pequenos), a lista oferecida era composta de músicas calmantes para bebês ou pré-escolares. A música era tocada por um aparelho de reprodução com fones de ouvidos, e esses eram mantidos a cerca de cinco centímetros de distância horizontal da orelha da criança. A música era tocada por 60 minutos, três vezes ao dia, no período desde a intubação e inclusão da criança no estudo até a extubação. Os pacientes do grupo controle recebiam apenas os cuidados intensivos rotineiros, sem oferta de música.

Desfechos e resultados observados

Os desfechos avaliados pelos pesquisadores incluíram a escala de COMFORT-B como desfecho primário, e variáveis como frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, saturação de oxigênio, tempo de ventilação mecânica (em horas), período de internação na UTI (em dias), dose de midazolam utilizado em infusão contínua (em mg) e dose de midazolam feito sob demanda, ou SOS (em mg), como desfechos secundários. Essas variáveis foram avaliadas sempre 5 minutos antes e após a intervenção, e ao mesmo tempo nos pacientes do grupo controle.

Os pacientes do grupo da intervenção apresentaram valores da escala COMFORT-B significantemente menores do que os pacientes do grupo controle (p-valor = 0,011), e valores menores após a intervenção, quando comparados com o momento pré-intervenção (p-valor 0,001) , significando um conforto melhor em pacientes que utilizaram a intervenção da música.

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Com relação aos desfechos secundários, o grupo de intervenção apresentou diferenças estatisticamente significativas quanto aos sinais vitais (exceto pressão arterial diastólica), tempo de ventilação mecânica e quantidade de midazolam sob demanda, com o grupo de intervenção apresentando frequências cardíaca, respiratória e pressão arterial sistólica mais baixa, saturação de oxigênio mais alta, menor tempo de ventilação mecânica e menor uso de midazolam sob demanda. Também houve diferença estatisticamente significativa com relação a essas variáveis antes e após a realização da intervenção.

O que pode mudar na prática?

Apesar de o estudo ter uma série de limitações metodológicas, os resultados são interessantes e sugerem a necessidade de investigações mais aprofundadas sobre a questão. Ter opções não medicamentosas para reduzir o estresse das crianças com doenças graves pode ser benéfico e deve ser encarada como prioridade por quem cuida dessas crianças.

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Autora:

Referências bibliográficas:

  • Jarvis, J. M., & Fink, E. L. (2020). A Note on Comfort in Pediatric Critical Care: Music and Mechanical Ventilation. Pediatric critical care medicine: a journal of the Society of Critical Care Medicine and the World Federation of Pediatric Intensive and Critical Care Societies, 21(1), 105.
  • Liu, M. H., Zhu, L. H., Peng, J. X., Zhang, X. P., Xiao, Z. H., Liu, Q. J., … & Latour, J. M. (2019). Effect of Personalized Music Intervention in Mechanically Ventilated Children in PICU: A Pilot Study. Pediatric Critical Care Medicine.

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