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Transtorno do Espectro Autista: Como tratar distúrbios do sono segundo a nova diretriz?

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Os distúrbios de sono em pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) são muito comuns e persistentes, atingindo 44% a 83% das crianças segundo alguns estudos. Esse distúrbios incluem insônia (inicial, mediana e terminal), padrões irregulares de sono, poucas horas de sono e noites sem dormir. A presença de comorbidades como depressão, ansiedade, doença do refluxo gastroesofágico, epilepsia, psicose, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e outros podem piorar esses distúrbios.

O tratamento dos distúrbios de sono ainda é um desafio. Este ano, a American Academy of Neurology (Academia Americana de Neurologia) publicou as Diretrizes Práticas para Tratamento de insônia e distúrbios do sono nas crianças e adolescentes com TEA na revista Neurology. Nesta resenha, descreveremos os pontos mais importantes dessa diretriz.

menino com transtorno do espectro autista e sono

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Distúrbios do sono no transtorno do espectro autista

Essa diretriz fez uma revisão sistemática que incluiu estudos europeus e norte-americanos publicados até dezembro de 2017 envolvendo menores de 18 anos de idade e visou responder a seguinte pergunta: “Em crianças e adolescentes com TEA, quais medidas farmacológicas, comportamentais e de Medicina alternativa melhoram (1) a resistência à hora de dormir, (2) a latência para iniciar o sono, (3) a continuidade do sono, (4) o tempo total de sono (analisado em duas categorias: número de despertares durante o sono e eficiência do sono) e (5) o comportamento diurno?”

A diretriz também elaborou recomendações práticas a partir dos resultados da revisão sistemática e do consenso entre os especialistas.

Resultados da revisão sistemática

De 1.987 resumos de artigos revisados, somente oito artigos preencheram os critérios de inclusão da revisão sistemática.

Para reduzir a resistência à hora de dormir e a latência para iniciar o sono assim como aumentar a continuidade do sono e o tempo total de sono, os estudos observaram que o uso de melatonina isolado ou associado à Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) foi provavelmente efetivo, e o uso isolado de TCC foi possivelmente efetivo.

Mais intervenções pareceram ser efetivas para aprimorar a eficiência do sono, sendo que o uso de melatonina isolado ou associado à TCC foi provavelmente efetivo, e o uso isolado de TCC, panfletos educacionais para pais e a tecnologia Sleeps Sound-to-Sleep System foram possivelmente efetivos. A Sleeps Sound-to-Sleep System consiste na colocação de ressonadores personalizados na cama do paciente que são acoplados a um aparelho de música tipo MP3, CD player, iPad ou iPod, e, ao ser ligado a um desses aparelhos, promove vibrações sensoriais relaxantes com intuito de induzir o sono.

A tecnologia Sleeps Sound-to-Sleep System foi possivelmente inefetiva para melhorar o tempo total de sono assim como para reduzir despertares noturnos e o tempo de latência para início do sono.

Para reduzir a latência para iniciar o sono, para aprimorar eficiência do sono e o tempo total de sono, não existiu evidência suficiente que o treinamento comportamental dos pais específico para sono beneficie os pacientes.

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Outro dispositivo mencionado foi o weighted blancket (“cobertor pesado”), que é um cobertor que promoveria o relaxamento e um efeito calmante nas crianças com TEA. Esse cobertor tem alto custo no Brasil e é pouco disponível.

Segundo a análise da diretriz, o uso desses cobertores é possivelmente inefetivo para redução da latência para iniciar o sono e dos despertares noturnos assim como para melhorar a eficiência e o tempo total do sono. O uso dos weighted blanckets também foi possivelmente inefetivo na melhora do comportamento diurno.

Não foram observadas medidas com efetividade na mudança do comportamento diurno. A melatonina de liberação prolongada é possivelmente inefetiva na mudança de comportamento diurno. E não há estudos suficientes para avaliar se a tecnologia Sleeps Sound-to-Sleep System promove algum efeito no comportamento diurno.

A educação parental feita de forma individual comparada a feita em grupo foi possivelmente inefetiva na alteração da latência para iniciar o sono, para a eficiência do sono, no tempo total de sono e nos despertares noturnos. Um pacote de medidas educacionais para pais também foi possivelmente inefetiva na alteração da latência para início do sono e nos despertares noturnos.

Recomendações resumidas da diretriz

Diante de crianças e adolescentes com TEA e distúrbio de sono, deve-se avaliar a presença de comorbidades que podem contribuir para o distúrbio do sono, tratá-las adequadamente e avaliar se alguma das medicações em uso pode atrapalhar o sono. Se for necessário, ajustar a terapia medicamentosa. Estratégias comportamentais devem ser o tratamento de primeira linha de forma isolada ou associada ao uso de melatonina.

A prescrição de melatonina deve ser considerada se os pacientes não se beneficiaram das estratégias comportamentais e se há comorbidades. A melatonina via oral deve ser iniciada em dose baixa (1 a 3 mg/dia) 30 a 60 minutes antes da hora de dormir e titular o efeito, não excedendo 10 mg/dia. Os efeitos colaterais da melatonina devem ser considerados e discutidos com os pais.

A diretriz orienta que os clínicos devem esclarecer os pais que não há evidência que apoie o uso rotineiro dos dispositivos Sleeps Sound-to-Sleep System e weighted blancket para os distúrbios de sono, mas relatar que os estudos não mostraram efeitos colaterais importantes.

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Conclusão

A diretriz em foco traz importantes recomendações para o adequado tratamento dos distúrbios de sono nas crianças e adolescentes com TEA baseada na revisão sistemática inclusa na mesma. Essa revisão sistemática incluiu estudos até dezembro de 2017 e somente oito estudos preencheram seus critérios de inclusão, provavelmente se nova pesquisa fosse feita atualmente mais estudos seriam incluídos e teria maior poder de evidência.

É ressaltada a importância de avaliar a existência de comorbidades e seu adequado tratamento para atenuar os distúrbios do sono assim como avaliar a necessidade de ajuste das medicações em uso. A Terapia Cognitivo Comportamental é recomendada como primeira linha de tratamento isolada ou associada ao uso de melatonina.

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Referências bibliográficas:

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