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Tratamento para hepatite C com cirrose reduz, mas não normaliza, pressão na veia porta

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Recentemente publicado no Gastroenterology, um estudo observacional prospectivo investigou as alterações hemodinâmicas após a resposta virológica sustentada (RVS) em pacientes com hipertensão portal clinicamente significativa (gradiente de pressão venosa hepática > 10 mmHg). Adicionalmente, os autores analisaram se avaliações de rigidez hepática podem descartar a presença dessa condição.

Para a análise, foram incluídos pacientes com infecção pelo vírus da hepatite C (VHC) e cirrose submetidos à terapia antiviral oral livre de interferon em seis unidades hepáticas localizadas na Espanha. Como critérios de inclusão foram considerados presença de hipertensão portal clinicamente significativa (dentro de seis meses antes do tratamento antiviral oral) e obtenção da RVS.

A maioria dos pacientes era do sexo masculino (53%) e a média de idade foi de 60 anos (faixa de 40-83). Em relação à doença hepática, 66 pacientes (29%) apresentaram pelo menos um episódio prévio de descompensação e 47 pacientes (21%) foram Child-Pugh B. Daqueles com dados disponíveis (n=210), 75% tinham varizes esofágicas. Em relação ao genótipo, cerca de 70% dos pacientes apresentaram o genótipo 1b. Quase metade da coorte falhou a um tratamento antiviral prévio.

Em geral, o gradiente de pressão venosa hepática diminuiu de 15 (intervalo interquartil [IQR]: 12-18) antes do tratamento para 13 (IQR: 10-16) mmHg após a RVS (redução de 2,1 ± 3,2 mmHg, p<0,01). No entanto, a hipertensão portal clinicamente significativa persistiu em 78% dos casos. Foi observado que o gradiente de pressão venosa hepática diminuiu ≥10% em relação à linha de base em 140 pacientes (62%).

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O nível basal de albumina < 3,5 g/dL foi o único fator negativo associado à redução do gradiente de pressão venosa hepática de 10% ou mais.

A avaliação de rigidez hepática diminuiu de 27 (20-37) kPa antes do tratamento para 18 (14-28) kPa após RVS (p<0,05). Um terço dos pacientes com redução na avaliação de rigidez hepática para < 13,6 kPa após a RVS ainda apresentava hipertensão portal clinicamente significativa.

Um maior gradiente de pressão venosa hepática na linha de base e menor diminuição na avaliação de rigidez hepática após o tratamento foram associadas à persistência de hipertensão portal clinicamente significativa após RVS.

A hemodinâmica sistêmica melhorou após RVS. Curiosamente, a hipertensão pulmonar esteve presente em 13 pacientes na linha de base e em 25 após a RVS, embora apenas três pacientes tenham aumentado a resistência pulmonar.

A RVS reduziu significativamente o gradiente de pressão venosa hepática, em comparação com antes do tratamento. No entanto, a hipertensão portal clinicamente significativa persistiu na maioria dos pacientes apesar da RVS, indicando risco de descompensação.

Como conclusão, a RVS para regimes antivirais orais está associada à redução na pressão portal em pacientes com hipertensão portal clinicamente significativa na linha de base. Apesar desta redução, a hipertensão portal clinicamente significativa continuou na maioria dos pacientes (~80%), podendo estar relacionado a um risco persistente de eventos relacionados ao fígado durante um período de tempo indeterminado.

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Autora:

Referências:

  • Lens S, Alvarado E, Mariño Z, Londoño M-C, LLop E, Martinez J, Fortea JI, Ibañez L, Ariza X, Baiges A, Gallego A, Bañares R, Puente A, Albillos A, Calleja JL, Torras X, Hernández-Gea V, Bosch J, Villanueva C, Forns X, García-Pagán JC, Effects of All-oral Anti-viral Therapy on HVPG and Systemic Hemodynamics in Patients with Hepatitis C Virus-associated Cirrhosis, Gastroenterology (2017), doi: 10.1053/j.gastro.2017.07.016.

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