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Criança em emergência pediátrica em uso de cetamina intranasal

Uso de cetamina intranasal na dor aguda em setor de emergência pediátrica

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A dor aguda é um dos sintomas mais frequentes em pacientes pediátricos admitidos em departamentos de emergência. Portanto, lidar com a dor de forma rápida e adequada faz parte dos cuidados diários em um pronto-socorro (PS) infantil.

Em pediatria, a administração de medicamentos por via intranasal (IN) é comum e facilmente acessível. Para o tratamento da dor moderada a grave, os opioides são as drogas de escolha, todavia, devido às inúmeras complicações decorrentes de seu uso, é desejável a disponibilidade de medicações alternativas, como a cetamina.

A cetamina é um excelente sedativo para procedimento em crianças, além de ser um analgésico eficaz. Em doses baixas, a cetamina fornece analgesia dissociativa, sem sedação significativa e, por via IN, pode ser considerada uma opção para o manejo da dor aguda em crianças.

Eficácia da cetamina intranasal

Para avaliar a eficácia e a segurança da cetamina em dose analgésica IN em comparação ao fentanil IN para o manejo da dor aguda em pediatria, pesquisadores da Mayo Clinic, em Minnesota, Estados Unidos, conduziram uma revisão sistemática com meta-análise, publicada no American Journal of Emergency Medicine.

Foram avaliados os bancos de dados PubMed, Embase e Scopus para estudos randomizados controlados até dezembro de 2019. A meta-análise foi feita com modelos de efeitos aleatórios para avaliar redução da dor, analgesia de resgate, eventos adversos e sedação entre cetamina IN e fentanil IN. Modelos de efeitos aleatórios foram usados ​​para estimar diferenças de média ponderada (weighted mean differences – WMD) e riscos relativos agrupados (RR).

Leia também: Cetamina x fentanil: qual fármaco é mais eficaz na analgesia em crianças?

Estudos

Foram selecionados 546 estudos, todavia, quatro ensaios foram incluídos, totalizando 276 pacientes com dor aguda no PS resultante, principalmente, de lesões em extremidades. As doses administradas foram: cetamina (1,0–1,5 mg/kg) ou fentanil (1,5–2,0 μg/kg).

Os pesquisadores observaram que a redução da dor foi quase idêntica em pacientes que receberam cetamina ou fentanil aos 15, 30 e 60 minutos após o tratamento [10 a 15 minutos: WMD -1.42, intervalo de confiança de 95% (IC95%) -9.95 a 7.10; 30 minutos: WMD 0.40, IC95% -6.29 a 7.10; 60 minutos: WMD -0.64, IC95% -6.76 to 5.47). A necessidade de analgesia de resgate também foi quase idêntica [RR 0,74, intervalo de confiança de 95% (IC 95%) 0,44-1,25].

A cetamina mostrou um risco maior de eventos adversos não graves (84% versus 41%) (RR 2,00, IC 95% 1,43 a 2,79). Os eventos mais frequentes com cetamina em dose analgésica foram tonturas, gosto desagradável e sonolência. A tontura ocorre, provavelmente, devido ao bloqueio do receptor NMDA na orelha interna e nos núcleos vestibulares. No entanto, nenhum paciente que recebeu cetamina teve um evento adverso sério.

Hipotensão (evento adverso sério) ocorreu com o uso de fentanil, mas houve melhora espontânea. Além disso, a porcentagem de pacientes que experimentaram sedação leve foi maior com a cetamina (54% versus 29%). Nenhum paciente que recebeu cetamina ou fentanil IN apresentou sedação significativa.

Os pesquisadores demonstraram que tanto a cetamina quanto o fentanil apresentam um bom perfil de segurança, inclusive o fentanil mostrou a ocorrência de menos efeitos adversos leves do que a cetamina. Além disso, a dose analgésica de cetamina IN mostrou ser tão eficaz quanto a de fentanil IN para o tratamento da dor aguda em crianças em PS, o que permite o uso de um medicamento com tolerabilidade de eventos adversos não graves e uma analgesia poupadora de opioides. Ademais, o uso de cetamina pode ser uma boa opção para o tratamento da dor em pacientes que falharam com outros analgésicos ou que têm alergias múltiplas ou instabilidade hemodinâmica.

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