Uso de Remdesevir em crianças com Covid-19

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A pandemia trouxe inúmeros desafios para todos os profissionais de saúde, incluindo aqueles que cuidam de crianças. Apesar das baixas taxas de hospitalização de crianças com Covid-19 comparadas com os adultos, cerca de 1 a cada 3 crianças hospitalizadas necessitam de recursos de terapia intensiva, uma proporção semelhante aos dos pacientes maiores, indicando que crianças adoecem gravemente e necessitam de suporte específico. 

Diversos protocolos têm sido estudados com pacientes adultos, mas ainda não existem protocolos de tratamento específicos para crianças. Medidas de suporte são utilizadas na maioria dos casos, mas como o prognóstico pode ser bem ruim em alguns casos, outras terapias são buscadas de forma a melhorar a evolução desses pacientes. 

Estudos com uso do Remdesevir, uma antiviral análogo de nucleotídeo que inibe a RNA polimerase de diversos vírus, incluindo o SARS-CoV-2, têm sido realizados na população adulta. Alguns estudos mostram que o uso desse tratamento em pacientes graves, por 5 ou 10 dias, pode ter benefício em reduzir o tempo para recuperação dos pacientes com doença moderada a grave, embora não se tenha demonstrado benefícios com relação ao tempo de hospitalização e a mortalidade. 

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Estudos com crianças com Covid-19

Um estudo publicado na revista Pediatrics de maio de 2021 analisa resultados do uso do remdesevir em 77 pacientes pediátricos hospitalizados com Covid-19, nos Estados Unidos e Europa. Embora não seja um estudo para avaliação da eficácia da medicação nessa população, é apresentado como um estudo que fornece uma contribuição inicial com relação a segurança da medicação para as crianças e traz novos dados a respeito das características clínicas da doença pediátrica grave.

Os pacientes incluídos no estudo estiveram hospitalizados com Covid-19 grave, com confirmação de infecção viral realizada com o PCR (polymerase chain reaction). Os pacientes foram incluídos a partir de hospitais que aceitaram a realização dos protocolos instituídos pelo grupo de pesquisa, sendo excluídos pacientes com insuficiência renal, sinais de lesão hepática grave ou evidências de falência múltipla de órgãos.  

Os pacientes com mais de 40 kg receberam uma dose de ataque de 200 mg endovenosa no primeiro dia, com doses subsequentes de 100 mg nos dias seguintes. Os pacientes com menos de 40 kg receberam uma dose de ataque de 5 mg/kg endovenosa no primeiro dia, com doses subsequentes de 2,5 mg/kg nos dias seguintes. O protocolo instituiu uso da medicação por 10 dias, sem uso de outras terapias experimentais para Covid-19 de forma concomitante. 

Os pacientes foram acompanhados por 28 dias após o início da medicação, ou até que a alta hospitalar ou morte ocorressem. Não houve desfechos específicos avaliados pelo estudo, uma vez que se trata de estudo preliminar. Apesar disso, foram avaliados dados relacionados aos desfechos clínicos dos pacientes, como segurança da medicação, necessidade de suporte respiratório, alta hospitalar e recuperação. 

 Resultados dos pacientes pediátricos

A média de idade dos pacientes incluídos foi de 14 anos (intervalo de 2 meses a 17 anos), com 60% dos pacientes do sexo masculino. Um total de 39 pacientes (51%) necessitou de suporte ventilatório invasivo, sendo que 1 paciente precisou de ECMO (oxigenação por membrana extra-corpórea). Os pacientes que não necessitaram de suporte respiratório invasivo, em sua maioria, precisaram de outro tipo de suporte ventilatório (ventilação não invasiva por pressão positiva, cateter nasal de alto fluxo, cateter nasal com baixo fluxo), com apenas 8 pacientes em ar ambiente durante a internação. 

A maioria das crianças (79%) apresentava alguma doença de base, incluindo asma, obesidade, alterações neurológicas, doenças hematológicas ou prematuridade. Com relação ao uso do Remdesevir, 62% das crianças receberam as 10 doses preconizadas da medicação. 

 No 28° dia de avaliação, 83% dos pacientes apresentaram recuperação do quadro. 79% dos pacientes com ventilação invasiva haviam sido extubados, e 87% dos pacientes com suporte ventilatório não invasivo se encontravam em ar ambiente. Cerca de 73% dos pacientes haviam tido alta hospitalar no dia 28 de avaliação. Além disso, a maioria dos pacientes haviam apresentado uma melhora da classificação do quadro clínico, medida pela escala ordinal modificada, de pelo menos 1 categoria. Houve óbito de 4 pacientes, 2 de cada grupo ventilatório. 

Na análise de regressão multivariada, os pesquisadores encontraram que os pacientes com ventilação invasiva e pacientes mais jovens (≤ 12 anos) tiveram tempo maior para recuperação da doença (p-valor de 0,0035 e 0,016, respectivamente). 

Com relação aos efeitos colaterais do Remdesevir, 32% dos pacientes apresentaram pelo menos 1 efeito colateral, com proporção maior desses eventos nos pacientes mais graves (com necessidade de ventilação invasiva). Os efeitos colaterais mais comuns foram o aumento das transaminases e anemia. Alterações renais (hematúria, nefropatia tóxica, insuficiência renal) foram descritas, mas em nenhum caso foram atribuídas ao uso da medicação ou indicaram sua suspensão. Cinco pacientes necessitaram suspender o uso da medicação devido a algum evento adverso, como aumento de transaminases, exantema ou recaída de leucemia linfoide aguda. 

O estudo apresenta importância por ser o primeiro a avaliar o uso do remdesevir num grupo grande de crianças. Não devemos esquecer, porém, que devido às limitações do desenho do estudo, não é possível avaliar se a medicação teve contribuição na melhora das crianças incluídas no estudo. Além disso, o tempo de acompanhamento foi curto para avaliar potenciais efeitos colaterais a longo prazo. Apesar disso, o uso do remdesevir parece seguro nessa faixa etária, e mais estudos são necessários para avaliar benefício do uso dessa medicação no tratamento da Covid-19 grave em crianças.

Autor(a): 

Referência bibliográfica:

Goldman DL, Aldrich ML, Hagmann SHF, et al. Compassionate Use of Remdesivir in Children With Severe COVID-19. Pediatrics. 2021;147(5):e2020047803

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