Vacina da Rússia contra Covid-19 induziu resposta imune, segundo estudos preliminares

Hoje, o periódico científico The Lancet publicou os resultados dos estudos preliminares da vacina contra Covid-19 produzida na Rússia.

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A corrida por uma vacina eficaz contra o SARS-CoV-2 continua a todo vapor. Hoje, o periódico científico The Lancet publicou os resultados dos estudos preliminares da vacina contra Covid-19 produzida na Rússia, que está sendo chamada de Sputnik V. Segundo a publicação, a vacina não só induziu resposta imune, como teve segurança confirmada.

A Sputnik V consiste em dois componentes: um vetor de adenovírus recombinante tipo 26 (rAd26) e um vetor de adenovírus recombinante tipo 5 (rAd5), ambos carregando o gene do SARS-CoV-2.

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Ampolas da vacina contra a Covid-19 em teste na Rússia

Vacina contra a Covid-19

Os pesquisadores realizaram dois estudos de fases 1 e 2, ambos abertos e não randomizados, em hospitais da Rússia, para avaliar a segurança e imunogenicidade das formulações congelada e liofilizada da vacina.

Foram incluídos pacientes adultos saudáveis (18-60 anos) e, na fase 1, foi administrada uma dose de rAd26-S ou uma dose de rAd5-S no dia zero para acompanhar a segurança dos componentes durante 28 dias. Na segunda fase, foi administrada por via intramuscular uma vacinação primária-reforço com rAd26-S no dia zero e rAd5-S no dia 21.

Os desfechos primários foram a produção de anticorpos específicos para SARS-CoV-2, medidos por ELISA, nos dias 0, 14, 21, 28 e 42 e segurança, a partir do acompanhamento de eventos adversos nos participantes ao longo do estudo.

Os desfechos secundários foram imunidade celular específica ao antígeno (respostas de células T e concentração de interferon-γ) e alteração nos anticorpos neutralizantes, detectados com ensaio de neutralização.

Saiba mais: Vacina contra Covid-19: como profissionais de saúde podem participar dos testes?

Resultados

Entre 18 de junho e 3 de agosto de 2020, foram incluídos 76 pessoas nos dois estudos (38 em cada). Ambas as formulações da vacina foram seguras e bem toleradas. Os efeitos colaterais mais comuns foram dor local (44; 58%), hipertermia (38, 50%), dor de cabeça (32, 42%), astenia (21, 28%) e dores musculares e articulares (18, 24%). Nenhum evento adverso considerado sério foi detectado.

Todos os participantes produziram anticorpos para SARS-CoV-2. No dia 42, a taxa de seroconversão foi de 100%, sendo: títulos de IgG específicos eram 14.703 com a formulação congelada e 11.143 com a formulação liofilizada, e os anticorpos neutralizantes eram 49,25 com a formulação congelada e 45,95 com a formulação liofilizada.

As respostas mediadas por células foram detectadas em todos os participantes no dia 28, com proliferação celular média de 2 · 5% CD4+ e 1 · 3% CD8+ com a formulação congelada, e uma proliferação celular média de 1 · 3% CD4+ e 1 · 1% CD8+ com a formulação liofilizada.

Conclusões

A vacina, apesar de induzir resposta imune forte e provavelmente de longo prazo, quando consideramos a produção de células T, ainda precisa de novos testes para comprovação da eficácia. Por terem sido estudos não randomizados e abertos, a qualidade da evidência acaba sendo um pouco mais baixa que ensaios clínicos controlados.

Ainda assim, por ter apresentado efeitos colaterais leves, os resultados são promissores e os testes devem ser realizados em grupos maiores antes da aprovação.

Você pode obter mais informações sobre Covid-19 na nova edição da Revista PEBMED

Vacina russa no Brasil

No Brasil, o governo do Paraná já havia anunciado uma parceria para produzir a vacina russa e testar, em estudos de fase 3, em voluntários locais. Porém, o pedido de autorização ainda não foi enviado para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por isso, a estimativa é que ainda leve pelo menos um mês para que os estudos possam começar.

Se autorizada pela Anvisa, a vacina da Rússia será a quinta contra Covid-19 em testes no Brasil.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referência bibliográfica:

  • Logunov DY, et al. Safety and immunogenicity of an rAd26 and rAd5 vector-based heterologous prime-boost COVID-19 vaccine in two formulations: two open, non-randomised phase 1/2 studies from Russia. The Lancet. September 04, 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)31866-3
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