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Vacina para prevenção da clamídia passa por fase de testes

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Em sua última edição, de agosto de 2019, a revista The Lancet Infectious Diseases publicou um artigo relatando o início dos testes da vacina contra clamídia em humanos. Mas por que os olhos da comunidade científica se voltaram para essa publicação?

Primeiramente, Chlamydia trachomatis é uma bactéria gram-negativa transmitida sexualmente que causa infecção em todo o mundo. Os casos assintomáticos são reservatórios para uma fonte continua de transmissão. A infecção por esse gram-negativo pode resultar em gravidez ectópica e infertilidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima prevalência de 100 milhões de casos ao redor do mundo.

Além disso, infecções crônicas e repetidas são comuns, ilustrando a necessidade para uma vacina eficaz. Ao iniciar teste em humanos, significa que foi aprovada em testes pré-clínicos, ou seja, aspectos de segurança são avaliados em animais de experimentação antes da aplicação em seres humanos. Quando está pronta para ser testada no ser humano, as fases de investigação clínica iniciam-se. A pesquisa clínica é usualmente classificada em quatro fases: I, II, III e IV.

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A fase I de testes da vacina para clamídia refere-se ao uso do medicamento pela primeira vez em um ser humano, geralmente um indivíduo saudável e que não tem a doença para a qual o medicamento está sendo estudado. Neste momento são avaliadas diferentes vias de administração e diferentes doses, realizando-se testes iniciais de segurança e de interação com drogas. Cerca de 20 a 100 indivíduos participam dessa fase.

The Lancet Infectious Diseases relatou resultados de segurança e imunogenicidade da parte I do estudo em humanos da vacina CTH522, contendo segmentos da proteína da membrana externa da clamídia (MOMP). Nessa pesquisa, 36 participantes receberam CTH522 com sistema adjuvante lipossômico CAF01 ou hidróxido de alumínio três vezes por injeção intramuscular, seguido de duas inoculações intranasais sem adjuvante.

A estruturação da vacina com MOMP e CAF01 é importante para sua imunogenicidade, visto que a MOMP constitui 60% das proteínas totais da membrana externa e mostra função de porina, bem como adesão eletrostática. Ademais, antígenos proteicos podem não induzir respostas imunes em humanos e requerem a adição de um sistema adjuvante para assegurar a ativação do sistema imune. O adjuvante CAF01 induz resposta vigorosa de células T específicas de antígeno.

Na referida publicação, ambas as vacinas foram bem toleradas e imunogênicas, mas CTH522:CAF01 induziu mais respostas mediadas por células e títulos consistentes e maiores de anticorpos séricos do que CTH522 com adjuvante com hidróxido de alumínio.

Agora, resta a comunidade científica aguardar os achados das outras fases clínicas e avaliações da resposta imune em grupos de tratamento comparáveis. Duração mais curta da infecção e menor carga bacteriana é observada em animais de experimentação. A resposta imune e característica da doença em humanos é um desafio para eficácia da vacina no futuro.

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Autor:

Referências bibliográficas: 

  • Poston, T.B.; Darville T. First genital chlamydia vaccine enters in-human clinical trial. Lancet Infect Dis 2019;
  • Hafner, L.M. Timms P. Development of a Chlamydia trachomatis vaccine for urogenital infections: novel tools and new strategies point to bright future prospects. Expert Review of Vaccines, 2018 VOL. 17, NO. 1, 57–69;
  • De la Maza LM, Zhong G, Brunham RC. Update on Chlamydia trachomatis Vaccinology. Clin Vaccine Immunol. 2017 Apr 5;24(4).
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