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Como eu me tornei a Enfermeira que eu queria ser?

O ano era 2004, eu estava no 3º ano do ensino médio com meus 17 anos de idade. Quem nessa idade já possui certeza do que quer ser a vida toda? Não conheço ninguém até hoje. Mas, lá estava eu, a caminho da sala da pedagoga para o famigerado “Teste vocacional”. A única certeza que eu tinha em mente, era que eu gostava de cuidar do próximo. Gente, existem TANTAS formas de cuidar do próximo. Eu morava em uma cidade pequena do interior do Rio de Janeiro. Poucas possibilidades para as pessoas. A primeira pergunta do meu teste foi sobre o que eu me sentia confortável fazendo. E eu, prontamente respondi: Cuidar de pessoas. Qual não foi minha surpresa, quando o resultado do meu teste vocacional mostrou MEDICINA. Eu não fazia ideia do tanto de profissões que podem cuidar de pessoas, direta ou indiretamente. Isso não me foi mostrado na época. E assim como 90% das pessoas nesse planeta, eu também não tinha noção que Enfermagem era um curso de nível superior. Não sabia que existiam Técnicos de Enfermagem e Enfermeiros em um hospital. Pra mim, todos eram enfermeiros, ponto.

O momento de me inscrever no vestibular chegou e, claro, me inscreveram em medicina. Eu com ZERO certeza do que queria fazer da vida, nem estudando pra passar numa Universidade eu estava, ainda mais para medicina, um curso extremamente concorrido. Mas lá fui eu, com a cara e a coragem, fazer a prova. Eu fui aprovada em duas Universidades Publicas, mas não dentro do total de vagas. E quando o resultado veio, eu senti um alívio porque eu ainda não sabia o que eu queria fazer. Quando em 2006 eu decidi e descobri o que queria fazer, me inscrevi em Enfermagem com muita certeza no coração. Nesse momento, pareço romantizar e estou mesmo, mas quero deixar claro que eu ainda não sabia o que estava por vir e nem o que eu iria descobrir ao longo da minha formação.

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Eu passei para uma Universidade Publica, estudando em casa e sozinha. Me senti muito orgulhosa quando vi o resultado. Mas infelizmente, eu não tinha grana pra bancar minha vida na cidade grande. Meu sonho teve que ser adiado por um tempo. Tranquei a faculdade. Em 2008 eu pedi transferência para outra universidade publica, em uma cidade que eu tinha amigos e familiares que poderiam me ajudar no processo todo. E em 2009 eu consegui que o processo fosse deferido. Dei start na minha faculdade e me apaixonei imediatamente por tudo o que estava vivendo e aprendendo. Eu me entreguei à Enfermagem por inteiro.

Durante todos os anos eu ouvia: “Calma que esse amor todo vai passar”. Assim que você começar a trabalhar, vai ver como as coisas são de verdade. E eu sempre muito decidida sobre minha escolha profissional e minha certeza em seguir pela área de Pediatria e Neonatologia. Sempre soube qual especialidade gostaria de seguir, mas me deixei muito aberta a conhecer e aprender todos os setores do hospital. Eu queria aprender… quanto mais, melhor! Mas nunca me disseram, dentro da Academia, quais rumos eu poderia trilhar sendo enfermeira. A gente sai da Faculdade com uma visão totalmente voltada para o cuidado prático, hospitalar, pré-hospitalar, atenção primária. Pouco ou quase nada se falava sobre empreendedorismo na enfermagem. Autonomia do enfermeiro? Consultórios de Enfermagem? Enfermagem tecnológica? Nada. Eu sempre gostei de ter autonomia na vida. Sempre amei tecnologia. Lembro de ter estruturado um formato de aplicativo em uma disciplina da faculdade, que obviamente ficou só no papel. Mas era muito interessante, uma pena.

Enfim, a vida foi seguindo e eu cada vez amando mais a área de saúde da criança. Me decidi pela residência em Neonatologia e fui atrás do sonho. Passei em uma das mais concorridas residências do Estado. Me apaixonei completamente. Foram os 2 anos mais intensos da minha vida. Não conseguia me ver fazendo outra coisa, que não fosse estar dentro de uma UTI neonatal. Me entreguei de corpo e alma, literalmente. Me formei na residência e comecei logo a trabalhar em duas UTIs Neonatais. Em 5 anos como Neonatologista e trabalhando de forma incansável dentro de duas UTIs, eu parecia já estar atuando há mais de 10 anos, tamanho era meu cansaço e entrega. E o reconhecimento, a valorização… eles vinham a passos de tartarugas. Isso desgasta o profissional que ama o que faz. O tempo todo eu ouvia: “Nossa, você é tão inteligente, tão boa… devia ter feito medicina.” Ou então, algo do tipo: “Caramba, achei que você era a médica.” Isso causa decepção na gente, não orgulho. Se eu sou boa profissional, eu não posso ter minha profissão valorizada? Injusto. Mas mesmo assim, eu queria mais. Eu buscava mais dentro da minha profissão escolhida a dedo e com tanto amor.

Passei no Mestrado e quis falar sobre o uso das Tecnologias na Saúde. Por que não, misturar dois assuntos que eu gosto tanto? Me senti abraçada. E mais ainda, porque nesse mesmo período eu estava começando a atuar de forma independente e autônoma, realizando consulta de enfermagem à Gestantes e lactantes no domicílio. Pouco depois, abri consultório com uma sócia. Foi esplêndido! Mas minha cabeça borbulhava com ideias de aplicativos e tecnologias voltadas à saúde. Não consegui dar continuidade nesse projeto. Eu queria ir além. Foi quando no finalzinho de 2018, os donos da PEBMED me chamaram para uma conversa e, após vários papos, demos start no projeto NURSEBOOK. Na época, nem nome tinha. Um aplicativo inteiramente voltado para o Enfermeiro. Conseguem imaginar a minha felicidade? Eu estava radiante e me sentindo completa dentro da minha profissão. Só que agora, com um desafio ainda maior: como unir a Enfermagem com a área de tecnologia? Isso é algo que não nos ensinam nas Universidades. Inúmeros termos, conceitos, que eu não tinha a menor noção do que era. Eu saia do meu emprego como Enfermeira Rotina de um setor de hemato-pediatria de um hospital Federal, direto para uma sala de reuniões de uma empresa, colaborando na construção de um aplicativo. Eu agora era também, a Editora-chefe Técnica do Nursebook!! Foram meses de muitos estudos e de muita confusão pessoal, até entender que o que eu estava vivenciando era um universo muito mais profundo dentro da minha profissão e que eu queria muito explorar ao máximo.

Nesse meio tempo, entre terminar o mestrado, trabalhar em hospital publico e me descobrir dentro de uma empresa construindo um aplicativo, eu engravidei e no final de 2019 minha pequena nasceu. Tínhamos o Nursebook encorpando, tomando forma, ficando cada vez mais conhecido… então veio a pandemia e tudo o que foi modificado com ela. Foi o momento da maior e melhor decisão da minha vida: não voltaria para o hospital após o término da minha licença maternidade. Eu queria empreender!

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E foi assim que eu me tornei a Enfermeira que eu sempre quis ser… mergulhando de cabeça num universo totalmente desconhecido pra mim e para tantos recém enfermeiros nesse nosso Brasil. Buscando conhecer e explorar novas possibilidades. Ser enfermeiro vai muito além de “cuidar de pessoas”. Podemos fazer isso de diversas formas. Hoje eu ainda cuido de pessoas. De uma forma indireta, mas cuido. E sou muito feliz por ajudar a salvar vidas todos os dias, através do nosso app. Se eu posso deixar um pequeno conselho a todos os aspirantes a Enfermeiros e recém formados, seria: busque sempre sair da sua zona de conforto. Não se acomode. Não trabalhe buscando ser valorizado e reconhecido. Encontre uma profissão que te dê satisfação em fazer todos os dias, o que você faz, sem que precise ficar se autoafirmando. Nossa profissão é excepcional e temos muitas maneiras de atuar. Conheça todas e explore todas as possibilidades que a Enfermagem pode lhe fornecer.

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