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estetoscópio em cima de uma prescrição médica

Você sabia que a macroprolactina pode ser causa de elevação de prolactina?

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A prolactina é um hormônio secretado pela adeno-hipófise, responsável principalmente pelo estímulo da produção de leite pelas glândulas mamárias. A elevação da prolactina (hiperprolactinemia) pode causar alteração menstrual (oligomenorreia, amenorreia), infertilidade, redução da libido, impotência sexual, ginecomastia e galactorreia.

As principais causas de hiperprolactinemia são: gravidez, amamentação, causas farmacológicas, hipotireoidismo primário, insuficiências renal e hepática e adenomas hipofisários produtores de prolactina (prolactinomas).

Microprolactinoma é um adenoma hipofisário menor que 1cm produtor de prolactina e macroprolactinoma, maior que 1cm. Macroprolactinomas podem causar cefaleia, alteração visual (por compressão do quiasma óptico) e hipopituitarismo (deficiência dos hormônios hipofisários por lesão da hipófise normal).

A dopamina é um neurotransmissor que está envolvido com a inibição da secreção hipofisária de prolactina. O uso de medicamentos antagonistas dopaminérgicos são causas de elevação de prolactina, tais como antipsicóticos (exemplo: clorpromazina, haloperidol, risperidona, sulpirida) e anti-eméticos, como a metoclopramida. Outras medicações também estão relacionadas ao aumento da prolactina, tais como a metildopa, verapamil, estrógenos e opiáceos.

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Não devemos confundir macroprolactina ou macroprolactinemia com macroprolactinoma. Como já dito, macroprolactinoma é um adenoma hipofisário maior que 1cm produtor de prolactina. Macroprolactina (ou big-big-prolactin) é uma isoforma da prolactina com maior peso molecular, devido à ligação da prolactina a imunoglobulina/ anticorpo antiprolactina. Desta forma, por definição a macroprolactinemia é uma elevação sérica da macroprolactina. A macroprolactina tem baixa atividade biológica.

É recomendável que em situações de elevação de prolactina sérica, especialmente quando o quadro clínico é frustro, que se solicite pesquisa de macroprolactina. Alguns laboratórios já fazem de rotina. O método de rastreamento mais comum é o de precipitação da macroprolactina com polietilenoglicol (PEG). A adição do PEG à amostra do paciente ajuda a precipitar a macroprolactina e em seguida, realiza-se dosagem de prolactina sérica no sobrenadante.

Compara-se o novo valor de prolactina com o anterior, para de determinar a porcentagem de recuperação do hormônio. Quanto menos recuperar, mais macroprolactina a amostra tem. Quanto mais recuperar, menos macroprolactina tem e há mais prolactina monomérica (biologicamente ativa). Por exemplo, a recuperação de prolactina de 100% indica que não há macroprolactina nesta amostra. Nos casos duvidosos, pode-se lançar mão da cromatografia em gel filtração para confirmação.

Como para qualquer exame laboratorial solicitado, devemos sempre relacionar ao quadro clínico e termos raciocínio clínico para possíveis alterações. Nunca devemos tratar um paciente somente pelo resultado do exame laboratorial, especialmente em pacientes assintomáticos ou oligossintomáticos.

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Referências:

  • Glezer A. Bronstein MD. Prolactinoma. Arq Bras Endocrinol Metab 2014. 58(2): 118-123.
  • Glezer A, Alva CB, Bronstein MD, Vieira JGH. Macroprolactina e Incidentaloma Hipofisário. Arq Bras Endocrinol Metab 2001. 45(2): 190-198.

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