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Whitebook: saiba mais sobre o sarampo

Essa semana no Portal da PEBMED, publicamos um artigo de revisão sobre sarampo. Novos casos da doença estão aparecendo todos os dias no Brasil. Por isso, em nossa publicação semanal de conteúdos compartilhados do Whitebook Clinical Decision, separamos a apresentação clínica e abordagem terapêutica da Sarampo.

Veja as melhores condutas médicas no Whitebook Clinical Decision!

Este conteúdo deve ser utilizado com cautela, e serve como base de consulta. Este conteúdo é destinado a profissionais de saúde. Pessoas que não estejam neste grupo não devem utilizar este conteúdo.

Apresentação Clínica

Há quatro períodos:

  1. Período de incubação;
  2. Período de infecção;
  3. Período toxêmico;
  4. Período de remissão.

Período de incubação: Cerca de dez dias.

Período prodrômico: Dura cerca de sete dias com febre alta, tosse seca persistente, secreção nasal seromucosa, conjuntivite, lacrimejamento, fotofobia e linfonomegalia. Nas últimas 24 horas deste período, surgem, na altura dos pré-molares, as manchas de Koplik (pequenas manchas brancas como grãos de areia com halo eritematoso e fundo eritematoso difuso, consideradas sinal patognomônico do sarampo), as quais desaparecem em 24 a 48 horas do surgimento do exantema.

Período toxêmico: A produção de anticorpos começa, enquanto a replicação viral diminui. Os sintomas da fase anterior ficam acentuados, com prostração importante do paciente e surgimento do exantema característico: maculopapular, de cor avermelhada, com distribuição em sentido cefalocaudal, que surge na região retroauricular e na face. De dois a três dias depois, estende-se ao tronco e às extremidades, persistindo por cinco a seis dias.

Período de convalescença ou de descamação furfurácea: Último período, quando as manchas tornam-se escurecidas e surge descamação fina farinácea (lembrando farinha).Pneumonia, crupe, traqueíte, bronquiolite, OMA, diarreia, convulsão febril, encefalite, panencefalite esclerosante subaguda e, de forma mais rara, miocardite.

Complicações

Sinal de alerta para complicações: Febre por mais de três dias após o aparecimento de exantema.

Pode complicar com:

  • Pneumonia;
  • Crupe;
  • Traqueite;
  • Bronquiolite;
  • Otite média aguda;
  • Diarreia;
  • Convulsão febril;
  • Encefalite;
  • Panencefalite esclerosante subaguda (PESS)*;
  • Miocardite (raramente).

*A panencefalite esclerosante subaguda (PESS) consiste em doença neurodegenerativa fatal rara, caracterizada por deterioração cognitiva, mioclonias, convulsões com evolução para descerebração espástica e morte. Pode ocorrer sete a dez anos após a infecção por sarampo.

Abordagem Terapêutica

O tratamento é de suporte. A terapia antiviral não é eficaz em pacientes normais.

Para pacientes com envolvimento do trato respiratório, a umidificação da via respiratória e oxigênio suplementar podem ser benéficos.

A insuficiência respiratória causada por crupe ou pneumonia pode exigir suporte ventilatório.

A reidratação oral é eficaz na maioria dos casos, mas se houver desidratação grave pode ser necessária hidratação venosa.

Não está indicada profilaxia com antimicrobianos para evitar infecção bacteriana.

Acompanhamento

Indicações de internação hospitalar: Pacientes com complicações graves, incluindo superinfecção bacteriana, pneumonia, desidratação, laringite, encefalomielite.

Nas crianças de seis meses a dois anos de idade hospitalizadas com sarampo e suas complicações, é importante fazer doses de vitamina A, pois estudos mostram que tal uso gera taxas reduzidas de morbidade e mortalidade decorrentes de sarampo.

A suplementação de vitamina A é indicada na seguinte dosagem:

  • Crianças menores de seis meses: 50.000 unidades/dia VO 1x/dia, por 2 dias;
  • Crianças de seis a 12 meses: 100.000 unidades VO 1x/dia, por 2 dias;
  • Crianças de um ano ou mais: 200.000 unidades VO 1x/dia, por 2 dias.

Precaução Padrão e Respiratória para Aerossóis

Nos pacientes internados, é importante manter precaução padrão e precaução respiratória para aerossóis durante o período de transmissão.

O paciente deve ficar em quarto privativo no hospital e o seu transporte deve ser evitado, mas, se necessário, usar máscara cirúrgica comum ao transportá-lo ou quando ele se deslocar em locais públicos. O profissional deve usar, minimamente, máscara PFF2 (N-95) e óculos de proteção, além de higienizar as mãos antes e depois do contato com o paciente.

Notificação de Casos Suspeitos

A notificação de casos suspeitos deve ser feita idealmente até 24 horas, a fim de permitir investigação e medidas para bloqueio de surto.

Este conteúdo foi desenvolvido por médicos, com objetivo de orientar médicos, estudantes de medicina e profissionais de saúde em seu dia-a-dia profissional. Ele não deve ser utilizado por pessoas que não estejam nestes grupos citados, bem como suas condutas servem como orientações para tomadas de decisão por escolha médica. Para saber mais, recomendamos a leitura dos termos de uso dos nossos produtos.

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