Um ano de pandemia: cerca de 90% dos profissionais de saúde estão esgotados

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89,4% dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente do combate à pandemia de Covid-19 se declaram psicologicamente esgotados. É o que aponta mais uma pesquisa realizada pela PEBMED, dessa vez com foco em entender as principais dificuldades dos profissionais que estão atuando na pandemia, que já dura mais de um ano.

Mais de 4.300 responderam a pesquisa, que aconteceu entre os dias 29 de março e 05 de abril, mas, para os principais resultados, foram consideradas as 2.239 pessoas na linha de frente, entre médicos (45%), enfermeiros (30%) e técnicos de enfermagem (25%). Cerca de 71% deles trabalham em unidades públicas e 55% em emergências ou pronto-atendimentos.

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1 ano de pandemia: cerca de 90% dos profissionais de saúde estão esgotados

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1 ano de pandemia: medos e dificuldades na linha de frente

Segundo o levantamento, o principal medo que esses profissionais têm é de levar a Covid-19 para dentro de casa: 97% deles disseram temer infectar seus familiares. Outra preocupação, diretamente relacionada, é de ter a doença: 88% dos profissionais entrevistados que ainda não tiveram (42%) têm medo de contrair a Covid-19; e entre aqueles que já foram diagnosticados (58%), 86% temem se reinfectar. 

Entre as dificuldades enfrentadas no dia a dia, 71% dos entrevistados relataram alguma indisponibilidade de leitos de UTI, 57% afirmaram falta de respiradores e 68% disseram que os locais onde trabalham também sofrem com falta de profissionais para atender à demanda.

Saúde mental

Após nove meses da pesquisa que demonstrou a prevalência de burnout em 83% dos médicos da linha de frente, os resultados do novo estudo apontou que ainda há muito a ser mudado. 

Apesar de 81% dos profissionais declararem se sentirem mais preparados tecnicamente para lidar com os pacientes infectados, em comparação ao ano passado, 53,7% discordam que se sentem mais amparados psicologicamente em seus ambientes de trabalho.

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Para Eduardo Moura, médico e cofundador da PEBMED, “os dados levantados nessa pesquisa mostram como os profissionais da saúde têm se sacrificado para atender os pacientes com Covid-19, atuando de forma heroica em situações em que faltam leitos de UTI, equipamentos e mão de obra. Esse sacrifício, somado ao alto índice do medo de infecção e transmissão da Covid-19 tem resultado em uma situação de extremo desgaste psicológico e físico para os profissionais da linha de frente”, relata. 

Vacinação e esperança de dias melhores

A expectativa da vacinação, desde o ano passado, traz esperança de dias melhores e, possivelmente, o fim da pandemia. Até o momento da pesquisa, 69% dos respondentes que atuam no combate à Covid-19 disseram já ter se imunizado completamente. Cerca de 20% tomaram apenas a primeira dose e 11,3% ainda não haviam recebido nenhuma dose.

Apesar disso, 42% dos profissionais que responderam a pesquisa, considerando os que estão e os que não estão no combate ao coronavírus, acreditam que a pandemia dure pelo menos mais um ano. 

Sobre a pesquisa da PEBMED

A pesquisa Pandemia na Linha de Frente foi conduzida pela PEBMED por meio de um estudo transversal, com autoavaliação dos profissionais de saúde e avaliação de seus respectivos ambientes de trabalho. A coleta de informações ocorreu por meio de um questionário online entre os dias 29 de março de 2021 e 05 de abril de 2021. 

No total, 4.398 profissionais de saúde aceitaram participar, sendo que 2.239 afirmaram atuar na linha de frente do combate à Covid-19, sendo:

  • 30,6% homens e 69,4% mulheres;
  • Média de idade: 37,5 anos;
  • Atuação:
    • 44,4% em emergência ou pronto atendimento;
    •  26,5% em ambulatório (atendimento eletivo);
    •  23,1% em unidade de internação/enfermaria;
    • 23,1% em unidade de terapia intensiva (UTI/CTI);
    •  6% em transporte de pacientes (ambulância);
    • 4,9% em serviços de apoio (imagem, diagnóstico etc.);
  • Maior carga de trabalho: 70,7% no sistema público e 29,3% no sistema privado de saúde;
  • Distribuição geográfica:
    • Sul: 15,3%;
    • Sudeste: 50,5%;
    • Centro-Oeste: 8%;
    • Norte: 7,1%;
    • Nordeste: 19,5%.

Os dados levantados a partir das respostas dos profissionais que atuam na linha de frente do combate à Covid-19 (base: 2.239) tem grau de confiança de 95% e erro amostral de 2 pontos percentuais.

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