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10 mitos relacionados ao diagnóstico e tratamento das infecções do trato urinário – Parte I

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Em 2016 foi publicado no Journal of Emergency Medicine o artigo “Top ten myths regarding the diagnosis and treatment of urinary tract infections”. Essa publicação segue sendo extremamente relevante e vale uma revisita, já que as infecções do trato urinário (ITU) continuam entre as principais causas de idas ao pronto-socorro, internações clínicas em enfermaria e em unidade de terapia intensiva, além de ocorrerem gastos desnecessários tanto na solicitação de exames diagnósticos quanto na prescrição de tratamentos inadequados ou sem indicação, principalmente relacionados à bacteriúria assintomática e candidúria.

Saiba mais: Infecção do trato urinário: caso clínico [podcast]

Seguem os 10 mitos relacionados ao diagnóstico e tratamento das infecções do trato urinário e os dados apresentados pela literatura médica.

infecções do trato urinário

Primeiro mito: “Se a urina está turva e com odor fétido, meu paciente tem uma ITU”

A análise macroscópica da urina, incluindo sua coloração, turbidez e odor, não deve ser utilizada como dado isolado para o diagnóstico ou início de antibioticoterapia em nenhum tipo de paciente ou população. A coloração e turbidez da urina não é útil para diagnosticar ITU em mulheres, com sensibilidade de 13,3%, especificidade de 96,5%, valor preditivo positivo de 40% e preditivo negativo de 86,3%. O odor fétido da urina não é um bom indicador de infecção em pacientes em uso de sonda vesical de demora, geralmente relacionado ao estado de hidratação do paciente.

Segundo mito: “Se há bactérias no exame de urina, meu paciente tem uma ITU”

O achado de bactérias no exame microscópico da urina ou crescimento em urocultura sem achados clínicos compatíveis não define o diagnóstico de ITU. Vale sempre ressaltar que o diagnóstico de ITU é clínico, dependendo de exames laboratoriais em casos de dúvida diagnóstica. A contagem de colônias, expressa em UFC (unidades formadoras de colônia) por ml, não deve ser usada para orientar o início da terapia antimicrobiana em pacientes assintomáticos.

Terceiro mito: “O exame de urina do meu paciente tem mais de cinco células epiteliais por campo de baixa potência e a urocultura é positiva. Nesse caso posso desconsiderar a contagem de células epiteliais e tratar como uma ITU”

Para que uma amostra de urina seja considerada adequada, a contagem de células epiteliais deve ser menor do que cinco em campo de baixa potência na urinálise (ou elementos anormais de sedimentoscopia [EAS]). Nos casos em que há cinco ou mais células epiteliais, o crescimento de bactérias na urocultura pode ser considerado contaminação com indicação de coleta de urina por cateterismo vesical.

Quarto mito: “Se há esterase leucocitária positiva no exame de urina, devo solicitar uma urocultura e meu paciente tem ITU com indicação de antibioticoterapia”

Um exame de urina com esterase leucocitária positiva não deve ser usado isoladamente para apoiar o diagnóstico de ITU ou indicar o início de terapia antimicrobiana em qualquer população de pacientes. A esterase leucocitária positiva em fita reagente tem sensibilidade de 80-90% e especificidade de 95-98% para a presença de piúria.

Leia também: Atualizações sobre o tratamento de infecções no trato urinário baixo em gestantes e não gestantes

Quinto mito: “Se há piúria/leucocitúria no exame de urina, meu paciente tem uma ITU”

A piúria sem sintomas urinários não deve ser tratada com antimicrobianos (risco de sobretratamento de até 47%), sendo necessário pesquisar diagnósticos diferenciais como uretrite, vaginite ou infecções sexualmente transmissíveis. Paciente com oligúria ou anúria (em terapia renal substitutiva) ou em uso de sonda vesical de demora podem apresentar contagens limítrofes de leucócitos na urina.

Confira os últimos cinco mitos relacionados ao diagnóstico e tratamento das infecções do trato urinário neste artigo!

Referências bibliográficas:

  • Schulz L, Hoffman RJ, Pothof J, Fox B. Top Ten Myths Regarding the Diagnosis and Treatment of Urinary Tract Infections. J Emerg Med. 2016 Jul;51(1):25-30. doi: 10.1016/j.jemermed.2016.02.009. Epub 2016 Apr 7. PMID: 27066953.
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