8 em cada 10 tumores de cabeça e pescoço são descobertos em fase avançada

Tumores de cabeça e pescoço descobertos em estágio avançado dificultam a chance de controle da doença e aumentam as taxas de mortalidade.

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Estima-se que oito entre dez casos de tumores de cabeça e pescoço sejam descobertos no Brasil já em fase avançada, mesmo com fatores de risco evitáveis e sinais aparentes, que podem ser vistos e sentidos com as mãos, como nódulos ou gânglios aumentados no pescoço e feridas na boca que não cicatrizam. 

Como consequência desse cenário, o diagnóstico tardio resulta em menor chance de controle da doença, pior qualidade de vida para o paciente, maiores taxas de morbidade e mortalidade, maiores riscos de mutilação em decorrência da necessidade de cirurgias mais extensas, maior complexidade de outras modalidades de tratamento e maior demanda por reconstrução facial, assim como mais desafios na reabilitação do paciente. 

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“Isso se deve, provavelmente, ao desconhecimento da população dos sinais e sintomas da enfermidade, no caso dos tumores de cavidade oral, lesões persistentes em qualquer parte da cavidade oral ou caroços no pescoço, a falta de inspeção da cavidade oral e mesmo a não valorização dos sintomas iniciais. Porém, o diagnóstico tardio envolve ainda o não reconhecimento por parte de profissionais de saúde que avaliam os pacientes primariamente, uma vez que muitos deles não são especialistas”, declara.  

Ele completa: “esse sentido cabe, além da conscientização da população, uma educação dos profissionais de saúde da atenção primária para uma correta identificação e direcionamento adequado de pacientes com suspeita de câncer de cabeça e pescoço”, alertou o presidente do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP), o oncologista clínico Thiago Bueno de Oliveira, em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED. 

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Números e previsões

Atualmente, o câncer de cabeça e pescoço é o terceiro tipo mais comum no mundo, de acordo com a Associação Brasileira de Câncer, Cabeça e Pescoço (ACBG). Boca, faringe, laringe, tireóide, glândulas salivares, cavidade nasal, seios paranasais, paratireóide e pele são as regiões que podem ser acometidas. 

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC/OMS) aponta, no levantamento Global Cancer Observatory, que são esperados mais de 1,5 milhão de novos casos de câncer de cabeça e pescoço no mundo até o final de 2022. 

Considerando todos os tipos de tumores que acometem a região de cabeça e pescoço, são mais de 460 mil óbitos anuais.  Mundialmente, os tipos mais comuns em homens são os da cavidade oral (125 mil casos/ano), laringe, nasofaringe, orofaringe e hipofaringe.  Em mulheres, cânceres de cavidade oral e tireoide são os tumores de cabeça e pescoço mais comuns. 

Já especificamente no Brasil, existem 36 mil casos novos por ano, considerando câncer de boca, laringe e tireoide, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). 

Em relação ao câncer de pele, são mais de um milhão de novos casos no mundo (1.200,000), conforme dados do Global Cancer Observatory (GCO) e 120 mil casos novos somente no Brasil (INCA 2022). Cerca de 80% dos casos de câncer de pele são na cabeça e pescoço. 

Os tipos mais frequentes de câncer de cabeça e pescoço são os de cavidade oral e laringe nos homens e de tireoide, nas mulheres. 

Principais sinais de alerta 

Diferente de muitos tipos de câncer em que as principais causas são desconhecidas, os principais fatores de risco para desenvolvimento desses dois tipos de tumores são bem estabelecidos, assim com as estratégias de prevenção primária para evitar seu aparecimento, como não fumar, evitar consumo de bebidas alcoólicas e se prevenir contra o vírus HPV, com vacinas disponíveis na rede pública e privada de saúde. 

Confira os principais sinais de alerta para câncer de cabeça e pescoço: 

– Ferida na boca que não cicatriza (sintoma mais comum); 

– Dor na boca que não passa muito comum, mas em fases mais tardias); 

– Nódulo persistente ou espessamento na bochecha; 

– Área avermelhada ou esbranquiçada nas gengivas, língua, amígdala ou revestimento da boca; 

– Irritação na garganta ou sensação de que alguma coisa está presa ou entalada; 

– Disfagia; 

– Dificuldade para mover a mandíbula ou a língua; 

– Dormência da língua ou outra área da boca; 

– Inchaço da mandíbula que faz com que a dentadura ou prótese perca o encaixe ou incomode; 

– Dentes que ficam frouxos ou moles na gengiva ou dor em torno dos dentes ou mandíbula; 

– Mudanças na voz; 

– Rouquidão; 

– Nódulos ou gânglios aumentados no pescoço; 

– Perda de peso; 

– Mau hálito persistente; 

– Ferida e mancha escura na pele. 

Orientações aos médicos e a importância do autoexame

“Vale ressaltar que a existência de qualquer dos sinais e sintomas pode sugerir a existência de câncer, cabendo ao médico avaliar a necessidade de solicitar outros exames para confirmar ou não o diagnóstico. Muitos desses sinais e sintomas podem ser causados por outros tipos de câncer ou por doenças benignas. É importante conscientizar os pacientes a procurar um médico ou dentista, caso os sintomas persistam por mais de duas semanas. Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico e iniciado o tratamento, maiores serão as chances de sucesso”, enfatizou o presidente do GBCP. 

Sendo assim, a conscientização dos pacientes sobre os principais sinais de câncer de cabeça e pescoço é essencial. Nesse contexto, o autoexame envolve a inspeção visual da cavidade oral, língua e garganta, na busca de feridas que não cicatrizam ou áreas esbranquiçadas ou avermelhadas persistentes. 

Além disso, o paciente deve procurar em toda região da face e pescoço, e especialmente na região cervical, a presença de nódulos ou caroços persistentes. 

“É essencial ensinar para que a pessoa desenvolva o autocuidado e a constância de autoavaliação. Os pontos mais importantes são a palpação da face e do pescoço em busca de nódulos ou caroços e um exame de busca da identificação de lesões na boca e na pele. Na pele, é importante avaliar se há manchas de coçam ou sangram, pintas que evoluem de tamanho, feridas que não cicatrizam, por exemplo. Se a pessoa fuma, é importante uma avaliação mais cuidadosa e caso alguma lesão seja identificada, uma biópsia deve ser realizada com anestesia local”, explicou o coordenador do departamento de Cabeça e Pescoço da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORL-CCF), Carlos Takahiro Chone, em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED. 

Tratamento e chances de cura

As chances de cura estão diretamente relacionadas ao estágio em que a enfermidade é diagnosticada, mais uma vez enfatizando a importância da conscientização e identificação de potenciais sinais e sintomas. O câncer de cabeça e pescoço diagnosticado no início tem chance geral de 90% de cura. 

O tratamento é multimodal, envolvendo mais de uma modalidade de terapêutica “Classicamente, cirurgia, radioterapia e terapias sistêmicas (quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapia) são empregadas de acordo com o estágio da doença e o local de origem do tumor. Para casos diagnosticados em estágio inicial não somente as chances de cura são maiores, mas o tratamento tende a ser menos intenso, por exemplo, com apenas uma modalidade, como cirurgia ou radioterapia isoladamente. Para estágios mais avançados, diminuem as chances de cura e há a necessidade de se empregar tratamentos mais agressivos, combinando essas diversas modalidades”, concluiu o oncologista Thiago Oliveira. 

*Esse texto foi revisado pela equipe médica do Portal PEBMED. 

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# http://www.gbcp.org.br/julhoverde2022/ # https://jamanetwork.com/journals/jamaotolaryngology/fullarticle/648175 # https://seer.cancer.gov/statfacts/html/oralcav.html # Julho Verde alerta para a prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Ministério da Educação. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-sudeste/hc-ufmg/comunicacao/noticias/julho-verde-alerta-para-a-prevencao-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco