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A evolução da pandemia de infecções de SARS-CoV-2 no Brasil

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E a temida pandemia da Covid-19 se espalhou pelo Brasil. O país apresenta, atualmente, uma das maiores taxas de casos de infecção pelo novo coronavírus, SARS-CoV-2, e de número absoluto de mortos em todo o mundo.

Frente aos diversos questionamentos quanto às estratégias mais adequadas para o controle da distribuição dessa doença e as características dos vírus circulantes em território brasileiro, alguns esforços agregando instituições e pesquisadores geraram um conjunto de resultados significativamente importante para nosso país.

Inicialmente, é também necessário ressaltar que nossa ciência é resultado direto da mobilização de muitos pesquisadores que, por iniciativas próprias, recursos e colaborações, alguns obtidos frequentemente por esforços voluntários, permanecem fornecendo dados e resultados que auxiliam no esclarecimento do fenômeno epidêmico dessa nova doença e suas particularidades. As instituições de fomento também exercem apoio significativo e fundamental ao permitir a obtenção de financiamento para infraestrutura, consumo e capital para o progresso da ciência brasileira.

Leia também: Transmissão da Covid-19 por fômites: estamos exagerando nos cuidados?

Pesquisa sobre SARS-CoV-2

Um dos bons exemplos da contribuição da ciência para o conhecimento sobre a pandemia atual foi publicado recentemente por Candido et al. (2020) na revista Science, umas das mais proeminentes na ciência mundial. Através da reunião de um conjunto de 15 instituições brasileiras e britânicas, foram avaliados os genomas completos de 427 partículas virais de SARS-CoV-2 obtidos a partir de casos de infecção em 21 estados brasileiros e relacionados com dados epidemiológicos e modelos de transmissão por mobilidade.

As amostras virais foram obtidas em 85 municípios do território brasileiro, no período entre 5 de março e 30 de abril de 2020, a partir de sintomáticos com período médio de coleta de quatro dias desde o início dos sintomas. Adicionalmente, foi também avaliado o impacto das medidas de intervenção não farmacológicas (MNF) no controle da epidemia em solo brasileiro, como o lockdown.

Números do estudo

Os resultados indicaram que MNF, como fechamento do comércio, escolas, distanciamento social e quarentena em domicílio, contribuíram para reduzir as taxas de transmissão do vírus. Significativamente alta e superior a 3, foi reduzida para 1 a 1,6 em São Paulo e Rio de Janeiro. Paralelamente, verificou-se que os vírus SARS-CoV-2 foram introduzidos no Brasil por mais de cem tipos distintos originários da Europa, devido especialmente a voos internacionais para Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Ceará.

A partir de então, iniciou-se a transmissão comunitária rápida e progressiva, coincidente com o aumento de cerca de 25% das distâncias percorridas em viagens por voos nacionais, levando aos elevados índices de casos e óbitos que se observam até atualmente. A maior parte desses vírus (76%) se distribui em três grandes clades introduzidos entre 22 de fevereiro e 11 de março de 2020. A clade 1 reuniu predominantemente as cepas do estado de São Paulo, a clade 2 consistiu na reunião da linhagem com maior distribuição territorial e a clade 3 albergou principalmente aquelas isoladas no estado do Ceará. Na região Amazônica, observaram-se múltiplas introduções nacionais e internacionais de SARS-CoV-2.

Os detalhes desse significativo estudo e similares podem ser observados nas referências abaixo.

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Autor:

Referências bibliográficas:

  • Candido DS, Claro IM, de Jesus JG, et al. Evolution and epidemic spread of SARS-CoV-2 in Brazil. Science. 2020;eabd2161.
  • Fauver JR, Petrone ME, Hodcroft EB, et al. Coast-to-coast spread of SARS-CoV-2 in the United States revealed by genomic epidemiology. Preprint. medRxiv. 2020;2020.03.25.20043828. Published 2020 Mar 26.
  • Taboada B, Vazquez-Perez JA, Muñoz Medina JE, et al. Genomic Analysis of Early SARS-CoV-2 Variants Introduced in Mexico. J Virol. 2020;JVI.01056-20.
  • Xavier J, Giovanetti M, Adelino T, et al. The ongoing COVID-19 epidemic in Minas Gerais, Brazil: insights from epidemiological data and SARS-CoV-2 whole genome sequencing. Emerg Microbes Infect. 2020;9(1):1824-1834.

Um comentário

  1. Avatar
    Djalma Araújo Luz

    Muito pertinente este estudo do genoma viral; sempre tive a opinião de que a clínica da Covid atual depende da resposta do indivíduo às infecção, mas que existiria gradações da virulência próprias de cada classe viral.

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