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A sustentação de carga ou mobilidade precoce após fraturas de tornozelo aumentam a chance de complicações?

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As fraturas de tornozelo são lesões ortopédicas comuns chegando a 168,7 por 100.000 pessoas por ano, sendo tratadas, quando há indicação cirúrgica, com redução aberta e fixação interna com placa e parafusos. Apesar do tipo de tratamento cirúrgico ser bem estabelecido na literatura, o pós-operatório ainda é motivo de discussão em estudos e congressos, levando a diferentes conduções nos diversos serviços. 

Um estudo publicado no último mês no Journal of Orthopaedic Trauma buscou responder a seguinte pergunta: “A sustentação de carga ou liberação de arco de movimento precoce (até 2 semanas) após redução aberta e fixação externa de fraturas de tornozelo afeta os resultados funcionais ou aumenta a chance de complicações?”

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A sustentação de carga ou mobilidade precoce após fraturas de tornozelo aumentam a chance de complicações?

O estudo

Foi realizada uma revisão sistemática que avaliou inicialmente 2.665 artigos. Após revisão, foram selecionados 1.130 casos de apenas 20 ensaios clínicos randomizados, que demonstravam resultados pós-operatórios de fraturas uni, bi ou trimaleolares em pacientes com 16 anos ou mais e que possuíam dados sobre data de liberação de carga e mobilização do tornozelo.

Apenas dois estudos compararam resultados funcionais após sustentação de carga precoce e tardia com intervalos de tempo de acompanhamento variados. Esses dados foram insuficientes para permitir uma metanálise embora, individualmente, não tenham sido encontradas diferenças significativas entre os grupos. Seis estudos compararam complicações após sustentação de carga precoce e tardia não demonstrando diferenças significativas (odds ratio: 1,35, IC 95%: 0,64-2,83). Da mesma maneira, 5 estudos compararam taxa de infecção entre as variáveis, sem diferença estatística (odds ratio: 1,82, IC 95%: 0,83-4,00).

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Nove estudos compararam resultados funcionais após liberação de arco de movimento precoce e tardio sem significância estatística (diferença média estritamente padronizada = 0,29, IC 95%: -0,28 a 0,85). Dois estudos demonstraram retorno precoce ao trabalho (3 a 6 semanas) nos pacientes que realizaram mobilização precoce. Entretanto, na comparação da taxa de complicações de ferida operatória, a mobilização precoce gerou maior risco (odds ratio: 3,11, IC 95%: 1,64-5,90) sem aumento de infecção (odds ratio: 1,62, IC 95%: 0,81-3,24). Além disso, melhores escores funcionais com a reabilitação precoce são obtidos apenas nas primeiras 6 semanas de pós-operatório, se igualando ao grupo de reabilitação tardia a longo prazo.

Conclusões

Os dados dessa revisão devem ser observados com cautela já que há heterogeneidade nos ensaios clínicos entre os tipos de fratura e fixação, tempo de follow-up, protocolos de reabilitação e imobilização. A sustentação de carga precoce na reabilitação é segura em pacientes tratados com uma fixação estável e não está sujeita a aumento de complicações. Quanto à mobilização do tornozelo, é prudente aguardar a retirada dos pontos de sutura para início de cinesioterapia.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Sernandez H, et al. Do Early Weight-Bearing and Range of Motion Affect Outcomes in Operatively Treated Ankle Fractures: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Orthopaedic Trauma. 2021 Aug;35(8):408–13. doi:10.1097/BOT.0000000000002046.
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