A via aérea supraglótica precoce impacta na fração de compressões torácicas durante a PCR extra-hospitalar?

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Foi publicado no Journal of Clinical Medicine, em 31 de dezembro de 2021, o estudo Effect of Early Supraglottic Airway Device Insertion on Chest Compression Fraction during Simulated Out-of-Hospital Cardiac Arrest: Randomised Controlled Trial. Trata-se de ensaio clínico randomizado, de superioridade, em cenário simulado de PCR extra-hospitalar. Foi realizado na Suíça e envolveu equipes de serviços médicos de emergência locais.

Leia também: Parada cardiorrespiratória (PCR) extra-hospitalar: é possível predizer se o paciente vai sobreviver? 

A via aérea supraglótica precoce impacta na fração de compressões torácicas durante a PCR extra-hospitalar

Fração de Compressões Torácicas (FCT)

As compressões torácicas de alta qualidade são mandatórias para aumentar a probabilidade de sobrevida em pacientes pós-parada cardiorrespiratória extra-hospitalar (PCREH). Um dos determinantes nesse sentido é a fração de compressões torácicas (FCT), isto é, a proporção de tempo destinado à execução das compressões torácicas durante a ressuscitação cardiopulmonar (RCP). Um aumento de 10% na FCT pode aumentar a sobrevida em 11%.

Qual melhor estratégia de via aérea na PCR extra-hospitalar?

A melhor estratégia nesse cenário ainda é questão de debate. As manobras relacionadas à via aérea podem levar à interrupção das compressões torácicas, reduzindo a FCT. A intubação endotraqueal ainda é considerada o padrão-ouro para via aérea avançada, no entanto, nem todas equipes têm experiência no procedimento ou não conseguem manter treinamento contínuo. Dispositivos de via aérea supraglótica podem representar uma interessante opção em vários cenários, uma vez que sua inserção não demanda a mesma expertise necessária para a intubação endotraqueal.

Qual a pergunta do estudo?

Em caso de PCR extra-hospitalar, a inserção precoce da máscara laríngea, sem ventilações prévias com bolsa-válvula-máscara, poderia melhorar a Fração de Compressões Torácicas (FCT)?

Quais objetivos?

  • Determinar se a inserção imediata da máscara laríngea, enquanto compressões torácicas contínuas são administradas, seguida de ventilações assíncronas com a compressão, promove uma maior FCT que a abordagem de 30 compressões para 2 ventilações de forma inicial;
  • Comparar o impacto dessa abordagem de inserção imediata da máscara laríngea na qualidade da RCP e de parâmetros ventilatórios.

Como foi realizado?

Paramédicos e Técnicos de Emergência Médica (responsáveis por auxiliar os paramédicos) foram recrutados para o estudo. Os mesmos não eram informados sobre o objetivo específico do estudo. Sabiam apenas que se tratava de manejo de PCR extra-hospitalar.

As equipes passavam por um workshop de 20 min sobre o dispositivo específico de máscara laríngea utilizado no estudo. Além de receberem informações relacionadas ao manejo de inserção imediata da máscara laríngea, antes mesmo da ventilação inicial com bolsa-válvula-máscara, enquanto compressões torácicas contínuas eram administradas. Uma vez a via aérea inserida, um segundo membro da equipe ofertaria ventilações assíncronas a uma taxa de 10 por minuto.

O cenário era o mesmo apresentado para as equipes. Só após a passagem do caso, o líder da equipe abriria o envelope para definir qual estratégia de via aérea seria utilizada (se abordagem padrão ou com a máscara laríngea). Sendo assim, a randomização ocorria para dois grupos (abordagem padrão x abordagem experimental). O paciente simulado estava apneico e em fibrilação ventricular refratária, a despeito do número de tentativas de desfibrilação. O cenário era finalizado com 10 minutos.

Resultados

Um total de 52 participantes foram recrutados entre Março e Maio de 2021. Foram divididos em 26 times, alocados nos dois grupos. No grupo experimental, a taxa de inserção bem-sucedida foi de 84,6% em primeira tentativa e de 100% em segunda tentativa.

  • A fração de compressões torácicas (FCT) foi maior, de forma consistente, quando a abordagem do grupo experimental foi utilizada;
  • Profundidade das compressões: menores no grupo experimental (41,7% vs. 66,5%, p = 0,01);
  • Taxa de compressões: similares em ambos os grupos (116 cpm vs. 115 cpm);
  • O número total de ventilações em 10 min foi duas vezes maior no grupo experimental (p < 0,001), correspondendo a uma maior taxa de ventilação por min;
  • A proporção de ventilações no volume-alvo foi também maior no grupo experimental, com diferença significativa (p = 0,003);
  • Tempo para o primeiro choque também foi similar em ambos os grupos (p = 0,85).

Saiba mais: Epinefrina na parada cardiorrespiratória: seu uso e controvérsias

Discussão 

  1. No presente estudo, que utilizou um cenário simulado, a inserção imediata de uma marca específica de máscara laríngea levou a maior fração de compressões torácicas de forma significativa.

Tal diferença pode ser explicada pela administração imediata de compressões torácicas contínuas, evitando a interrupção das compressões pelas ventilações iniciais com bolsa-válvula-máscara.

  1. Além disso, com a estratégia da inserção precoce da máscara laríngea, a qualidade das ventilações também foi maior no grupo experimental.

É possível que os participantes do grupo experimental tenham focado no dispositivo, o que justifica algum grau de redução na qualidade das compressões (menos profundas).

  1. Limitações:

A maior limitação do estudo é o fato do cenário simulado, assim como pode ter ocorrido algum grau de efeito Hawthorne, uma vez que os participantes sabiam que estavam sendo observados durante o cenário e sabiam que os resultados seriam publicados.

Mensagens Práticas

  • O estudo simulado mostrou que a inserção precoce de um dispositivo supraglótico, enquanto compressões torácicas são iniciadas, no lugar de iniciar as ventilações por bolsa-válvula-máscara, promoveu aumento da fração de compressões torácicas (FCT) e da qualidade de ventilações;
  • A estratégia permitiu uma maior qualidade de reanimação cardiopulmonar;
  • Devemos ter cautela na interpretação desses dados pela natureza simulada do estudo.

Referências bibliográficas:

  • Stuby L, Jampen L, Sierro J, et al. Effect of Early Supraglottic Airway Device Insertion on Chest Compression Fraction during Simulated Out-of-Hospital Cardiac Arrest: Randomised Controlled Trial. J Clin Med. 2021;11(1):217. Published 2021 Dec 31. doi:10.3390/jcm11010217
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