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AHA 2018: novo extrato de ômega 3 reduz eventos cardiovasculares?

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A hipertrigliceridemia está associada com maior risco cardiovascular, mas a magnitude desta relação é menor que a do LDL. Além disso, os tratamentos disponíveis até então – fibratos e óleos de peixe em geral – não mostraram redução no risco de IAM, AVC ou morte, mas apenas uma menor chance de pancreatite. Por isso, a maior parte das diretrizes é clara que a prioridade é calcular o risco cardiovascular e, se moderado a alto, iniciar administração de estatinas. Os triglicerídeos só deveriam ser tratados se > 500 mg/dl ou, para alguns autores mais rigorosos, apenas se >886 mg/dl.

No congresso da AHA 2018, um novo estudo, REDUCE-IT, trouxe informações que podem mudar esse paradigma. Foram selecionados pacientes cardiopatas, ou com fatores de risco para aterosclerose, e comparados um extrato purificado de óleo de peixe ômega 3 com placebo. Todos os pacientes estavam em uso de estatina e tinham TG 135-499 mg/dl e LDL 41-100 mg/dl.

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Foram recrutados 8179 pacientes, dos quais 70% já tiveram eventos cardiovasculares prévios, e acompanhados por uma média de 4,9 anos. Os resultados mostraram uma redução de 25% no desfecho combinado de morte, IAM ou AVC. Na análise individual, houve redução na mortalidade cardiovascular. Os efeitos colaterais não esperados foram um pequeno aumento na incidência de FA e de “sangramentos” no grupo tratado. Ainda assim, os autores entendem que os benefícios superam os riscos.

O que explica esse resultado tão diferente dos anteriores?

A formulação utilizada é uma forma purificada do ômega 3. O “antigo” era composto de DHA (docosahexaenoico) e EPA (eicoisapentaenoico), ao passo que o “novo” é apenas EPA (icosapentaetil). Além disso, a dose utilizada foi maior, 4g, e foi mantida a associação com estatina. A formulação antiga estava associada com pequeno aumento do LDL, ao passo que a nova não está. Há, ainda, pesquisas com outros benefícios, como melhora da função endotelial (“efeitos pleiotrópicos”, como ocorre com estatinas).

E como isso vem para a prática?

O começo é o mesmo. Avalie seu paciente e calcule o risco cardiovascular. Se moderado a alto, inicie a estatina. Naqueles pacientes que permanecerem com TG 135-499 mg/dl, hoje esse novo ômega 3 purificado oferece uma alternativa aos fibratos. Qual o próximo passo? Realizar dois estudos, um comparando ômega 3 purificado versus fibratos e outro avaliando o ômega 3 nos pacientes com TG > 500 mg/dl.

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Autor:

Ronaldo Gismondi

Doutorado em Medicina pela UERJ ⦁ Cardiologista do Niterói D’Or ⦁ Professor de Clínica Médica da Universidade Federal Fluminense

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