Anestesiologia

Anestesia e insulinoma

Tempo de leitura: 2 min.

Os insulinomas são tumores neuroendócrinos intrapancreáticos (originários das células β das ilhotas de Langerhans) secretores de insulina, independentemente da glicemia. A maioria é benigno, se apresenta geralmente na 4° ou 5° década de vida como uma lesão solitária menor que 2 cm. Até 10% dos insulinomas estão associados com a neoplasia endócrina múltipla do tipo 1 com maior risco de malignidade.

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Diagnóstico do insulinoma

Os sinais e sintomas são decorrentes da hipoglicemia gerada pela secreção inapropriada de insulina. São eles: convulsões, fadiga, confusão mental, alterações comportamentais podendo chegar a perda da consciência e até mesmo a morte, palpitações, sudorese, tremores e ansiedade.

O padrão ouro para o diagnóstico de insulinoma é o teste de jejum supervisionado de 72h. Como os sintomas são inespecíficos, a hiperinsulinemia endógena deve ser considerada na presença da tríade de Whipple (hipoglicemia + sintomas de hipoglicemia + melhora com administração de glicose). Após a confirmação diagnóstica, a localização é realizada com exames de imagem, como tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética, cintilografia para receptor de somatostatina e endoscopia. Como a maioria dos tumores são pequenos e benignos, a ressecção cirúrgica torna-se potencialmente curativa.

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O manejo anestésico durante a ressecção cirúrgica do insulinoma se dá com a monitorização da hipoglicemia causada pela exposição e manipulação do tumor e de hiperglicemia após a ressecção do mesmo. A hipoglicemia pode ser evitada com a administração de glicose hipertônica enquanto a hiperglicemia que ocorre 90minutos após a exérese do tumor prediz que a ressecção foi completa. Medicações como diazoxida e somatostatina pode ser administradas para bloquear a liberação de insulina para pacientes que não são bons candidatos à cirurgia ou que possuam tumores não-operáveis.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Peramunage D, Nikravan S. Anesthesia for Endocrine Emergencies. Anesthesiol Clin. 2020 Mar;38(1):149-163. doi: 10.1016/j.anclin.2019.10.006. Epub 2020 Jan 2. PMID: 32008649.

 

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Publicado por
Bruno Vilaça

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