Anticoncepcionais orais e risco de cânceres ginecológicos

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Atualmente as pacientes buscam cada vez métodos anticoncepcionais livre de hormônios. O uso do dispositivo intrauterino de cobre se multiplicou na população feminina jovem. E os questionamentos sobre o impacto dos anticoncepcionais orais (ACO) no risco de desenvolvimento de câncer são sempre pauta durante as consultas ginecológicas.

Os ACO estão há mais de 60 anos no mercado, e neste meio tempo diversos estudos tentaram encontrar uma relação causal ou protetora dos anticoncepcionais com o risco de neoplasia, e os resultados nem sempre foram congruentes.

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Anticoncepcionais orais e risco de cânceres ginecológicos

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Estudo recente

Nesse contexto A American Association for Cancer Research publicou neste mês de dezembro um estudo observacional que avaliou 256.661 mulheres no Reino Unido, entre 1939 até 1970, objetivando esclarecer os efeitos dependentes do tempo entre o uso do ACO o risco de câncer.

O estudo é considerado, até o momento, o que avaliou por mais tempo essa associação. Ficou bastante evidente o efeito protetor do ACO em relação a neoplasia endometrial e ovariana, por mais de 30 a 35 anos após a descontinuação do método. As chances eram menores entre as usuárias, em comparação com as que nunca usaram, para câncer de ovário: OR = 0,72 (IC 95%: 0,65-0,81) e câncer endometrial: OR = 0,68 (IC 95%: 0,62-0,75).

Achados

Foi observado que o tempo de uso também foi determinante para essa redução. Por exemplo, para mulheres com mais de 20 anos de ACO, o valor de OR para câncer de endométrio foi menor que 0,36 comparado às pacientes que nunca usaram. Além disso, após 30 anos de uso, os anos adicionais parecem não agregar mais proteção para câncer de ovário.

Saiba mais: Primeiro anticoncepcional masculino será lançado em 2020

Em relação ao câncer de endométrio, o ACO parece ter proteção durante todo o período de uso, enquanto para câncer de ovário, o efeito protetor é mais pronunciado no início do uso.

Além disso, o estudo mostrou a associação limitada entre ACO e câncer de mama, evidenciando que o risco parece aumentar no máximo até os 2 anos após a sua interrupção (HR = 1,55, IC 95%: 1,06-2,28). E que o momento de vida para desenvolver o câncer de mama também não parece se alterar com o uso de ACO.

Entretanto, vale destacarmos aqui que esta avaliação leva em conta a administração das progestinas norestiterona e levonorgestrel, e também doses mais altas de estrógenos, que eram disponíveis nos anos 1960 e 1970.

Portanto, o uso prolongado de ACO pode garantir um efeito protetor por décadas após sua pausa para o câncer de ovário e principalmente para o câncer de endométrio. Em relação a câncer de mama, os estudos sugerem um aumento de risco discreto, pouco estabelecido e também a curto prazo.

Nesse ínterim, o estudo agrega informações importantes no contexto de eleição do melhor método anticoncepcional, reiterando que a escolha deve ser individualizada levando em consideração a história pessoal e familiar da paciente.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Karlsson T, Johansson T, Höglund J, Ek WE, Johansson A. Time-dependent effects of oral contraceptive use on breast, ovarian and endometrial cancers. American Association for Cancer Research. December 2020. doi: 10.1158/0008-5472.CAN-20-2476
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