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Anvisa aprova atezolizumab para combater câncer de mama

Tempo de leitura: 2 minutos.

Depois que a Food and Drug Administration (FDA) concedeu em março a aprovação ao atezolizumab em combinação com nab-paclitaxel para pacientes com câncer de mama triplo-negativo nos Estados Unidos, foi a vez da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciar neste mês a aprovação da combinação terapêutica que trata de um dos subtipos mais graves dos cânceres de mama.

A eficácia da medicação contra a doença foi apresentada no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO Congress 2018). O Impassion 130 foi o primeiro estudo de fase 3 a documentar o benefício significativo de imunoterapia em casos de câncer de mama metastático.

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Considerado um tipo agressivo e que afeta geralmente mulheres jovens, o câncer de mama triplo-negativo representa cerca de 20% de todos os casos da doença em todo o mundo. No cenário brasileiro, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), haverá cerca de 60 mil novos casos de câncer de mama neste ano, representando um universo de 12 mil mulheres.

Resultados clínicos

Os resultados do estudo Impassion 130 demonstraram que a associação do anticorpo atezolizumab à quimioterapia gerou um tempo mais prolongado sem progressão das metástases e uma chance maior de sobrevida global, com taxa de sobrevivência de 25 meses.

Por causa desses resultados, a possibilidade de sucesso com a imunoterapia é animadora entre os pesquisadores, abrindo novas frentes para o enfrentamento da doença.

“Os estudos internacionais preliminarmente divulgados são animadores por indicarem um novo caminho para tratar esse tipo de câncer de mama”, conta o médico Daniel Gimenes, do Centro Paulista de Oncologia (CPO), da unidade de São Paulo do Grupo Oncoclínicas, em entrevista para o Portal de Notícias da PebMed.

Metodologia

451 pacientes com câncer de mama triplo-negativo metastático que não haviam sido submetidos ao tratamento da doença avançada previamente fizeram um estudo randomizado para receber quimioterapia nab-paclitaxel ou quimioterapia nab-paclitaxel associada ao uso da imunoterapia Atezolizumab. Os objetivos principais foram avaliar o impacto desta imunoterapia na sobrevida livre de progressão das metástases e na sobrevida global dos pacientes.

O médico ainda menciona o estudo GeparNuevo, que analisou 174 pacientes com câncer de mama triplo-negativo metastático ou localmente avançado. Um grupo recebeu um tipo de imunoterápico associado à quimioterapia enquanto as demais pessoas utilizaram placebo. O resultado demonstra um aumento significativo na redução do tumor nos casos que receberam a combinação da imunoterapia com a quimioterapia.

Efeitos adversos

O uso de imunoterapia pode provocar reações autoimunes, causando artrites, colites, reações cutâneas, tireoidites. “Neste estudo, ocorreu uma maior ocorrência de hipotireoidismo, decorrente de tireoidite autoimune causada pelo atezolizumabe”, diz o oncologista.

Ele ainda alerta que esse tipo de alternativa não deve ser utilizado em pacientes com doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatoide, pois podem desencadear crises destas doenças.

“A imunoterapia tem alguns efeitos colaterais, porém o paciente pode aproveitar de uma melhor qualidade de vida. É um tratamento mais sustentável para a saúde do paciente, pois ataca diretamente o tumor. Uma das principais vantagens da adoção destes imunoterápicos de nova geração é que, mesmo após o fim do tratamento, a imunidade desse indivíduo pode continuar respondendo a células tumorais, diminuindo a recidiva de tumores e aumentando o tempo livre de progressão da doença”, conclui o médico.

A Anvisa já aprovou em bula o uso deste anticorpo para o tratamento do câncer de mama triplo-negativo. O próximo passo será estabelecer o preço do medicamento para a comercialização no Brasil.

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